Pensata

Gilberto Dimenstein

10/05/2005

De quem é a culpa do ceticismo dos jovens?

Para a imensa maioria dos jovens das grandes cidades brasileiras o governo Lula é, na melhor das hipóteses, uma frustração. Na pior, uma decepção. Maioria significa aqui estratosféricos 74% dos entrevistados. Como o PT vai lidar com esse segmento populacional nas próximas eleições é, por enquanto, uma incógnita.

A visão dos jovens sobre o atual governo está expressa numa pesquisa realizada pela MTV em parceria com o DataFolha, focada em jovens de 15 a 30 anos, nas classes A, B e C, de algumas das maiores cidades do país. Resultado: 48% acham que a chegada do PT não mudou nada; 26% dizem que mudou para pior.

O PT e Lula são apenas um detalhe, afinal são passageiros no poder. A pergunta mais grave é outra: como construir uma democracia quando a elite não acredita nos partidos e nos políticos e acha que a rotatividade do poder não melhora os costumes?

Triste que, depois de tanta gente ter lutado por tanto tempo pelo princípio da rotatividade do poder, os mais jovens já não valorizem esse princípio basilar da democracia. De quem é a culpa?

De muitos, em minha opinião: das escolas e das famílias que não ensinam sobre a importância da democracia em casa e nas salas de aulas; dos governantes e políticos que insistem nas piores práticas, das quais Severino Cavalcanti é um símbolo acabado. E até da mídia que, muitas vezes, tem dificuldade de apontar os avanços que se conseguiram no país.

Comentários desta coluna estão no www.dimenstein.com.br.
Gilberto Dimenstein, 48, é membro do Conselho Editorial da Folha e criador da ONG Cidade Escola Aprendiz. Coordena o site de jornalismo comunitário da Folha. Escreve para a Folha Online às terças-feiras.

E-mail: palavradoleitor@uol.com.br

Leia as colunas anteriores

FolhaShop

Digite produto
ou marca