Lúcio Ribeiro
05/12/2001
What's up, dude?
Não vou enganar ninguém. Estou com uma preguiça do cão, hoje. Escrever não vai ser fácil. Não é preguiça indie, não, essa que faz muita gente perder um show dos texanos do Trail of Dead pelo Brasil, em rápida e histórica passagem pelo país.
Enfim, prepare-se para assuntos legais conduzidos em textos preguiçosos.
Esta coluna, claro, é inteiramente dedicada ao guitarrista George Harrison, ex-beatle e ex-vivo. Pensa nisso: tem um beatle a menos no mundo.
Escrevo (e escreverei) ela ao som de Beatles (lógico!), Rufus Wainwright (ideal para hoje) e Smashing Pumpkins ("Gish", o primeiro).
Do jeito que a coluna é sempre grande, daria para ouvir mais uns dez discos enquanto ela toma forma. Mas esses aí de cima estão OK.
Percebeu que acabei de escrever a parte final da coluna? É para dar a impressão, ou enganar a mim mesmo, de que ela está acabando.
Eu sei que você não tem nada com isso. Nem culpa do mau jeito nas costas que dei ontem no futebol. Nem que o Palmeiras está fora das semifinais. Nem que o "Dawson's Creek" da semana foi (está) bem chatinho. Nem que...
Está muito papinho? Quer saber logo que história é essa de Radiohead no Brasil?
*******************
RADIOHEAD NO BRASIL, EM FEVEREIRO
Um caprichadíssimo site universitário irlandês, dirigido por um rapaz de nome Jim O'Rourke e, pelo que parece, antenadíssimo nas coisas do grupo inglês Radiohead, bota o Brasil na rota de concertos da banda de Thom Yorke.
Está em caráter de notícia não-confirmada, mas faz todo o sentido.
O Radiohead acabou a parte inicial da turnê do "Amnesiac", que rodou a Europa e os Estados Unidos.
A banda dá uma parada agora e arma seletos shows no Reino Unido, no começo de janeiro.
Foi anunciado ainda que um álbum de "B-Sides" do Radiohead deve chegar às lojas a partir de março.
Entre os shows do Reino Unido e o disco de lados B, com material já gravado portanto, a banda só iria ficar pela Europa se quisesse curtir aquele frio maluco do inverno de lá.
O que dá plausibilidade à notícia é que o México está incluído na jogada.
A turnê México/Brasil, segundo o site irlandês, seria assim:
* dia 20/1, Cidade do México, sem local anunciado.
* dia 13/2, São Paulo, sem local.
* dia 20/2, Buenos Aires, sem local.
Não deve ser a mesma fonte, claro, mas na primeira vez que o U2 veio ao Brasil, em 1998, a notícia da vinda da banda primeiro surgiu "não-confirmada" em um site de fã da... Irlanda.
Se o grupo está marcando mesmo shows no país em fevereiro, isso mata o sonho do Free Jazz em trazer a banda em outubro. Ninguém ia ficar chateado.
Resta esperar.
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2002, O ANO EM QUE...
* O ano que vem, dá pinta, vai ser phoda. Charlatans pode vir, Strokes deve vir. O Free Jazz arma a visita da Bjork e do próprio Radiohead, se falharem os shows de fevereiro.
E uns festivais eletro/rock/rap poderosos estão em acelerada gestação, posso adiantar. Estou impedido de dar mais detalhes preciosos, sob risco de vida. Quero estar bem vivo em 2002.
* E o bar paulistano Gotham, que fica em Pinheiros, anuncia para o dia 22 de dezembro agora a presença no país do grande Wayne Hussey, ex-Mission e Sisters of Marcy. O cara vem para se apresentar como DJ, em noite disputadíssima, com um limite apenas para 250 pessoas. É para sacudir os morcegos do casacão preto e ir curtir o som do Hussey. Reservas em gotham.pub@ig.com.br.
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OUÇA ESSES LIVROS!
Já que você curte ler a talagada de textos costumeira desta coluna, saiba que está correndo nas livrarias pelo menos quatro livros pop bem legais (três brasileiros e um gringo), que merecem uma conferida.
Livros que, ao lê-los, transmitem juntos uma imaginária trilha sonora das boas. Confira:
* "Clube dos Corações Solitários", de André Takeda (editora Conrad)
Takeda faz parte da fornada gaúcha de escritores/bandas/jornalistas que se fizeram ler/ouvir em 2001. O livro é seu manifesto, correu a internet com sucesso e agora chega no formato livro decente, editado pela Conrad. O prefácio é meu, o que me deixa meio incomodado em escrever mais sobre a obra. Por mais que Takeda tente evitar, o livro tem parentesco próximo a "Alta Fidelidade", do velho amigo nosso Nick Hornby. O que não é demérito nenhum à fluência pop do autor gaúcho.
Takeda arquiteta o bom e-zine TXTMagazine (www.txtmagazine.com). E escreve em tempo real, desde 23 de novembro até o Natal, o livro "Quando Eu Tiver 64", a terceira parte da trilogia da qual "Clube dos Corações Solitários" faz parte. "Quando" está no http://quandoeutiver64.blogspot.com.
* "Gauleses Irredutíveis", de Allison Avila, Cristiano Bastos e Eduardo Muller (editora Sagra-Luzzatto)
Outro fruto do levante gaúcho, já circula em São Paulo e Rio o livro sonoro que conta "causos e atitudes do rock gaúcho", como entrega seu subtítulo. Desnecessário dizer, é um tributo das andanças roqueiras gaúchas desde os anos 60 até os dias de hoje. Não sei, mas talvez fale, sim, dos Engenheiros do Hawaii. Vem carregado de 80 fotos raras e depoimentos exclusivos. Foi o livro de autores estreantes mais vendido na última Feira do Livro em Porto Alegre.
