Pensata

Gilberto Dimenstein

10/02/2007

Lula e o motel educacional

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O Brasil recebeu nos últimos dias uma saraivada de números mostrando uma grave deterioração no desempenho dos estudantes, além de se detectar um gravíssimo aumento da evasão. Tais dados, num país minimamente civilizado, provocariam um escândalo. O que se vê nos bastidores de Brasília, porém, é um jogo que parece alheio a isso tudo, afinal discute-se mais uma troca de ministro da Educação.

Se a mudança se efetivar, teríamos uma média de um ministro da Educação por ano, um ritmo de motel. Ainda por cima, os rumores indicam que poderia sair um técnico (Fernando Haddad), dando a lugar um político (Marta Suplicy), cujo projeto é a presidência ou, quem sabe, a curto prazo, a prefeitura de São Paulo.

Ocorre que colocar um candidato à Presidência da República num ministério, independentemente do valor desse indivíduo, trará para a questão da educação um conflito eleitoral. Sabemos que, se quisermos melhorar os números educacionais, precisamos de uma união entre governo federal, estadual e municipal --fazer do ministério uma plataforma de candidatura presidencial não é exatamente o melhor caminho.
Gilberto Dimenstein, 48, é membro do Conselho Editorial da Folha e criador da ONG Cidade Escola Aprendiz. Coordena o site de jornalismo comunitário da Folha. Escreve para a Folha Online às terças-feiras.

E-mail: palavradoleitor@uol.com.br

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