Lúcio Ribeiro
03/12/2003
Are you having a good time?
Let me hear some noooooooooooise."
Audio Bullys, em live set na Argentina
"And I'm too sexy for your party
Too sexy for your party
No way I'm disco dancing"
Right Said Fred, em "I'm Too Sexy"
"I am on your side
And so alive
So alive it isn't real"
Ryan Adams, em "So Alive"
"If your havin girl problems
I feel bad for you, son
I got 99 problems, but a bitch ain't one
Hit me"
Jay Z, em "99 Problems"
************
Então?
Onde é que esse mundo vai parar, não é mesmo?
A garota Wendy vai se sentir muito atraída pelo "sexy and cool" pirata Capitão Gancho. E não pelo boboca do Peter, tadinho. E o que é interessante saber é que o pirata do mal é a cara do pai dela (o mesmo ator). Wendy, o que é isso?
* "Peter Pan" e toda sua psico-simbologia é o filme de Natal dos EUA e da Inglaterra. No Brasil, parece que chega em janeiro. Se o filme-ficção de Sandy & Junior vai dominar os cinemas nos próximos dias e já empurrou o "Kill Bill", do Tarantino, para fevereiro, vai saber o que pode acontecer com o nosso amigo Peter.
* A pronúncia correta de Peter é Piter, básico. Mas como aprendi a falar Péter Pan desde pequeno, ainda hoje fico com uma coceira na língua na hora de dizer o nome do menino.
O mesmo acontece com Robin Hood, cujo certo é falar "Robin Rrrrrrud". Foram anos e anos pronunciando "Rrrrrrrrrobin Udi".
* A música principal do filme é a deslumbrante "Clocks", do Coldplay. O pianinho da canção da banda do ano (revista "Spin"), embalando a viagem da molecada para a Never Never Land, mata.
* O filme, vale ainda ressaltar, é sobre a Wendy. O Peter está com 99 problemas. E no ano que vem estréia "Neverland", sobre o escritor da fábula do Peter Pan, com os estrelados Johnny Depp, Kate Winslet e Dustin Hoffman. Sabe esses caras que se recusam a deixar a adolescência. Está chegando a vez deles. Ou não. Porque o Péter Pan nem é o personagem principal do filme que leva seu nome.
*******************
SÃO PAULO BURNING
2004 é "O" ano para se estar em São Paulo. A cidade vai ser sacudida de janeiro a dezembro pelas comemorações de seus 450 anos e muita coisa pop vai sobrar para mim e para você. A coisa não vai parar no Iron Maiden, não. Já em janeiro, no final do mês, um festival deve ser encabeçado pelo Jane's Addiction, que já foi bem bom.
A gravadora Universal soltou comunicado dizendo que o rapper Nelly, da bombástica "Hot in Herre", não vem dar show aqui. O que dá para dizer é que erraram o nome do mega-rapper. Não dá para dizer agora quem é. Só que quem especulou o nome do Nelly pelas praias cariocas está 50 (per)cent certo.
Eventos dos mais variados tamanhos e propósitos vão espalhar som pela cidade. E a coisa vai além do Skol Beats, do Tim Festival SP, do Sonar brasileiro. Em setembro, um megafestival de três dias em um estádio simpático de SP vai ter uma grande atração internacional fechando a noite, é a idéia. E parece que uma veterana e adorada banda inglesa volta ao país para ficar do lado do João Gordo na briga com o Dado Dolabella.
**************************
INGLESES VÊEM FUNK CARIOCA VIOLENTO EM PROPAGANDA DE TV E CINEMA
Breaking news.
Uma passeada por rádios pop inglesas pela internet pode render surpresas. Você corre o risco de ouvir uma sensacional música nova inglesa, aquele som antigo americano que não se escutava faz tempo ou um excelente remix de um funkão carioca que nas letras faz juras de morte aos "caguetes", disputa quem tem a arma mais poderosa e diz que vai cortar o dedo do playboy que não paga (uma droga comprada).
Rolou nesta semana em um programa de música independente da Radio One inglesa. Curioso, fui olhar no tracklist. Estava lá: "Quem Que Cagueto", do artista Tejo Black Alien.
Busca rápida de informações sobre a música levam a saber que a canção está tocando em programas jovens das rádios inglesas porque faz sucesso que está sendo veiculado desde agosto nas TVs e cinemas britânicos, até onde dá para chegar. "Quem Que Caguetou?", o nome "correto", embala a propaganda de um luxuoso carro da marca Nissan, o X-Trail 4x4. Um funk brazuca a serviço de um carro que aqui custaria mais de R$ 100 mil. Caguetar, para quem não sabe, leva trema e é gíria derivada de "alcaguetar", que significa delatar, entregar alguém.
Que a agência inglesa autora da peça publicitária estava desavisada do teor da letra dá até para imaginar. Ou não, porque em uma das versões do polêmico "TV ad" algumas partes pesadas da letra são cortadas ou aliviadas nos truques de mixagens. A propaganda mostra uma maratona sendo disputada em uma cidade que até parece São Paulo. Mas, coisa que eu não "peguei" muito bem, chega o X-Trail 4x4 da Nissan, ultrapassa os corredores e ganha a prova.
É bem provável que os autores brasileiros do funk nem saibam de seu som está sendo usado como fundo sonoro para o carro estrangeiro milionário.