* "Hip Hop, a Periferia Grita", de Janaína Rocha, Mirella Domenich e Patrícia Casseano (editora Fundação Perseu Abramo)
O livro, na verdade, foi trabalho de conclusão de curso de jornalismo de três garotas espertas, que de tão elogiado passa à literatura. "Hip Hop" capta a importância do maior fenômeno musical de São Paulo nos anos 90 e explica como esse movimento brotou assim, naturalmente, das ruas.
* "Nirvana Nunca Mais", de Mark Lindquist (editora Globo)
Este chegou faz tempo às minhas mãos, mas só agora consegui dar uma conferida séria, mas também não muito. Amigos que leram (mesmo) curtiram esse romance à lá "Alta Fidelidade" (de novo) locado na era grunge. Lindquist é de Seattle e é colaborador da parte literária do "New York Times". O livro é altamente recomentado pelo escritor Bret Easton Ellis. No mínimo, é bem louco, então.
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REVISTAS NOVAS - ATÉ QUE ENFIM
A crise está fuego, mas as perspectivas de contra-ataque ao mercado zero de revistas jovens brasileiras (falo das de música e das que prestam) dá sinais de reação.
A Conrad solta agora em dezembro nas bancas a "Play", revista moderna que parece a volta da saudosa "General", só que agora feita em Mac, com OS 10.
Junta entretenimento e tecnologia, fala dde música e comportamento, tem no número 1 uma capa com a garota de "Matrix", fala muito de Gorillaz e cachorro quente. É orquestrada por André Forastieri e conduzida por Alexandre Matias, os dois bem conhecidos do universo independente.
Só tem que dar certo.
* Duas novas revistas espertas devem nascer em 2002, mais uma vez um trabalho de jornalistas gaúchos já fincados em São Paulo e com nomes ligados à música boa. Detalhes depois.
* Dólar caindo, ano acabando. A "Rolling Stone" brazuca, sob a batuta argentina, vem aí.
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PROMOÇÃO LITERATURA POP
Em vez de abrir uma livraria rápida, resolvi sortear na coluna a pacoteira pop-literária que estufa minha gaveta de letras sonoras.
Rola para quem se alistar no lucio@uol.com.br a chance de faturar uma cópia de um dos livros ou da revista citados acima.
Então, para resumir. Tenho:
* uma edição de "Clube dos Corações Solitários"
* uma edição de "Gauleses Irredutíveis"
* uma edição de "Hip Hop, a Periferia Grita"
* um exemplar da revista "Play"
Escolha o que você gostaria de ganhar, se sorteado.
Tenho livros e revistas para distribuir aqui até o final do ano. Na semana que vem tem mais.
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ROCK AMERICANO
Mais três dicas de novos sons da América, movimento que tem movido esta coluna há muito tempo.
* Dirtbombs
Detroit está impossível. Teve a Motown, teve o MC5, tem o Eminem, tem o White Stripes e tem também Dirtbombs. Quinteto com a seguinte formação: quatro roqueiros de garagem fazendo um som podre para um negro de soul cantar. Sério. A primeira vez que eu ouvi os caras foi pelas ruas de Goiânia. Valeu, Fabrício Monstro.
*Mooney Suzuki
Nova York, furiosa, Stooges+Velvet+punk. Manja a fórmula? Produto genuíno da fabriquinha da Big Apple.
* Mars Volta
Banda meio texana, feita pelos integrantes do sensacional e saudoso At the Drive in. Ouve "Concertina", meu caro. Ouve. Tem no www.yellowdatsun.com.
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WHITE STRIPES, UMA VISÃO WONKA
"Fala, Lúcio. Aqui é Will Prestes, da banda Wonkavision, de Porto Alegre. Eu tive o prazer de assistir a um show do White Stripes em Los Angeles. Digamos que foi...bem intenso. Ninguém tava entendendo muito o que tava acontecendo.
O Jack no palco é muito foda. O cara fica lá na frente, alucinado. E a Meg é muito cool, lá atrás, na batera."
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ROCK INGLÊS, PARA NÃO DIZER QUE...
No finalzinho de outubro, a copiada "New Musical Express" editou uma capa com a reportagem "Guitar Britain", enumerando as dez mais quentes bandas novas do Reino Unido.
* The Music (legal); Vex Red (nunca ouvi); The Cooper Temple Clause (poderoso); Lostprophets (chato, achei); The Coral (não conheço); Hundred Reasons (também não); Crackout (bem bom); Raging Speedhorn (quem?);e The Electric Soft Parade (esta é matadora; dupla de um multiinstrumentista de 17 anos e outro de 20).
Faltou a "NME" citar a ótima Hives. Já ouviu? Não durma enquanto não baixar "Hate to Say I Told You So".
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HARRISON
Nem é que o guitarrista que se foi estava fazendo muita falta na música moderna e tal. Mas morrer um ex-beatle não dá.
O cara que mais entende de Beatles no Brasil, o amigo Marcelo Orozco, reclama de 9,9 entre 10 textos póstumos da imprensa brasileira, publicados no dia seguinte da morte de Harrison:
"George foi tachado de 'o beatle boa praça' ou 'o gente fina'. Os caras ficaram sem ter o que dizer quando o Ringo morrer".
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A VOLTA DO LOLLAPALLOOSA
O ex-Jane's Addiction e maluco Perry Farrel resolveu tirar a bunda da cadeira (como bem disse um amigo) e voltar com o Lollapallosa em 2002. Cool.
