Pensata

Kennedy Alencar

10/05/2002

O trololó de Serra e Jereissati

Maluquice, trololó, tititi, ficção, hilariante são expressões usadas pelo pré-candidato do PSDB ao Planalto, José Serra, para desqualificar notícias que lhe são desfavoráveis. No caso de uma contribuição de campanha de 1994, ele não deu provas de que a declarou na íntegra à Justiça Eleitoral.

Vamos aos fatos.

Primeiro, o empresário Carlos Jereissati disse à revista "Veja" que deu R$ 2 milhões para a campanha de Serra ao Senado em 1994 por intermédio de Ricardo Sérgio de Oliveira, aquele ex-diretor do Banco do Brasil que teria cobrado propina de 15 milhões de dólares ou de reais para ajudar o empresário Benjamin Steinbruch a arrematar a Cia. Vale do Rio Doce, empresa privatizada em 1997.

Depois, Jereissati disse que a revista não lhe entendera bem e que a contribuição era apenas de R$ 700 mil, na forma de cessão de um avião para o tucano fazer campanha. Dessa quantia, apenas R$ 95 mil foram registrados na prestação de contas oficial entregue à Justiça Eleitoral.

A respeito dos demais R$ 605 mil não foram apresentadas provas de registro. Serra diz que esses R$ 605 mil dariam para voar 300 mil quilômetros no avião King Air supostamente alugado por Jereissati. Mais: afirma que não usou tanto assim o avião e que na prestação de contas estão R$ 45 mil referente à aeronave. Logo, não há explicação para R$ 560 mil que Jereissati diz ter doado.

Serra apenas levantou a hipótese de que outros candidatos tenham usado o avião, mas o PSDB não se prontificou a apontar quais candidatos. Os tucanos dão a impressão de querer encerrar essa história sem maiores explicações.

No entanto, é lícito supor que Jereissati ou Serra estão mentindo. Como lembrou Fernando Rodrigues, em sua coluna na Folha, convém imaginar o que aconteceria se Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ou Paulo Maluf (PPB) estivessem na mesma situação. No mínimo, a imprensa cobraria uma boa resposta para esses R$ 560 mil.
Kennedy Alencar, 39, é colunista da Folha Online e repórter especial da Folha em Brasília. Escreve para Pensata às sextas e para a coluna Brasília Online, sobre os bastidores da política federal, aos domingos.

E-mail: kennedy.alencar@grupofolha.com.br

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