A autoria de "Quem Que Caguetou?" é da dupla Black Alien e Speed, de Niterói, que fizeram a música com o rapper Tejo. A canção está na trilha sonora do filme "O Invasor", de Beto Brant.
Black Alien é MC e foi vocalista do grupo Planet Hemp. É nome forte no rap do circuito Rio-SP e coleciona colaborações e parcerias que vão de Sabotage a Herbert Vianna. De D2 a Derick Green (Sepultura).
O rapper Tejo faz parte da elogiada formação paulistana hip hop Instituto, que acompanhava o Sabotage, rapper assassinado no ano passado..
Alguns trechos de "Quem Que Caguetou?":
*
Quando você atira/eu já não a mira
Eu sou a sua sombra/eu sou a sua sombra
*
Nossa festa de arromba
Você vem de AR9
De G3 a gente zomba
*
Pode dá
Tô de colete
Eu vou quebrar, eu vou matar o caguete
*
Quem que caguetou
Eu não sei
Pegou, levou, não pagou
Corta o dedo do playboy
A mixagem que veicula na Radio 1 inglesa, totalmente sem cortes na letra, é deliciosa. Funk carioca na veia, que ganha base ora house, ora drum'n'bass na roupagem britânica. Batida matadora, que dá para ouvir por aí na internet.
***************************
1, 2, 3. E JÁ
"99 Problems" - Jay Z
Rap'n'roll lascado, em citação de Beastie Boys. Guitarras para os manos. Jay Z é f***. E tem 99 problemas, enquanto a bitch não tem nenhum.
"So Alive" - Ryan Adams
Olha ele aí. O solitário indie das guitarras de volta. Lançou recentemente nos EUA um álbum bacanudo, "Rock N Roll". E essa "So Alive" é uma coisa. Tem horas que você ouve a música e parece estar escutando. Smiths. É sério!
"Take Me Out", Franz Ferdinand
Essa mesma música dessa mesma "áspera" banda escocesa foi recomendada aqui na semana passada. Ouvindo ela novamente nesta semana, deu vontade de botá-la aqui de novo.
"So if you're lonely, you know I'm here waiting for youuuuuuu." É a melhor desacelerada de guitarras desde o Rage against the Machine.
**************************
O PUNK NÃO MORREU
Oi!
Exploited em São Paulo, mas nem é isso. Blink 182 com novo CD e música legal (na medida que música do Blink 182 é legal), mas nem é isso. Green Day voltando com nome falso, Offspring trazendo essa ótima "Hit That". Mas nada a ver.
O negócio é que o Distillers grita "Destroooooy" com voz feminina (e engata turnê com a Peaches).
O Libertines (talvez a banda inglesa mais bacana hoje, tirando o Radiohead) é o Clash.
E o Razorlight, ladies and gentleman, é o Buzzcocks.
Banda boa essa Razorlight. Falei um pouquinho na semana passada. Sobre, na deliciosa "Stumble and Fall", o vocalista imprimir um estilo Jarvis Cocker à música.
Mas dali para cá todas as canções do Razorlight que eu ouvi me agradaram bastante.
Além das já citadas "Stumble and Fall" e "Rock'n'Roll Lies", fica o convite para você ir atrás de "Rip It Up" e "In The City".
Pelo que parece, ainda vamos ouvir falar bastante do líder deste grupo novo de Londres: Johnny Borrell, 22 anos. O cara, pelo que dizem, não é fácil. E é candidato a novo galã do pop inglês.
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OS MELHORES DE 2003
Chegou a hora. Dezembrão já entrou e não tem escapatória. É tempo de votar nos melhores do ano. Para começar na categoria discos.
Mandando seu voto para seus DOIS principais discos lançados em 2003, você vai concorrer a:
* um disco do duo inglês Audio Bullys, o excelente "Ego War" e candidato a figurar em votos espertos.
* um exemplar oficial do "Let It Be... Naked", álbum remasterizado e desmasterizado dos Beatles, não sei se você já ouviu falar nessa banda.
* o "En Una Onda Neo-Punque", disco de estréia do espetacular Los Pirata.
* uma raríssima cópia de cinco faixas dos Strokes, que saiu encartado na revista de música do jornal britânico "Observer", no final de novembro. A lista da música inclui 1) "When It Started" (do single "Last Nite"); 2) "New York City Cops" (Live in Iceland 2002); 3) "Last Nite" (original demo); 4) "Meet Me in the Bathroom" (gravação caseira); e "12:51". O disco foi enviado à coluna pela esperta Graziela Pancheri, lá de Londres.
Mande seu voto para lucio@uol.com.br e concorra.
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PARTE 2
Na virada, a coluna volta quente. Kings of Leon e Chemical Brothers tipo confirmados para tocar no Brasil. A ótima história do funk carioca "Quem Que Caguetou" é muito maior do que está lá em cima. Entrevista com o sensacional Audio Bullys e o mais recente show do Radiohead resenhado aqui. Vamos nessa.
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OS MELHORES DE 2003 (DELES)
Começou a pipocar lista de melhores do ano por todo lado, dentre as publicações que merecem a conferida. Daqui até o final do mês a Popload vai trazer os bambas de 2004 de acordo com a imprensa daqui e a estrangeira.
* A revista (de música) eletrônica "Mixmag" elegeu o seguinte Top 5 de álbum do ano.