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RÁDIOS, A NOVELA
Enquanto a 89FM entope a programação de flashback, para recuperar a audiência (???), e as outras ainda insistem em tocar só "Sing" do Travis, como exemplo de modernidade...
* Fluminense FM, Rio
O Rio pode não funcionar para show de rock internacional, mas causa vergonha aos ouvintes de FM paulistanas levar um banho de qualidade de uma rádio AM. Há um certo tempo de volta ao dial, a "Madita" de outros tempos virou a "Bendita". Capitaneada pelo conhecido DJ e agitador carioca José Roberto Mahr, toca de Strokes a Smiths, de demo brasileira a nu-metal. E a partir de janeiro começa com uma série de programas especializados. E logo deve trocar a antena e virar digital, transmitindo com som de CD.
* Difusora, de Ribeirão Preto
Dica do leitor Marcelo Encinas. É pop, então corre-se o risco de ouvir Lenny Kravitz e Bon Jovi, mas toca também R.E.M. novo, Primal Scream, Oasis, Radiohead, diariamente. Anunciaram um especial dos Strokes para o final do ano, com entrevista exclusiva e tudo. Sábado à noite toca música eletrônica.
* Onda Sul FM, de Carmo do Rio Claro-MG
Segundo o mesmo Encinas, a programação é parecida com a da Difusora de Ribeirão Preto.
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SERIADOS
* A "Entertainment Weekly" veio com uma capa nesta semana escalando os cinco programas de TV que você "precisa assistir". Dentre eles, o único que passa por aqui é o novo seriado da Sony, "Scrubs". Vi um capítulo e meio da série, uma espécie de "ER" gozada. Achei mais ou menos. Vou ver de novo.
A única nova série que eu curti, e também mais ou menos, é a "The Thieves", da Warner. Parece um "A Gata e o Rato" mais moderno. Alguém aí viu algo novo que preste?
* A velha e boa "Friends", que há muito anda meia-boca, teve um momento inspiradíssimo na semana passada, no "capítulo da fita". Foi demais. Graças a um amigo que chegou de Nova York recentemente, vi também o "Friends" especial do feriado de Ação de Graças. Tem o Brad Pitt na parada e também é legal. A história é que ele era gorducho no colégio. E a Rachel, bonitona, maltratava o pobre rapaz, que por vingança fundou o fã-clube I Hate Rachel. Adivinha quem era do fã-clube, também?
Esse "Friends" passa no Brasil, segundo a Warner, no especial de Natal.
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DIESEL, INTERNACIONAL
A banda mineira de rock Diesel, sempre entre as mais vendidas do chart da loja Cubo, assinaram um contrato com a gravadora americana J. Records. Alicia Keys, Busta Rhymes e Soil são alguns dos astistas do cast da J., que conta com distribuição da Warner. Em tempo: o Diesel brasileira pequena que venceu um concurso Escalada do Rock e ganhou a chance de tocar no Rock in Rio 3. De som entre o indie e o metal, abriram, no palco principal, para o Red Hot Chili Peppers, Silverchair e Deftones.
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STUFF
* Fofoca Guns' N Roses. A CDNOW (www.cdnow.com) está com um item em pré-venda chamado "Appetitte for Destruction", com nome associado à banda, anunciando que o produto estará disponível para compra a partir do dia 11 de dezembro. Ninguém, nem os fãs antenados, sabem o que é. Desconfia-se que a nova banda de Axl Rose regravou o disco original.
* Eu erro pacas, tenho telhado de vidro e essas coisas acontecem, mas confira a resenha do recém-lançado disco do Pulp, "We Love Life", no site Submarino:
"O nome da faixa-título representa uma nova fase na carreira desta que é uma das mais populares bandas de britpop, com Jarvis Cocker ESTREANDO como letrista e abandonando os temas dark para falar da natureza, em faixas como The Birds In Your Garden e Sunrise".
Como assim???
* Só para constar, gostaria de avisar que o titã Branco Mello está armando uma ópera "para roqueiro de todas as idades", com a participação, entre outros, de Toni Garrido e Arnaldo Antunes. Tenho certeza que vai ficar superlegal...
* Informação importante: Strokes, em japonês, "Essotorokusu". Só para você saber.
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CARTA DO LEITOR
"Fala aí, Lúcio. Cara, eu leio tua coluna direto (sério). Já mandei mil e-mails (mais ou menos, sério). Sinto-me discriminado no pensata por ser carioca (sério). Agora eu resolvi apelar para o seu lado sensível. Semana passada, eu estava dando um rolê de skate aqui pela cidade (rebocado pelo carro de um camarada), e acabei voando baixo e tomando 11 pontos na cabeca. Fiquei internado, coisa e tal.
As provas estão aqui:
a tomografia: www.agenteweb.com.br/dp/images/tomo.jpg
os pontos: www.agenteweb.com.br/dp/images/ponto.jpg
Agora só me resta ficar em casa, assistir a uns vídeos e dar uma navegada de vez em quando, até o dr.neurocirurgião me liberar. Só estou ouvindo Miles Davis e Bill Evans, para evitar maiores pressões cranianas."
Daniel Prado
Rio de Janeiro
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TRAIL OF DEAD NO BRASIL - BALANÇO
Primeiro eu queria dar meus sinceros parabéns para quem perdeu por perder qualquer dos shows da banda texana ...And Will Know Us by the Trail of Dead.
Se você não teve um bom motivo, tipo compromisso sério, acidente, falta de grana, só há uma coisa a dizer: Loser!
