Pensata

Gilberto Dimenstein

03/05/2004

Haja paciência

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Um monumental lobby se montou no Congresso --e, pelo jeito, vai bem-- para evitar que, por decisão da Justiça, se diminua o número de vagas para as Câmaras Municipais já nesta eleição. Segundo cálculos preliminares, o país ganharia, por ano, R$ 500 milhões.

É sempre fácil encontrar aliados para manter ou aumentar gastos. Muito difícil encontrar aliados para proteger o bolso dos contribuinte. Até onde vai a paciência do brasileiro? Exemplos como esse do lobby a favor dos candidatos a vereadores não faltam, drenando fortunas extraídas de impostos.

A paciência vai acabar quando as pessoas perceberem que entregam aos governos, por ano, quase quatro meses de salário. E não é só. O imposto alto dificulta a geração de emprego por inibir a atividade produtiva. Governo que cobra muito imposto e oferece serviços ruins não é solução, mas problema.

Casos esses como dos vereadores apenas vão testando os limites da paciência --e, podem apostar, mais cedo ou mais vão saber qual o limite.

Se os governos quiserem ajudar a gerar mais emprego, vão ter de ajudar um clima para que as pessoas se sintam dispostas a investir. Isso significa gastar menos e melhor para reduzir o peso do Estado nas contas de quem quer produzir.

Gilberto Dimenstein, 48, é membro do Conselho Editorial da Folha e criador da ONG Cidade Escola Aprendiz. Coordena o site de jornalismo comunitário da Folha. Escreve para a Folha Online às terças-feiras.

E-mail: palavradoleitor@uol.com.br

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