1º - "Ego War", Audio Bullys
2º - "Speakerboxxx/The Love Below" - Outkast
3º - "Kish Kesh", Basement Jaxx
4º - "Boy in tha Corner", Dizee Rascal
5º - "The Little Ginger Club Kid", Tim DeLuxe
* O jornal rocker britânico "The Guardian" elegeu o seguinte:
1º - "Room on Fire ", The Strokes
2º - "Get Rich or Die Trying" - 50 Cent
3º - "Want One", Rufus Wainwright
4º - "Elephant", White Stripes
5º - "Cuckooland", Robert Wyatt
OLHO NA BANCA
As listas de melhores do ano invariavelmente vêm em publicações especiais, dessas com CDs legais e retrospectivos. A grana é pesada, mas talvez bem aplicada. A britânica "Q" de dezembro traz um CD " The Best of 2003", com 18 faixas em disco que elenca Darkness, Kings of Leon, Ryan Adams, Muse, Outkast, Thrills, Rapture, entre outros.
A "Mixmag" arrebenta, mas é para quem gosta de uma pista. Vem com "50 Big Tunes 2003", meia centena de músicas amassadasna mixagem do Freelance Hellraiser, DJ fera da Inglaterra. Para citar algumas, tem Goldfrapp, a " Bucci Bag" do Andrea Doria, Jon Carter, Christina Aguilera (sim), a "Satisfaction" de Benny Benassi e DUAS " House of Jealous Lovers", do Rapture, a música onipresente do ano.
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KINGS OF LEON NO BRASIL
É grande a possibilidade da ótima banda teen ex-cristã Kings of Leon tocar aqui no Brasil em março. Deu no "Jornal da Tarde". O baixista do grupo, o caçula Jared Followill, disse em entrevista ao chapa Ramiro Zwetsch que a vinda estava encaminhada. A BMG disse que a banda talvez venha para um showcase para um público restrito. Ainda não se sabe se ingressos serão cobrados.
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CHEMICAL BROTHERS NO BRASIL
Mas em Brasília. Vem da capital a notícia de que no dia 8 de maio terá início o segundo Electronic Music Festival, um evento de eletrônica do nível do Skol Beats paulistano. Aliás, com uma proximidade de datas razoável, que pode até indicar um intercâmbio de atrações.
O EMF já estaria com toda a programação definida, com tendas para tech-house, drum´n´bass, trance, hip hop, chill-out e o megapalco World Music, que não se sabe por que espera a definição do boboca Jamiroquai, o Jota Quest inglês.
De todo modo, os aventados artista com participação garantida são os grandes Chemical Brothers (live P.A.), Grooverider, EZ Rollers, Black Alien, Roni Size, entre outros.
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RADIOHEAD
A amiga londrina Graziela Pancheri, além der bacana o suficiente para trazer o CD exclusivo dos Strokes, para a promoção, vai contar ainda como foi o show que a adoradaça banda Radiohead deu no gigante pavilhão de Earl´s Court, em Londres, no último dia 27.
A "NME" comemora a apresentação como a primeira vez em dois anos de shows no Reino Unido que a banda toca " Creep" .
A Graziela achou o seguinte:
* "E veja só quem abriu o show: Asian Dub Foundation (?!?!?!). Mas não consegui chegar a tempo de vê-los, pois foi só eu sentar na cadeira (sim, assisti ao show sentadinha) que o Radiohead entrou no palco. Sem cumprimentos formais, já começaram com "There There". E, aos primeiros versos da música, uma multidão ensandecida começou a cantar junto, aos berros, delirando. Mas não poderosa o suficiente para abafar a voz "crystal clear" de Thom Yorke.
Jonny não pára um segundo sequer, se chacolhando o tempo inteiro (acho
que plugaram o cara na tomada). Mas os outros são bem tímidos, bem na deles. Thom de vez em quando surtava e começava a ensaiar um ataque epiléptico, principlamente nas músicas mais descoordenadas, como a cyber-polka "Myxomatosis" e a experimental "Sit Down, Stand Up".
Durante a primeira meia hora do show, é dado mais enfoque a "Hail to the Thief". No entanto, a banda não deixa os clássicos de lado como "Creep" (de arrancar lágrimas de pedra), "Just" (poderosa) e "Paranoid Android" (sem comentários).
Só ficou faltando "Karma Police" e "Fake Plastic Trees", que foram tocadas em Manchester, prova de que o playlist variava de show para show durante a turnê.
Todas as músicas do Radiohead funcionam ao vivo. Desde as mais pop até as mais eletrônicas experimentais. Apenas "Idioteque" frustrou um pouco, pois em vez da batida forte e seca entrou uma levada mais grave e chocha,
quase uma batida techno. Mas não foi o suficiente para estragar a música.
Quase duas horas de show e não deu para cansar. E lá estava eu,
sentadinha, com um sorriso estalado no rosto até nas músicas mais tristes. Como eles conseguem?"
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"LET ME HEAR SOME NOOOOOISE"
Audio Bullys é f**a. Passou aqui como um cometa e tocou para ninguém longe demais da capital, bem uma semana antes que seu precioso disco, "Ego War", um dos álbuns mais felizes de 2003, fosse lançado.
A dupla londrina de DJs de periferia falou em Maresias com este colunista, que desceu a Serra para depois subir feliz que só.
O Audio Bullys está num movimento voluntário que mescla de reggae até punk, do qual faz parte os fabulosos The Streets e Basement Jaxx, que leva o periférico nas picapes na remoção da música eletrônica dos grandes clubes para o underground, revertendo o fenômeno.
