Gilberto Dimenstein
25/01/2007
Milhões de pessoas, quase todas migrantes ou imigrantes, além de seus filhos e netos, prosperaram porque tiveram a possibilidade de viver numa cidade que lhes ofereceu oportunidade. Descendente de judeus, filho de pai pernambucano e mãe paraense, sou um desses.
Se ficassem, naqueles tempos, em seu países ou Estados, muitos deles talvez nem tivessem sobrevivido ou estariam condenados à miséria.
Vivi em Nova York e vi como seus habitantes desenvolveram uma relação emocional com a cidade, onde foram acolhidos, protegidos dos horrores das guerras, da perseguição e da fome na Europa. Tal apego fez com que Nova York, depois de passar por um enorme crise, recobrasse as forças e se recuperasse.
Aqui em São Paulo não vimos isso. Aliás, o que vimos foi um desinteresse, uma apatia diante da destruição, uma falta de apego pela cidade, como se estivéssemos apenas de passagem.
Há várias explicações razoáveis sobre por que chegamos a esse grau de deterioração. Uma delas é a falta de gratidão coletiva com São Paulo, que é não protegida dos incompetentes, dos corruptos, dos aventureiros e dos especuladores imobiliários que a governaram. Nem sequer sabemos em quem votamos para vereador; e, se sabemos, não acompanhamos sua atuação; e se acompanhamos, nada fazemos nada para enquadrá-lo.
A boa notícia, neste aniversário, é o crescente número de lideranças que, inconformadas com a nossa degradação, vão exigindo uma cidade melhor. Tornou-se, agora, não uma questão de gratidão, mas de sobrevivência.
Ingratos com São Paulo
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Estou convencido de que um dos problemas da cidade de São Paulo, que completa 453 anos nesta semana, é a falta de gratidão.Milhões de pessoas, quase todas migrantes ou imigrantes, além de seus filhos e netos, prosperaram porque tiveram a possibilidade de viver numa cidade que lhes ofereceu oportunidade. Descendente de judeus, filho de pai pernambucano e mãe paraense, sou um desses.
Se ficassem, naqueles tempos, em seu países ou Estados, muitos deles talvez nem tivessem sobrevivido ou estariam condenados à miséria.
Vivi em Nova York e vi como seus habitantes desenvolveram uma relação emocional com a cidade, onde foram acolhidos, protegidos dos horrores das guerras, da perseguição e da fome na Europa. Tal apego fez com que Nova York, depois de passar por um enorme crise, recobrasse as forças e se recuperasse.
Aqui em São Paulo não vimos isso. Aliás, o que vimos foi um desinteresse, uma apatia diante da destruição, uma falta de apego pela cidade, como se estivéssemos apenas de passagem.
Há várias explicações razoáveis sobre por que chegamos a esse grau de deterioração. Uma delas é a falta de gratidão coletiva com São Paulo, que é não protegida dos incompetentes, dos corruptos, dos aventureiros e dos especuladores imobiliários que a governaram. Nem sequer sabemos em quem votamos para vereador; e, se sabemos, não acompanhamos sua atuação; e se acompanhamos, nada fazemos nada para enquadrá-lo.
A boa notícia, neste aniversário, é o crescente número de lideranças que, inconformadas com a nossa degradação, vão exigindo uma cidade melhor. Tornou-se, agora, não uma questão de gratidão, mas de sobrevivência.
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Gilberto Dimenstein, 48, é membro do Conselho Editorial da Folha e criador da ONG Cidade Escola Aprendiz. Coordena o site de jornalismo comunitário da Folha. Escreve para a Folha Online às terças-feiras. E-mail: palavradoleitor@uol.com.br |
