Carlos Heitor Cony
06/06/2006
Foi o que se deu, semana passada, com a ida de alguns jogadores da seleção a uma boate. A Copa ainda não começou, faltavam 15 dias para o primeiro jogo, e rapazes normais, como são os nossos craques, têm o direito de se divertirem. Além do mais, ir a uma boate não é sinal de depravação, de mau costume, de alcoolismo ou coisa que o valha.
Evidente que, na véspera de um jogo, uma noitada pode desgastar forças, causar perda de concentração etc. Não foi o caso. Na Suécia, em 1958, os jogadores fugiam do dormitório para se divertir à noite, um deles (Garrincha) chegou a ter um filho por lá. E foi na Suécia, em 1958, que ganhamos a nossa primeira Copa do Mundo, que na época ainda era Copa Jules Rimet.
A mídia moralista sabe que enorme parcela da nossa sociedade é puritana e oferece casos assim, para espanto, para horror dos donzelões e donzelas que ainda acreditam que nas boates acontecem coisas infames, bêbados e prostitutas na promiscuidade presidida pelo Demônio da Luxúria, pelo Satanás do Pecado.
A mídia puritana
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A mídia, em geral, está ficando cada vez mais puritana, num falso moralismo que acusa os outros mas fazendo o mesmo, não perdendo a mínima oportunidade de deitar e rolar sempre que um escândalo dos grandes aumente a venda avulsa dos jornais e revistas e a audiência dos rádios e das TVs.Foi o que se deu, semana passada, com a ida de alguns jogadores da seleção a uma boate. A Copa ainda não começou, faltavam 15 dias para o primeiro jogo, e rapazes normais, como são os nossos craques, têm o direito de se divertirem. Além do mais, ir a uma boate não é sinal de depravação, de mau costume, de alcoolismo ou coisa que o valha.
Evidente que, na véspera de um jogo, uma noitada pode desgastar forças, causar perda de concentração etc. Não foi o caso. Na Suécia, em 1958, os jogadores fugiam do dormitório para se divertir à noite, um deles (Garrincha) chegou a ter um filho por lá. E foi na Suécia, em 1958, que ganhamos a nossa primeira Copa do Mundo, que na época ainda era Copa Jules Rimet.
A mídia moralista sabe que enorme parcela da nossa sociedade é puritana e oferece casos assim, para espanto, para horror dos donzelões e donzelas que ainda acreditam que nas boates acontecem coisas infames, bêbados e prostitutas na promiscuidade presidida pelo Demônio da Luxúria, pelo Satanás do Pecado.
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Carlos Heitor Cony, 80, é membro do Conselho Editorial da Folha. Romancista e cronista, Cony foi eleito para a Academia Brasileira de Letras em 2000. Escreve para a Folha Online às terças. E-mail: cony@uol.com.br |