O atestado do que representa hoje o duo para o pop está na votação da importante revista "Mixmag", que no balanço do ano apontou " Ego War" como o principal disco de 2003. E botou o Audio Bullys no segundo lugar do rol das melhores apresentações ao vivo no período.
O papo com a Popload rolou dentro do camarim da dupla, logo após a bombástica apresentação fantasma no clube Sirena. A entrevista foi publicada na Folha de S.Paulo na semana passada, mas aqui ganha versão extended.
* Primeiro veio o rock, depois o computador. Aí veio a música eletrônica. E agora tem o Audio Bullys. Simples assim (1).
A ordem dos fatores foi alterando o produto e hoje em dia é muito fácil fazer música pop. Que o diga (cante e toque) a dupla de DJs inglesa Simon Franks e Tom Dinsdale, nome quente da nova mania britânica de misturar tudo (2), aplicar o corte-e-cole sonoro e jogar na pista.
O resultado disso, o celebrado CD de estréia do grupo, "Ego War", chega agora às lojas brasileiras com cheiro de disco do ano. "Ego War" está inserido dentro do pacote de incentivo à nova música promovido pela gravadora EMI, que sugere um preço entre R$ 15 a R$ 25 cada álbum.
1) Simples assim: a lição punk do faça-você-mesmo, do jeito que for, aplicada ao som eletrônico, tudo mixado em computador dentro de casa, num quarto de periferia de Londres. Basicamente Clash mais Chemical Brothers. Atitude digital a um custo quase zero. Críticas sociais e urbanas menos agressivas, mais dançantes.
2) Misturar tudo: hip hop, punk, funk, breakbeats, garage inglês. Com house de fundo.
"Nossa fórmula é básica e vem das influências que a gente recebeu desde criança, ouvindo música no rádio, nos parques e nos pubs. Funciona assim: 50% de house, que é o que a gente mais gosta e que constitui o principal combustível de nosso som. E 50% de tudo o resto. Isso não é só nosso. É a típica música inglesa de hoje", disse à Folha o vocalista Simon Franks, que canta enquanto o parceiro Tom D. maneja as picapes.
A conversa se deu no camarim da dupla no clube Sirena, em Maresias, há duas semanas, depois de um primoroso set para um lugar semivazio e desinteressado, porque desinformado.
Em cima da hora, os produtores do Sirena tiveram a agilidade de interceptar o Audio Bullys para uma discotecagem no clube do litoral, um dia antes de o duo se apresentar em um megafestival eletrônico na Argentina.
"Não importa se estamos tocando para pouca gente no Brasil, em um festival grande em um parque da Argentina ou em um pub inglês. Para quem até muito pouco tempo atrás tocava um para o outro dentro de uma casa no subúrbio, está bom demais", sintetiza Franks.
"Ego War" foi lançado em junho na Inglaterra, mas antes mesmo de o discos estar nas lojas o Audio Bullys já era figura disputada seja em programas de eletrônica nas rádios inglesas ou na lista de atrações de megaeventos de música como o roqueiro festival de Reading.
"Na Inglaterra a música eletrônica, depois de uma onda de badalação e clubes imensos, está voltando ao underground. O que é bom, porque os DJs vão poder experimentar mais no som. Eu gosto de Dr. Dre e White Stripes. Ouço Strokes, 50 Cent, Marvin Gaye e Pistols. É natural que elementos da música dessas pessoas apareçam de alguma forma no Audio Bullys. Nossa música é o que nós somos", explicou Franks.
"Ego War", o disco, é pá, pum.
No mínimo um delicioso disco para diversão, que, seja lá qual for o estilo que você goste, terá uma faixa que vai agradar.
No máximo, um dos discos mais entusiasmantes do ano para quem milita na intersecção rock-eletrônica-rap. E um dos mais irritantes também. Tão bom e tão simples e aparentemente tão fácil de fazer que dá vontade de se trancar no quarto e só sair de lá com uma
produção de mesma linhagem.
"Por você, meu amor, eu vou tentar ser um homem melhor" é a letra naïve que sai solo no começo de "Veteran", música tal do disco, nem perto uma das mais famosas do CD. O MC Simon Franks canta meigo com um barulhinho ao fundo, até que Tom D bota o som. Batidas eletrônicas, vocais rapper, teclado pop. Simbiose feliz de garotos românticos do subúrbio.
"What the f**k. We Don't Care" havia cantado Franks quatro faixas atrás. Um dos singles do álbum, que faz uma citação natural ao punk. Vocal solo, tipo leitura de manifesto, até o DJ botar o som. House rasgada, riffs de guitarra roqueira, refrão disco. A música que o Basement Jaxx adoraria ter feito. Mistureba feliz de garotos levados do subúrbio.
Junto com o próprio Basement Jaxx (mais produção) e o rap híbrido do The Streets (letras mais profundas), o Audio Bullys é considerado a new wave da música britânica. Vem das ruas, sacode o gueto, baseia-se na simplicidade e agrada tanto no geral quanto no particular. A banda certa na hora certa.
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E AINDA.
Daqui a pouco Caetano Veloso enfrenta Right Said Fred. Os vencedores da promo da semana passada. E um negócio importante que agora esqueci o que é, mas até a hora de escrever eu vou lembrar. Deixa comigo.
SP 04, a doce Wendy e o que os ingleses ouvem sem saber
"How're you feeling out there, people?Are you having a good time?