Não dá para simplesmente "não ir" a um show de uma banda nova com todo o gás, representando um movimento dos mais interessantes a sair do quintal dos EUA.
Abaixo, um pouco da passagem do ToD no Brasil, pelo que eu pude apurar nos emocionados relatos que eu recebi por e-mail, dos que foram às apresentações da banda.
Da minha parte, fui ao espetacular show de quinta-feira, em SP. Espetacular até saber que o da sexta foi ainda melhor, com um bis de cover com "Electric Co" (U2) e "Helter Skelter" (Beatles. foi no "dia" do George Harrison).
Mas um pessoal que testemunhou outras apresentações tem umas coisas a dizer:
* Curitiba, PR, quarta-feira passada
"O show do Trail of Dead aqui em Curitiba foi mesmo algo histórico. Me falaram que você estava presente, é verdade?"
Humberto R. Ramos Quoirin
Curitiba, PR
* Caçapava, SP, sábado passado
"Tá ligado na final da Copa de 70, quando os mexicanos emocionados até a alma invadiram o campo e começaram a abraçar e carregar Pelé, Tostão e cia.? Então, foi mais ou menos essa a sensação no final do show do Trail of Dead, sábado em Caçapava!!! Na volta para casa, nem me atrevi a ligar o rádio. Pra quê? Não conseguia mais ouvir nada, meu ouvido tava zunindo, mas a verdade é que eu estava mesmo em transe com aquele show. Viva o Trail of Dead, viva o rock'n'roll!!!!"
João Marcelo
São José dos Campos
São Carlos - domingo
"No último domingo, em São Carlos, estava tudo tão cool que às vezes dava-se a sensação de estar no clipe de 'Dirty Boots', do Sonic Youth, que tem aquele casal de adolescentes namorando no meio do show, enquanto a banda toca no palco.
Com um ar bem simpático, o baixista Neil avisa: 'Hey... Este é o nosso último show no Brasil, vamos fazer dele um para ser lembrado". E fizeram.
Todos que ali estavam deixaram o lugar com a certeza de ter assistido a um dos melhores e mais energéticos shows de rock dos últimos tempos.
Marcos Antoniette
Franca, SP
"Só vou falar o básico: para variar, dos meus amigos, só eu fui ao show. Por isso que eu digo: é tudo bunda mole. Depois reclamam que não vem ninguém para esse canto isolado do mundo.
Pusta barulheira. O lugar não ajudava mundo no som. Mesmo assim foi fo... go. Parece Sonic Youth mais barulhento. Partes calminhas e em seguida aquela pusta detonação.
A molecada mandando stage dive direto o show todo. Tinha uma menina que subia no palco com um cartaz escrito 'Fuck Sigur Rós', dava um chilique e pulava...
Uma hora e dez e não sobrou nada no palco. Os caras quebraram a po*** toda. Chutaram tudo! Foi guitarra, bateria, amplificador, e tudo o que havia pela frente. Aí a galera começou a fazer cabo-de-guerra com os cabos. Quase saíram no tapa com a banda. Enfim, pusta show. Quem esteve lá viu..."
Guilherme Tosi
São Carlos, SP
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WHITE STRIPES E STROKES, JUNTOS?
White Stripes e Strokes, as duas bandas mais badaladas (por mim?) da espetacular fase da América roqueira, já são sensacionais sozinhos. Imagine os caras juntos.
Seria bom se fosse verdade.
Rola na internet uma tal de "Buster", o que seria uma música do grupo do Detroit "encorpado" pelo conjunto nova-iorquino, não fosse ela uma palhaçada que alguém criou para zoar indie. A música, depois de baixada, vira alguma coisa como "We're Indie Shit", canção com um orgãozinho vagabundo e uma letra engraçada.
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PARTY ON
Fim-de-semana agitado em São Paulo. Confira as principais baladas do rock.
* Quinta-feira
Dead Kennedys, Broadway, São Paulo
Sem o lendário Jello Biafra, hoje inimigo mortal dos ex-companheiros, a banda punk californiana, hoje um "arremedo", toca em show único em SP. É arremedo do que foi o grande Dead Kennedys, mas ainda assim é a história passando aqui no nosso quintal.
* Sexta-feira
Balada dupla obrigatória. O DJ pop Marcelo Negromonte toca som dos 80 (ou não) na festa Expresso da Meia-Noite, no DJ Clube (Jardins). Tem sorteio de CDs do Love & Rockets. E no Galpão 16 (Vila Madalena) rola mais uma das disputadas festas do programa Garagem, com som dos DJS Paulão e André Barcinski, os apresentadores, com a força nas picapes do Escravo Gabriel. Loucura: tem sorteio de 30 CDs singles do Belle & Sebastian, o novíssimo "I'm Waking Up to Us".
* Sábado
O DJ Clube, na tradicional noite Sound, promove o lançamento do livro "Clube dos Corações Solitários, de André Takeda, citado como destaque nesta coluna. Na pista tem Lúcio Ribeiro (quá!), Sylvie Pccolotto e o próprio Takeda. E no Orbital (rua Augusta) rola mais um London Burning, com show das bandas Blemish, The Book Is on the Table e a abertura dos Los Pirata, uma das melhores (a melhor?) banda indie brasileiro. Não é?
* Domingo
No Orbital, de novo, o último dia da turnê domingueira conjunta entre os Los Pirata (peraí, já falei dessa banda, não?) e do DJ Lúcio Ribeiro (...). Vai encarar?
