Pensata

Gilberto Dimenstein

01/11/2005

Lula, PT e o dinheiro de Cuba

A reportagem de Veja fornece detalhes sobre como Cuba teria enviado dinheiro para o PT, destinado supostamente à campanha de Lula. Não existem, porém, provas --mas a quantidade de pistas sugere como inevitável uma investigação, partindo-se das testemunhas. O que não necessita de investigação é a relação Lula, PT e Fidel, que é grave. Basta ler os arquivos de jornais.

Grave, no caso, é o fato de o PT, nascido na resistência ao regime militar, proteger tão descaradamente o regime cubano, que prende e persegue opositores políticos, não permite a imprensa livre, a organização partidária, e por aí vai. Isso demonstra pelo menos uma divisão no PT sobre as regras da democracia.

Essa reverência a Cuba sedimenta a suspeita de que, por trás de uma série de tentativas --todas bombardeadas no nascedouro-- de limitar autonomia da imprensa, da atividade cultural, das universidades e do Ministério Público se inspirem num Estado capaz de controlar a sociedade.

Não creio, de forma alguma, que o PT sonhe com uma ditadura até porque seria impossível. Mas revela uma bagunça mental e, gostem ou não, municiam a suspeita de que, além da identificação ideológica, tenha algo a mais na relação com Cuba.

Comentários desta coluna estão no www.dimenstein.com.br.
Gilberto Dimenstein, 48, é membro do Conselho Editorial da Folha e criador da ONG Cidade Escola Aprendiz. Coordena o site de jornalismo comunitário da Folha. Escreve para a Folha Online às terças-feiras.

E-mail: palavradoleitor@uol.com.br

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