Let me hear some noooooooooooise."
Audio Bullys, em live set na Argentina
"And I'm too sexy for your party
Too sexy for your party
No way I'm disco dancing"
Right Said Fred, em "I'm Too Sexy"
"I am on your side
And so alive
So alive it isn't real"
Ryan Adams, em "So Alive"
"If your havin girl problems
I feel bad for you, son
I got 99 problems, but a bitch ain't one
Hit me"
Jay Z, em "99 Problems"
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Então?
Onde é que esse mundo vai parar, não é mesmo?
A garota Wendy vai se sentir muito atraída pelo "sexy and cool" pirata Capitão Gancho. E não pelo boboca do Peter, tadinho. E o que é interessante saber é que o pirata do mal é a cara do pai dela (o mesmo ator). Wendy, o que é isso?
* "Peter Pan" e toda sua psico-simbologia é o filme de Natal dos EUA e da Inglaterra. No Brasil, parece que chega em janeiro. Se o filme-ficção de Sandy & Junior vai dominar os cinemas nos próximos dias e já empurrou o "Kill Bill", do Tarantino, para fevereiro, vai saber o que pode acontecer com o nosso amigo Peter.
* A pronúncia correta de Peter é Piter, básico. Mas como aprendi a falar Péter Pan desde pequeno, ainda hoje fico com uma coceira na língua na hora de dizer o nome do menino.
O mesmo acontece com Robin Hood, cujo certo é falar "Robin Rrrrrrud". Foram anos e anos pronunciando "Rrrrrrrrrobin Udi".
* A música principal do filme é a deslumbrante "Clocks", do Coldplay. O pianinho da canção da banda do ano (revista "Spin"), embalando a viagem da molecada para a Never Never Land, mata.
* O filme, vale ainda ressaltar, é sobre a Wendy. O Peter está com 99 problemas. E no ano que vem estréia "Neverland", sobre o escritor da fábula do Peter Pan, com os estrelados Johnny Depp, Kate Winslet e Dustin Hoffman. Sabe esses caras que se recusam a deixar a adolescência. Está chegando a vez deles. Ou não. Porque o Péter Pan nem é o personagem principal do filme que leva seu nome.
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SÃO PAULO BURNING
2004 é "O" ano para se estar em São Paulo. A cidade vai ser sacudida de janeiro a dezembro pelas comemorações de seus 450 anos e muita coisa pop vai sobrar para mim e para você. A coisa não vai parar no Iron Maiden, não. Já em janeiro, no final do mês, um festival deve ser encabeçado pelo Jane's Addiction, que já foi bem bom.
A gravadora Universal soltou comunicado dizendo que o rapper Nelly, da bombástica "Hot in Herre", não vem dar show aqui. O que dá para dizer é que erraram o nome do mega-rapper. Não dá para dizer agora quem é. Só que quem especulou o nome do Nelly pelas praias cariocas está 50 (per)cent certo.
Eventos dos mais variados tamanhos e propósitos vão espalhar som pela cidade. E a coisa vai além do Skol Beats, do Tim Festival SP, do Sonar brasileiro. Em setembro, um megafestival de três dias em um estádio simpático de SP vai ter uma grande atração internacional fechando a noite, é a idéia. E parece que uma veterana e adorada banda inglesa volta ao país para ficar do lado do João Gordo na briga com o Dado Dolabella.
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INGLESES VÊEM FUNK CARIOCA VIOLENTO EM PROPAGANDA DE TV E CINEMA
Breaking news.
Uma passeada por rádios pop inglesas pela internet pode render surpresas. Você corre o risco de ouvir uma sensacional música nova inglesa, aquele som antigo americano que não se escutava faz tempo ou um excelente remix de um funkão carioca que nas letras faz juras de morte aos "caguetes", disputa quem tem a arma mais poderosa e diz que vai cortar o dedo do playboy que não paga (uma droga comprada).
Rolou nesta semana em um programa de música independente da Radio One inglesa. Curioso, fui olhar no tracklist. Estava lá: "Quem Que Cagueto", do artista Tejo Black Alien.
Busca rápida de informações sobre a música levam a saber que a canção está tocando em programas jovens das rádios inglesas porque faz sucesso que está sendo veiculado desde agosto nas TVs e cinemas britânicos, até onde dá para chegar. "Quem Que Caguetou?", o nome "correto", embala a propaganda de um luxuoso carro da marca Nissan, o X-Trail 4x4. Um funk brazuca a serviço de um carro que aqui custaria mais de R$ 100 mil. Caguetar, para quem não sabe, leva trema e é gíria derivada de "alcaguetar", que significa delatar, entregar alguém.
Que a agência inglesa autora da peça publicitária estava desavisada do teor da letra dá até para imaginar. Ou não, porque em uma das versões do polêmico "TV ad" algumas partes pesadas da letra são cortadas ou aliviadas nos truques de mixagens. A propaganda mostra uma maratona sendo disputada em uma cidade que até parece São Paulo. Mas, coisa que eu não "peguei" muito bem, chega o X-Trail 4x4 da Nissan, ultrapassa os corredores e ganha a prova.
É bem provável que os autores brasileiros do funk nem saibam de seu som está sendo usado como fundo sonoro para o carro estrangeiro milionário.
A autoria de "Quem Que Caguetou?" é da dupla Black Alien e Speed, de Niterói, que fizeram a música com o rapper Tejo. A canção está na trilha sonora do filme "O Invasor", de Beto Brant.