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CHART SHOW
No balanção da parada, acho que o Le Tigre, o lançamento nacional, está sendo o CD indie mais consumido do momento. O Pulp aparece um pouco. E os "Greatest Hits" do Smashing Pumpkins e do Cure também. Penso eu, agora que vai sair os Pumpkins nacional, na semana que vem, a banda de Billy Corgan vai disputar o primeiro lugar de várias lojas. White Stripes também está chegando por aí.
* Bizarre - SP
(www.bizarremusic.com.br)
1º - "Le Tigre", Le Tigre (1)
2º - "Feminist Sweeptakes" - Le Tigre (4)
3º - "Hi-Fi Stereo", Sala Especial (EP) (5)
4º - "Rock Action" - Mogwai (3)
5º - "Golden Hits" - Thee Butchers' Orchestra (-)
* Cubo: Sounds - BH
(tel. (31) 3225-3824)
1º - "Cool Steps", DJ Patife (3)
2º - "Greatest Hits", Smashing Pumpkins (5)
3º - "Vespertine", Bjork (-)
4º - "Argument", Fugazi (-)
4º - "Death by Chocolat", De Phazz (-)
* London Calling - SP
(www.londoncalling.com.br)
1º - "Feminist Sweeptakes" - Le Tigre (-)
2º - "Greatest Hits", Smashing Pumpkins (-)
3º - "Greatest Hits", The Cure (-)
4º - "Very Best", Ocean Colour Scene (-)
5º - "I Might Be Wrong", Radiohead (-)
* Velvet CDs - SP
(www.velvetcds.com.br)
1º - "All Is Dream", Mercury Rev (-)
2º - "Le Tigre", Le Tigre (2)
3º - "We Love Life", Pulp (1)
4º - "Swangsong for You", Gentle Waves (-)
5º - "Can't Play Covers", Pullovers (-)
* Indie Records - SP
(indiecd@terra.com.br)
1º - "We Love Life", Pulp (-)
2º - "Greatest Hits", Smashing Pumpkins (-)
3º - "Greatest Hits", The Cure (4)
4º - "Death by Chocolate", De-Phazz (3)
5º - "Wonderland", Charlatans (1)
******************
MELHORES DO ANO
(PRIMEIRO BALANÇO + PROMOÇÃO)
O maior ano de shows internacionais no Brasil de todos os tempos, em qualidade e quantidade, 2001 está aí para ser lembrado. Principalmente se fizer a esperada duplinha com 2002 (Radiohead, Strokes...).
A hora é de recordar. Quais foram, para você, os três principais shows gringos no Brasil. Mande seu voto para lucio@uol.com.br e concorra aos seguintes prêmios:
* CD "Le Tigre", do... hã.. Le Tigre
* o lindo CD "Wonderland", do Charlatans
* um descolado EP de "Red", do grupo inglês Elbow, um dos mais festejados do ano.
O meu voto para melhores três shows no Brasil:
* Foo Fighters no Rock in Rio 3
* Fatboy Slim no Free Jazz Festival
* * Trail of Dead, no Sesc Belenzinho
Menção honrosa: show do Basement Jaxx no Free Jazz
********************
VENCEDORES DAS PROMOÇÕES
Confira, finalmente, os ganhadores dos suculentos prêmios da coluna passada. Cheque aí:
* Mariana Chammas
São Paulo, SP
prêmio: CD do Belle & Sebastian ao vivo em SP (Free Jazz)
* Térsio Novovick
Goiânia, GO
prêmio: "Le Tigre", do Le Tigre, e "White Blood Cells", do White Stripes, os lançamentos nacionais da Sum Records.
* Celso T. Nakamura
Santo André, SP
prêmio: o Le Tigre e o White Stripes da Sum
************
Tchau pra você. Tchau pro George.
Radiohead, 13 de fevereiro, em SP
Publicidade
Não vou enganar ninguém. Estou com uma preguiça do cão, hoje. Escrever não vai ser fácil. Não é preguiça indie, não, essa que faz muita gente perder um show dos texanos do Trail of Dead pelo Brasil, em rápida e histórica passagem pelo país.
Enfim, prepare-se para assuntos legais conduzidos em textos preguiçosos.
Esta coluna, claro, é inteiramente dedicada ao guitarrista George Harrison, ex-beatle e ex-vivo. Pensa nisso: tem um beatle a menos no mundo.
Escrevo (e escreverei) ela ao som de Beatles (lógico!), Rufus Wainwright (ideal para hoje) e Smashing Pumpkins ("Gish", o primeiro).
Do jeito que a coluna é sempre grande, daria para ouvir mais uns dez discos enquanto ela toma forma. Mas esses aí de cima estão OK.
Percebeu que acabei de escrever a parte final da coluna? É para dar a impressão, ou enganar a mim mesmo, de que ela está acabando.
Eu sei que você não tem nada com isso. Nem culpa do mau jeito nas costas que dei ontem no futebol. Nem que o Palmeiras está fora das semifinais. Nem que o "Dawson's Creek" da semana foi (está) bem chatinho. Nem que...
Está muito papinho? Quer saber logo que história é essa de Radiohead no Brasil?
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RADIOHEAD NO BRASIL, EM FEVEREIRO
Um caprichadíssimo site universitário irlandês, dirigido por um rapaz de nome Jim O'Rourke e, pelo que parece, antenadíssimo nas coisas do grupo inglês Radiohead, bota o Brasil na rota de concertos da banda de Thom Yorke.
Está em caráter de notícia não-confirmada, mas faz todo o sentido.
O Radiohead acabou a parte inicial da turnê do "Amnesiac", que rodou a Europa e os Estados Unidos.
A banda dá uma parada agora e arma seletos shows no Reino Unido, no começo de janeiro.
