Valdo Cruz
Quem?
Salve Vavá, o irmão mais velho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Surgiu como o grande salvador de muita gente que estava encrencada ou em vias de se encrencar. Governistas e oposicionistas, empreiteiros e lobistas acenderam velas em sua homenagem. Sua citação elevou o status de um escândalo de terceira categoria a um caso de primeira grandeza. E relegou outros escândalos, mais complexos e mais explosivos, a segundo plano.
Daqui a pouco, ninguém mais lembra quem é Zuleido Veras. Há alguns dias era a personagem mais citada nas conversas de Brasília, presença garantida nos telejornais, o célebre dono da Gautama. Lembra-se, aquela empreiteira batizada em homenagem a Buda, que de santa, pelo que a PF descobriu, não tinha nada. Aquela que construiu pontes que ligavam o nada ao lugar nenhum.
Hoje, o nome do empreiteiro deixou as páginas dos jornais. Se chega a ser citado, já não tem mais destaque. Continua figurando nos processos e inquéritos da Polícia Federal, mas atrai pouca ou nenhuma atenção. Deve estar descansando em alguma praia da Bahia, onde fica a sede da empreiteira que, segundo a PF, fraudava licitações em Brasília.
Outro que é só agradecimentos a Vavá é o presidente do Senado, Renan Calheiros. Até a semana retrasada havia desbancado Zuleido Veras do centro das especulações em Brasília. Atingiu tal feito depois de revelado que um amigo lobista, funcionário de uma empreiteira, entregava a uma antiga namorada do senador dinheiro como pagamento de uma pensão alimentícia.
Hoje, seu caso ainda permanece nas páginas dos jornais. Mas ninguém mais se interessa tanto pelo assunto. Senadores governistas e da oposição estão loucos para sepultar de vez o caso. E deixar o dito pelo não dito. Fruto de um grande acordo em torno do presidente do Senado, aquele tipo de político que agrada a gregos e troianos. Nem todos, mas quase.
E saiba, caro leitor, que além de Zuleido e Renan, outros políticos estão levantando os braços para os céus com o surgimento de são Vavá. Muita gente, de partidos governistas e oposicionistas, estava tremendo pelos corredores de Brasília, assustada com a possibilidade de o escândalo envolvendo a Gautama revelar outras maracutaias. Mas veio Genival Inácio da Silva, o irmão mais velho de Lula, e mandou tudo para a prateleira. Agora, só se fala nele. Inclusive e principalmente no Palácio do Planalto. Por lá, por sinal, a irritação é grande. Vavá foi tema da reunião de coordenação, aquela reunião criada para Lula discutir com seus ministros mais próximos os assuntos mais relevantes de seu governo.
Taí, Vavá virou um dos temas relevantes do governo Lula. Para quem há pouco mais de um mês ficava se gabando de que tudo seria diferente no segundo mandato, sem escândalos a incomodar o presidente no Palácio do Planalto, o caso de Genival Inácio da Silva não deixa de ser um péssimo sinal.
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Lá vem ele
Acabou a última esperança dos técnicos de dois órgãos em Brasília. A turma do Ipea (Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas) e do NAE (Núcleo de Ação Estratégica) chegou a acreditar que Mangabeira Unger não tomaria posse, só que ficou confirmado que na próxima sexta-feira ele vira ministro do governo Lula. Muita gente que endossou sua indicação torcia para que ele desistisse. Agora é tarde.
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Valdo Cruz, 46, é repórter especial da Folha. Foi diretor-executivo da Sucursal de Brasília durante os dois mandatos de FHC e no primeiro de Lula. Ocupou a secretaria de redação da sucursal e atuou como repórter de economia. Escreve às terças. E-mail: valdo@folhasp.com.br |