Black Alien é MC e foi vocalista do grupo Planet Hemp. É nome forte no rap do circuito Rio-SP e coleciona colaborações e parcerias que vão de Sabotage a Herbert Vianna. De D2 a Derick Green (Sepultura).
O rapper Tejo faz parte da elogiada formação paulistana hip hop Instituto, que acompanhava o Sabotage, rapper assassinado no ano passado..
Alguns trechos de "Quem Que Caguetou?":
*
Quando você atira/eu já não a mira
Eu sou a sua sombra/eu sou a sua sombra
*
Nossa festa de arromba
Você vem de AR9
De G3 a gente zomba
*
Pode dá
Tô de colete
Eu vou quebrar, eu vou matar o caguete
*
Quem que caguetou
Eu não sei
Pegou, levou, não pagou
Corta o dedo do playboy
A mixagem que veicula na Radio 1 inglesa, totalmente sem cortes na letra, é deliciosa. Funk carioca na veia, que ganha base ora house, ora drum'n'bass na roupagem britânica. Batida matadora, que dá para ouvir por aí na internet.
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1, 2, 3. E JÁ
"99 Problems" - Jay Z
Rap'n'roll lascado, em citação de Beastie Boys. Guitarras para os manos. Jay Z é f***. E tem 99 problemas, enquanto a bitch não tem nenhum.
"So Alive" - Ryan Adams
Olha ele aí. O solitário indie das guitarras de volta. Lançou recentemente nos EUA um álbum bacanudo, "Rock N Roll". E essa "So Alive" é uma coisa. Tem horas que você ouve a música e parece estar escutando. Smiths. É sério!
"Take Me Out", Franz Ferdinand
Essa mesma música dessa mesma "áspera" banda escocesa foi recomendada aqui na semana passada. Ouvindo ela novamente nesta semana, deu vontade de botá-la aqui de novo.
"So if you're lonely, you know I'm here waiting for youuuuuuu." É a melhor desacelerada de guitarras desde o Rage against the Machine.
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O PUNK NÃO MORREU
Oi!
Exploited em São Paulo, mas nem é isso. Blink 182 com novo CD e música legal (na medida que música do Blink 182 é legal), mas nem é isso. Green Day voltando com nome falso, Offspring trazendo essa ótima "Hit That". Mas nada a ver.
O negócio é que o Distillers grita "Destroooooy" com voz feminina (e engata turnê com a Peaches).
O Libertines (talvez a banda inglesa mais bacana hoje, tirando o Radiohead) é o Clash.
E o Razorlight, ladies and gentleman, é o Buzzcocks.
Banda boa essa Razorlight. Falei um pouquinho na semana passada. Sobre, na deliciosa "Stumble and Fall", o vocalista imprimir um estilo Jarvis Cocker à música.
Mas dali para cá todas as canções do Razorlight que eu ouvi me agradaram bastante.
Além das já citadas "Stumble and Fall" e "Rock'n'Roll Lies", fica o convite para você ir atrás de "Rip It Up" e "In The City".
Pelo que parece, ainda vamos ouvir falar bastante do líder deste grupo novo de Londres: Johnny Borrell, 22 anos. O cara, pelo que dizem, não é fácil. E é candidato a novo galã do pop inglês.
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OS MELHORES DE 2003
Chegou a hora. Dezembrão já entrou e não tem escapatória. É tempo de votar nos melhores do ano. Para começar na categoria discos.
Mandando seu voto para seus DOIS principais discos lançados em 2003, você vai concorrer a:
* um disco do duo inglês Audio Bullys, o excelente "Ego War" e candidato a figurar em votos espertos.
* um exemplar oficial do "Let It Be... Naked", álbum remasterizado e desmasterizado dos Beatles, não sei se você já ouviu falar nessa banda.
* o "En Una Onda Neo-Punque", disco de estréia do espetacular Los Pirata.
* uma raríssima cópia de cinco faixas dos Strokes, que saiu encartado na revista de música do jornal britânico "Observer", no final de novembro. A lista da música inclui 1) "When It Started" (do single "Last Nite"); 2) "New York City Cops" (Live in Iceland 2002); 3) "Last Nite" (original demo); 4) "Meet Me in the Bathroom" (gravação caseira); e "12:51". O disco foi enviado à coluna pela esperta Graziela Pancheri, lá de Londres.
Mande seu voto para lucio@uol.com.br e concorra.
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PARTE 2
Na virada, a coluna volta quente. Kings of Leon e Chemical Brothers tipo confirmados para tocar no Brasil. A ótima história do funk carioca "Quem Que Caguetou" é muito maior do que está lá em cima. Entrevista com o sensacional Audio Bullys e o mais recente show do Radiohead resenhado aqui. Vamos nessa.
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OS MELHORES DE 2003 (DELES)
Começou a pipocar lista de melhores do ano por todo lado, dentre as publicações que merecem a conferida. Daqui até o final do mês a Popload vai trazer os bambas de 2004 de acordo com a imprensa daqui e a estrangeira.
* A revista (de música) eletrônica "Mixmag" elegeu o seguinte Top 5 de álbum do ano.