Foi anunciado ainda que um álbum de "B-Sides" do Radiohead deve chegar às lojas a partir de março.
Entre os shows do Reino Unido e o disco de lados B, com material já gravado portanto, a banda só iria ficar pela Europa se quisesse curtir aquele frio maluco do inverno de lá.
O que dá plausibilidade à notícia é que o México está incluído na jogada.
| Reprodução |
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A turnê México/Brasil, segundo o site irlandês, seria assim:
* dia 20/1, Cidade do México, sem local anunciado.
* dia 13/2, São Paulo, sem local.
* dia 20/2, Buenos Aires, sem local.
Não deve ser a mesma fonte, claro, mas na primeira vez que o U2 veio ao Brasil, em 1998, a notícia da vinda da banda primeiro surgiu "não-confirmada" em um site de fã da... Irlanda.
Se o grupo está marcando mesmo shows no país em fevereiro, isso mata o sonho do Free Jazz em trazer a banda em outubro. Ninguém ia ficar chateado.
Resta esperar.
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2002, O ANO EM QUE...
* O ano que vem, dá pinta, vai ser phoda. Charlatans pode vir, Strokes deve vir. O Free Jazz arma a visita da Bjork e do próprio Radiohead, se falharem os shows de fevereiro.
E uns festivais eletro/rock/rap poderosos estão em acelerada gestação, posso adiantar. Estou impedido de dar mais detalhes preciosos, sob risco de vida. Quero estar bem vivo em 2002.
* E o bar paulistano Gotham, que fica em Pinheiros, anuncia para o dia 22 de dezembro agora a presença no país do grande Wayne Hussey, ex-Mission e Sisters of Marcy. O cara vem para se apresentar como DJ, em noite disputadíssima, com um limite apenas para 250 pessoas. É para sacudir os morcegos do casacão preto e ir curtir o som do Hussey. Reservas em gotham.pub@ig.com.br.
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OUÇA ESSES LIVROS!
Já que você curte ler a talagada de textos costumeira desta coluna, saiba que está correndo nas livrarias pelo menos quatro livros pop bem legais (três brasileiros e um gringo), que merecem uma conferida.
Livros que, ao lê-los, transmitem juntos uma imaginária trilha sonora das boas. Confira:
* "Clube dos Corações Solitários", de André Takeda (editora Conrad)
Takeda faz parte da fornada gaúcha de escritores/bandas/jornalistas que se fizeram ler/ouvir em 2001. O livro é seu manifesto, correu a internet com sucesso e agora chega no formato livro decente, editado pela Conrad. O prefácio é meu, o que me deixa meio incomodado em escrever mais sobre a obra. Por mais que Takeda tente evitar, o livro tem parentesco próximo a "Alta Fidelidade", do velho amigo nosso Nick Hornby. O que não é demérito nenhum à fluência pop do autor gaúcho.
Takeda arquiteta o bom e-zine TXTMagazine (www.txtmagazine.com). E escreve em tempo real, desde 23 de novembro até o Natal, o livro "Quando Eu Tiver 64", a terceira parte da trilogia da qual "Clube dos Corações Solitários" faz parte. "Quando" está no http://quandoeutiver64.blogspot.com.
* "Gauleses Irredutíveis", de Allison Avila, Cristiano Bastos e Eduardo Muller (editora Sagra-Luzzatto)
Outro fruto do levante gaúcho, já circula em São Paulo e Rio o livro sonoro que conta "causos e atitudes do rock gaúcho", como entrega seu subtítulo. Desnecessário dizer, é um tributo das andanças roqueiras gaúchas desde os anos 60 até os dias de hoje. Não sei, mas talvez fale, sim, dos Engenheiros do Hawaii. Vem carregado de 80 fotos raras e depoimentos exclusivos. Foi o livro de autores estreantes mais vendido na última Feira do Livro em Porto Alegre.
* "Hip Hop, a Periferia Grita", de Janaína Rocha, Mirella Domenich e Patrícia Casseano (editora Fundação Perseu Abramo)
O livro, na verdade, foi trabalho de conclusão de curso de jornalismo de três garotas espertas, que de tão elogiado passa à literatura. "Hip Hop" capta a importância do maior fenômeno musical de São Paulo nos anos 90 e explica como esse movimento brotou assim, naturalmente, das ruas.
* "Nirvana Nunca Mais", de Mark Lindquist (editora Globo)
Este chegou faz tempo às minhas mãos, mas só agora consegui dar uma conferida séria, mas também não muito. Amigos que leram (mesmo) curtiram esse romance à lá "Alta Fidelidade" (de novo) locado na era grunge. Lindquist é de Seattle e é colaborador da parte literária do "New York Times". O livro é altamente recomentado pelo escritor Bret Easton Ellis. No mínimo, é bem louco, então.
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REVISTAS NOVAS - ATÉ QUE ENFIM
A crise está fuego, mas as perspectivas de contra-ataque ao mercado zero de revistas jovens brasileiras (falo das de música e das que prestam) dá sinais de reação.
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A Conrad solta agora em dezembro nas bancas a "Play", revista moderna que parece a volta da saudosa "General", só que agora feita em Mac, com OS 10.
Junta entretenimento e tecnologia, fala dde música e comportamento, tem no número 1 uma capa com a garota de "Matrix", fala muito de Gorillaz e cachorro quente. É orquestrada por André Forastieri e conduzida por Alexandre Matias, os dois bem conhecidos do universo independente.
Só tem que dar certo.
* Duas novas revistas espertas devem nascer em 2002, mais uma vez um trabalho de jornalistas gaúchos já fincados em São Paulo e com nomes ligados à música boa. Detalhes depois.
