Pensata

Gilberto Dimenstein

29/08/2006

Ignorância é doença

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Recentemente num seminário realizado por economistas, foi mostrada a estatística, polêmica, de que apenas 20% do desempenho escolar do aluno depende da escola; o restante vem de sua base familiar e de sua vivência social. Não sei dizer se a divisão é essa mesmo, mas a visão, no geral, está correta. Prova disso é um fato desconhecido dos governantes brasileiros -- e mostra a relação entre ignorância e doença.

Um levantamento oficial, feito no final do ano passado, mostrou que uma imensa parcela dos estudantes da rede municipal de São Paulo sofre de doenças básicas, com problemas de visão, audição, verminoses, anemias, infecções bucais e cáries. Se tivessem feito uma avaliação de distúrbios mentais -- ansiedade, depressão, distúrbio de atenção -- e do consumo de drogas e álcool, concluiríamos que, por mais que se melhore a escola, batalhões de alunos dificilmente vão melhorar.

Nas famílias mais ricas, não se admite, por exemplo, uma criança com deficiência visual, sem um par de óculos. Ou com qualquer sinal de anemia, já que o cansaço dela é tão visível, tão visível, que alguém já teria tomado providência.

Por isso, se quiserem levar a sério a educação (e também o combate à violência, prevenindo a produção de marginais) os governantes terão de fazer com que as áreas de saúde, educação e assistência social trabalhem juntas nas escolas. Isso só não acontece hoje porque nossos governantes também sofrem da doença da ignorância.
Gilberto Dimenstein, 48, é membro do Conselho Editorial da Folha e criador da ONG Cidade Escola Aprendiz. Coordena o site de jornalismo comunitário da Folha. Escreve para a Folha Online às terças-feiras.

E-mail: palavradoleitor@uol.com.br

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