1º - "Ego War", Audio Bullys
2º - "Speakerboxxx/The Love Below" - Outkast
3º - "Kish Kesh", Basement Jaxx
4º - "Boy in tha Corner", Dizee Rascal
5º - "The Little Ginger Club Kid", Tim DeLuxe
* O jornal rocker britânico "The Guardian" elegeu o seguinte:
1º - "Room on Fire ", The Strokes
2º - "Get Rich or Die Trying" - 50 Cent
3º - "Want One", Rufus Wainwright
4º - "Elephant", White Stripes
5º - "Cuckooland", Robert Wyatt
OLHO NA BANCA
As listas de melhores do ano invariavelmente vêm em publicações especiais, dessas com CDs legais e retrospectivos. A grana é pesada, mas talvez bem aplicada. A britânica "Q" de dezembro traz um CD " The Best of 2003", com 18 faixas em disco que elenca Darkness, Kings of Leon, Ryan Adams, Muse, Outkast, Thrills, Rapture, entre outros.
A "Mixmag" arrebenta, mas é para quem gosta de uma pista. Vem com "50 Big Tunes 2003", meia centena de músicas amassadasna mixagem do Freelance Hellraiser, DJ fera da Inglaterra. Para citar algumas, tem Goldfrapp, a " Bucci Bag" do Andrea Doria, Jon Carter, Christina Aguilera (sim), a "Satisfaction" de Benny Benassi e DUAS " House of Jealous Lovers", do Rapture, a música onipresente do ano.
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KINGS OF LEON NO BRASIL
É grande a possibilidade da ótima banda teen ex-cristã Kings of Leon tocar aqui no Brasil em março. Deu no "Jornal da Tarde". O baixista do grupo, o caçula Jared Followill, disse em entrevista ao chapa Ramiro Zwetsch que a vinda estava encaminhada. A BMG disse que a banda talvez venha para um showcase para um público restrito. Ainda não se sabe se ingressos serão cobrados.
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CHEMICAL BROTHERS NO BRASIL
Mas em Brasília. Vem da capital a notícia de que no dia 8 de maio terá início o segundo Electronic Music Festival, um evento de eletrônica do nível do Skol Beats paulistano. Aliás, com uma proximidade de datas razoável, que pode até indicar um intercâmbio de atrações.
O EMF já estaria com toda a programação definida, com tendas para tech-house, drum´n´bass, trance, hip hop, chill-out e o megapalco World Music, que não se sabe por que espera a definição do boboca Jamiroquai, o Jota Quest inglês.
De todo modo, os aventados artista com participação garantida são os grandes Chemical Brothers (live P.A.), Grooverider, EZ Rollers, Black Alien, Roni Size, entre outros.
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RADIOHEAD
A amiga londrina Graziela Pancheri, além der bacana o suficiente para trazer o CD exclusivo dos Strokes, para a promoção, vai contar ainda como foi o show que a adoradaça banda Radiohead deu no gigante pavilhão de Earl´s Court, em Londres, no último dia 27.
A "NME" comemora a apresentação como a primeira vez em dois anos de shows no Reino Unido que a banda toca " Creep" .
A Graziela achou o seguinte:
* "E veja só quem abriu o show: Asian Dub Foundation (?!?!?!). Mas não consegui chegar a tempo de vê-los, pois foi só eu sentar na cadeira (sim, assisti ao show sentadinha) que o Radiohead entrou no palco. Sem cumprimentos formais, já começaram com "There There". E, aos primeiros versos da música, uma multidão ensandecida começou a cantar junto, aos berros, delirando. Mas não poderosa o suficiente para abafar a voz "crystal clear" de Thom Yorke.
Jonny não pára um segundo sequer, se chacolhando o tempo inteiro (acho
que plugaram o cara na tomada). Mas os outros são bem tímidos, bem na deles. Thom de vez em quando surtava e começava a ensaiar um ataque epiléptico, principlamente nas músicas mais descoordenadas, como a cyber-polka "Myxomatosis" e a experimental "Sit Down, Stand Up".
Durante a primeira meia hora do show, é dado mais enfoque a "Hail to the Thief". No entanto, a banda não deixa os clássicos de lado como "Creep" (de arrancar lágrimas de pedra), "Just" (poderosa) e "Paranoid Android" (sem comentários).
Só ficou faltando "Karma Police" e "Fake Plastic Trees", que foram tocadas em Manchester, prova de que o playlist variava de show para show durante a turnê.
Todas as músicas do Radiohead funcionam ao vivo. Desde as mais pop até as mais eletrônicas experimentais. Apenas "Idioteque" frustrou um pouco, pois em vez da batida forte e seca entrou uma levada mais grave e chocha,
quase uma batida techno. Mas não foi o suficiente para estragar a música.
Quase duas horas de show e não deu para cansar. E lá estava eu,
sentadinha, com um sorriso estalado no rosto até nas músicas mais tristes. Como eles conseguem?"
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"LET ME HEAR SOME NOOOOOISE"
Audio Bullys é f**a. Passou aqui como um cometa e tocou para ninguém longe demais da capital, bem uma semana antes que seu precioso disco, "Ego War", um dos álbuns mais felizes de 2003, fosse lançado.
A dupla londrina de DJs de periferia falou em Maresias com este colunista, que desceu a Serra para depois subir feliz que só.
O Audio Bullys está num movimento voluntário que mescla de reggae até punk, do qual faz parte os fabulosos The Streets e Basement Jaxx, que leva o periférico nas picapes na remoção da música eletrônica dos grandes clubes para o underground, revertendo o fenômeno.