* Dólar caindo, ano acabando. A "Rolling Stone" brazuca, sob a batuta argentina, vem aí.
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PROMOÇÃO LITERATURA POP
Em vez de abrir uma livraria rápida, resolvi sortear na coluna a pacoteira pop-literária que estufa minha gaveta de letras sonoras.
Rola para quem se alistar no lucio@uol.com.br a chance de faturar uma cópia de um dos livros ou da revista citados acima.
Então, para resumir. Tenho:
* uma edição de "Clube dos Corações Solitários"
* uma edição de "Gauleses Irredutíveis"
* uma edição de "Hip Hop, a Periferia Grita"
* um exemplar da revista "Play"
Escolha o que você gostaria de ganhar, se sorteado.
Tenho livros e revistas para distribuir aqui até o final do ano. Na semana que vem tem mais.
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ROCK AMERICANO
Mais três dicas de novos sons da América, movimento que tem movido esta coluna há muito tempo.
* Dirtbombs
Detroit está impossível. Teve a Motown, teve o MC5, tem o Eminem, tem o White Stripes e tem também Dirtbombs. Quinteto com a seguinte formação: quatro roqueiros de garagem fazendo um som podre para um negro de soul cantar. Sério. A primeira vez que eu ouvi os caras foi pelas ruas de Goiânia. Valeu, Fabrício Monstro.
*Mooney Suzuki
Nova York, furiosa, Stooges+Velvet+punk. Manja a fórmula? Produto genuíno da fabriquinha da Big Apple.
* Mars Volta
Banda meio texana, feita pelos integrantes do sensacional e saudoso At the Drive in. Ouve "Concertina", meu caro. Ouve. Tem no www.yellowdatsun.com.
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WHITE STRIPES, UMA VISÃO WONKA
"Fala, Lúcio. Aqui é Will Prestes, da banda Wonkavision, de Porto Alegre. Eu tive o prazer de assistir a um show do White Stripes em Los Angeles. Digamos que foi...bem intenso. Ninguém tava entendendo muito o que tava acontecendo.
O Jack no palco é muito foda. O cara fica lá na frente, alucinado. E a Meg é muito cool, lá atrás, na batera."
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ROCK INGLÊS, PARA NÃO DIZER QUE...
No finalzinho de outubro, a copiada "New Musical Express" editou uma capa com a reportagem "Guitar Britain", enumerando as dez mais quentes bandas novas do Reino Unido.
* The Music (legal); Vex Red (nunca ouvi); The Cooper Temple Clause (poderoso); Lostprophets (chato, achei); The Coral (não conheço); Hundred Reasons (também não); Crackout (bem bom); Raging Speedhorn (quem?);e The Electric Soft Parade (esta é matadora; dupla de um multiinstrumentista de 17 anos e outro de 20).
Faltou a "NME" citar a ótima Hives. Já ouviu? Não durma enquanto não baixar "Hate to Say I Told You So".
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HARRISON
Nem é que o guitarrista que se foi estava fazendo muita falta na música moderna e tal. Mas morrer um ex-beatle não dá.
O cara que mais entende de Beatles no Brasil, o amigo Marcelo Orozco, reclama de 9,9 entre 10 textos póstumos da imprensa brasileira, publicados no dia seguinte da morte de Harrison:
"George foi tachado de 'o beatle boa praça' ou 'o gente fina'. Os caras ficaram sem ter o que dizer quando o Ringo morrer".
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A VOLTA DO LOLLAPALLOOSA
O ex-Jane's Addiction e maluco Perry Farrel resolveu tirar a bunda da cadeira (como bem disse um amigo) e voltar com o Lollapallosa em 2002. Cool.
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RÁDIOS, A NOVELA
Enquanto a 89FM entope a programação de flashback, para recuperar a audiência (???), e as outras ainda insistem em tocar só "Sing" do Travis, como exemplo de modernidade...
* Fluminense FM, Rio
O Rio pode não funcionar para show de rock internacional, mas causa vergonha aos ouvintes de FM paulistanas levar um banho de qualidade de uma rádio AM. Há um certo tempo de volta ao dial, a "Madita" de outros tempos virou a "Bendita". Capitaneada pelo conhecido DJ e agitador carioca José Roberto Mahr, toca de Strokes a Smiths, de demo brasileira a nu-metal. E a partir de janeiro começa com uma série de programas especializados. E logo deve trocar a antena e virar digital, transmitindo com som de CD.
* Difusora, de Ribeirão Preto
Dica do leitor Marcelo Encinas. É pop, então corre-se o risco de ouvir Lenny Kravitz e Bon Jovi, mas toca também R.E.M. novo, Primal Scream, Oasis, Radiohead, diariamente. Anunciaram um especial dos Strokes para o final do ano, com entrevista exclusiva e tudo. Sábado à noite toca música eletrônica.
* Onda Sul FM, de Carmo do Rio Claro-MG
Segundo o mesmo Encinas, a programação é parecida com a da Difusora de Ribeirão Preto.
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SERIADOS
* A "Entertainment Weekly" veio com uma capa nesta semana escalando os cinco programas de TV que você "precisa assistir". Dentre eles, o único que passa por aqui é o novo seriado da Sony, "Scrubs". Vi um capítulo e meio da série, uma espécie de "ER" gozada. Achei mais ou menos. Vou ver de novo.
A única nova série que eu curti, e também mais ou menos, é a "The Thieves", da Warner. Parece um "A Gata e o Rato" mais moderno. Alguém aí viu algo novo que preste?
