Gilberto Dimenstein
Alckmin, Marta e o trampolim
Não há dúvida de que tanto Geraldo Alckmin como Marta Suplicy, os dois melhores colocados na pesquisa Datafolha sobre as eleições à Prefeitura de São Paulo, estão mais do que preparados para gerir a cidade. Ambos não apenas têm boa experiência administrativa como conhecem muito bem São Paulo, onde podem exibir um histórico de obras importantes. Daí que a força eleitoral não vem só do chamado recall, a lembrança dos eleitores.
O problema é que eles não têm, neste momento, como projeto de vida a prefeitura. O projeto maior deles é a Presidência; Marta olha também com atenção o governo estadual. O fato é que, para eles, a prefeitura seria um trampolim, uma fase para aglutinar forças.
A questão que se levanta não é sobre a competência nem sobre as enormes chances eleitorais de Alckmin e Marta. Mas sobre até que ponto a cidade ainda estaria disposta a votar num prefeito-tampão com mandato de dois anos. Em 2010, eles certamente serão candidatos naturais ao governo estadual --assim como seria um Gilberto Kassab reeleito.
Para quem acompanha os bastidores de São Paulo e vê a crescente articulação comunitária, sabe que fazer da cidade, de novo, um trampolim é até possível, mas vai dar um enorme desgaste. Seria demais repetir, em tão pouco tempo, o exemplo de Serra, cujo maior projeto sempre foi e continua sendo o Palácio do Planalto.
Vai-se exigir na campanha, e com muita ênfase, que a primeira condição para ser prefeito de São Paulo, seja ele quem for, é querer ser prefeito de São Paulo.
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Gilberto Dimenstein, 48, é membro do Conselho Editorial da Folha e criador da ONG Cidade Escola Aprendiz. Coordena o site de jornalismo comunitário da Folha. Escreve para a Folha Online às terças-feiras. E-mail: palavradoleitor@uol.com.br |