O atestado do que representa hoje o duo para o pop está na votação da importante revista "Mixmag", que no balanço do ano apontou " Ego War" como o principal disco de 2003. E botou o Audio Bullys no segundo lugar do rol das melhores apresentações ao vivo no período.
O papo com a Popload rolou dentro do camarim da dupla, logo após a bombástica apresentação fantasma no clube Sirena. A entrevista foi publicada na Folha de S.Paulo na semana passada, mas aqui ganha versão extended.
* Primeiro veio o rock, depois o computador. Aí veio a música eletrônica. E agora tem o Audio Bullys. Simples assim (1).
A ordem dos fatores foi alterando o produto e hoje em dia é muito fácil fazer música pop. Que o diga (cante e toque) a dupla de DJs inglesa Simon Franks e Tom Dinsdale, nome quente da nova mania britânica de misturar tudo (2), aplicar o corte-e-cole sonoro e jogar na pista.
O resultado disso, o celebrado CD de estréia do grupo, "Ego War", chega agora às lojas brasileiras com cheiro de disco do ano. "Ego War" está inserido dentro do pacote de incentivo à nova música promovido pela gravadora EMI, que sugere um preço entre R$ 15 a R$ 25 cada álbum.
1) Simples assim: a lição punk do faça-você-mesmo, do jeito que for, aplicada ao som eletrônico, tudo mixado em computador dentro de casa, num quarto de periferia de Londres. Basicamente Clash mais Chemical Brothers. Atitude digital a um custo quase zero. Críticas sociais e urbanas menos agressivas, mais dançantes.
2) Misturar tudo: hip hop, punk, funk, breakbeats, garage inglês. Com house de fundo.
"Nossa fórmula é básica e vem das influências que a gente recebeu desde criança, ouvindo música no rádio, nos parques e nos pubs. Funciona assim: 50% de house, que é o que a gente mais gosta e que constitui o principal combustível de nosso som. E 50% de tudo o resto. Isso não é só nosso. É a típica música inglesa de hoje", disse à Folha o vocalista Simon Franks, que canta enquanto o parceiro Tom D. maneja as picapes.
A conversa se deu no camarim da dupla no clube Sirena, em Maresias, há duas semanas, depois de um primoroso set para um lugar semivazio e desinteressado, porque desinformado.
Em cima da hora, os produtores do Sirena tiveram a agilidade de interceptar o Audio Bullys para uma discotecagem no clube do litoral, um dia antes de o duo se apresentar em um megafestival eletrônico na Argentina.
"Não importa se estamos tocando para pouca gente no Brasil, em um festival grande em um parque da Argentina ou em um pub inglês. Para quem até muito pouco tempo atrás tocava um para o outro dentro de uma casa no subúrbio, está bom demais", sintetiza Franks.
"Ego War" foi lançado em junho na Inglaterra, mas antes mesmo de o discos estar nas lojas o Audio Bullys já era figura disputada seja em programas de eletrônica nas rádios inglesas ou na lista de atrações de megaeventos de música como o roqueiro festival de Reading.
"Na Inglaterra a música eletrônica, depois de uma onda de badalação e clubes imensos, está voltando ao underground. O que é bom, porque os DJs vão poder experimentar mais no som. Eu gosto de Dr. Dre e White Stripes. Ouço Strokes, 50 Cent, Marvin Gaye e Pistols. É natural que elementos da música dessas pessoas apareçam de alguma forma no Audio Bullys. Nossa música é o que nós somos", explicou Franks.
"Ego War", o disco, é pá, pum.
No mínimo um delicioso disco para diversão, que, seja lá qual for o estilo que você goste, terá uma faixa que vai agradar.
No máximo, um dos discos mais entusiasmantes do ano para quem milita na intersecção rock-eletrônica-rap. E um dos mais irritantes também. Tão bom e tão simples e aparentemente tão fácil de fazer que dá vontade de se trancar no quarto e só sair de lá com uma
produção de mesma linhagem.
"Por você, meu amor, eu vou tentar ser um homem melhor" é a letra naïve que sai solo no começo de "Veteran", música tal do disco, nem perto uma das mais famosas do CD. O MC Simon Franks canta meigo com um barulhinho ao fundo, até que Tom D bota o som. Batidas eletrônicas, vocais rapper, teclado pop. Simbiose feliz de garotos românticos do subúrbio.
"What the f**k. We Don't Care" havia cantado Franks quatro faixas atrás. Um dos singles do álbum, que faz uma citação natural ao punk. Vocal solo, tipo leitura de manifesto, até o DJ botar o som. House rasgada, riffs de guitarra roqueira, refrão disco. A música que o Basement Jaxx adoraria ter feito. Mistureba feliz de garotos levados do subúrbio.
Junto com o próprio Basement Jaxx (mais produção) e o rap híbrido do The Streets (letras mais profundas), o Audio Bullys é considerado a new wave da música britânica. Vem das ruas, sacode o gueto, baseia-se na simplicidade e agrada tanto no geral quanto no particular. A banda certa na hora certa.
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E AINDA.
Daqui a pouco Caetano Veloso enfrenta Right Said Fred. Os vencedores da promo da semana passada. E um negócio importante que agora esqueci o que é, mas até a hora de escrever eu vou lembrar. Deixa comigo.
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Lúcio Ribeiro, 41, é colunista da Folha especializado em música pop e cinema. Também é DJ, edita a revista "Capricho" e tem uma coluna na "Bizz". Escreve para a Folha Online às quartas. E-mail: lucio@uol.com.br |