* A velha e boa "Friends", que há muito anda meia-boca, teve um momento inspiradíssimo na semana passada, no "capítulo da fita". Foi demais. Graças a um amigo que chegou de Nova York recentemente, vi também o "Friends" especial do feriado de Ação de Graças. Tem o Brad Pitt na parada e também é legal. A história é que ele era gorducho no colégio. E a Rachel, bonitona, maltratava o pobre rapaz, que por vingança fundou o fã-clube I Hate Rachel. Adivinha quem era do fã-clube, também?
Esse "Friends" passa no Brasil, segundo a Warner, no especial de Natal.
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DIESEL, INTERNACIONAL
A banda mineira de rock Diesel, sempre entre as mais vendidas do chart da loja Cubo, assinaram um contrato com a gravadora americana J. Records. Alicia Keys, Busta Rhymes e Soil são alguns dos astistas do cast da J., que conta com distribuição da Warner. Em tempo: o Diesel brasileira pequena que venceu um concurso Escalada do Rock e ganhou a chance de tocar no Rock in Rio 3. De som entre o indie e o metal, abriram, no palco principal, para o Red Hot Chili Peppers, Silverchair e Deftones.
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STUFF
* Fofoca Guns' N Roses. A CDNOW (www.cdnow.com) está com um item em pré-venda chamado "Appetitte for Destruction", com nome associado à banda, anunciando que o produto estará disponível para compra a partir do dia 11 de dezembro. Ninguém, nem os fãs antenados, sabem o que é. Desconfia-se que a nova banda de Axl Rose regravou o disco original.
* Eu erro pacas, tenho telhado de vidro e essas coisas acontecem, mas confira a resenha do recém-lançado disco do Pulp, "We Love Life", no site Submarino:
"O nome da faixa-título representa uma nova fase na carreira desta que é uma das mais populares bandas de britpop, com Jarvis Cocker ESTREANDO como letrista e abandonando os temas dark para falar da natureza, em faixas como The Birds In Your Garden e Sunrise".
Como assim???
* Só para constar, gostaria de avisar que o titã Branco Mello está armando uma ópera "para roqueiro de todas as idades", com a participação, entre outros, de Toni Garrido e Arnaldo Antunes. Tenho certeza que vai ficar superlegal...
* Informação importante: Strokes, em japonês, "Essotorokusu". Só para você saber.
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CARTA DO LEITOR
"Fala aí, Lúcio. Cara, eu leio tua coluna direto (sério). Já mandei mil e-mails (mais ou menos, sério). Sinto-me discriminado no pensata por ser carioca (sério). Agora eu resolvi apelar para o seu lado sensível. Semana passada, eu estava dando um rolê de skate aqui pela cidade (rebocado pelo carro de um camarada), e acabei voando baixo e tomando 11 pontos na cabeca. Fiquei internado, coisa e tal.
As provas estão aqui:
a tomografia: www.agenteweb.com.br/dp/images/tomo.jpg
os pontos: www.agenteweb.com.br/dp/images/ponto.jpg
Agora só me resta ficar em casa, assistir a uns vídeos e dar uma navegada de vez em quando, até o dr.neurocirurgião me liberar. Só estou ouvindo Miles Davis e Bill Evans, para evitar maiores pressões cranianas."
Daniel Prado
Rio de Janeiro
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TRAIL OF DEAD NO BRASIL - BALANÇO
Primeiro eu queria dar meus sinceros parabéns para quem perdeu por perder qualquer dos shows da banda texana ...And Will Know Us by the Trail of Dead.
Se você não teve um bom motivo, tipo compromisso sério, acidente, falta de grana, só há uma coisa a dizer: Loser!
Não dá para simplesmente "não ir" a um show de uma banda nova com todo o gás, representando um movimento dos mais interessantes a sair do quintal dos EUA.
Abaixo, um pouco da passagem do ToD no Brasil, pelo que eu pude apurar nos emocionados relatos que eu recebi por e-mail, dos que foram às apresentações da banda.
Da minha parte, fui ao espetacular show de quinta-feira, em SP. Espetacular até saber que o da sexta foi ainda melhor, com um bis de cover com "Electric Co" (U2) e "Helter Skelter" (Beatles. foi no "dia" do George Harrison).
Mas um pessoal que testemunhou outras apresentações tem umas coisas a dizer:
* Curitiba, PR, quarta-feira passada
"O show do Trail of Dead aqui em Curitiba foi mesmo algo histórico. Me falaram que você estava presente, é verdade?"
Humberto R. Ramos Quoirin
Curitiba, PR
* Caçapava, SP, sábado passado
"Tá ligado na final da Copa de 70, quando os mexicanos emocionados até a alma invadiram o campo e começaram a abraçar e carregar Pelé, Tostão e cia.? Então, foi mais ou menos essa a sensação no final do show do Trail of Dead, sábado em Caçapava!!! Na volta para casa, nem me atrevi a ligar o rádio. Pra quê? Não conseguia mais ouvir nada, meu ouvido tava zunindo, mas a verdade é que eu estava mesmo em transe com aquele show. Viva o Trail of Dead, viva o rock'n'roll!!!!"
João Marcelo
São José dos Campos
São Carlos - domingo
"No último domingo, em São Carlos, estava tudo tão cool que às vezes dava-se a sensação de estar no clipe de 'Dirty Boots', do Sonic Youth, que tem aquele casal de adolescentes namorando no meio do show, enquanto a banda toca no palco.
Com um ar bem simpático, o baixista Neil avisa: 'Hey... Este é o nosso último show no Brasil, vamos fazer dele um para ser lembrado". E fizeram.
Todos que ali estavam deixaram o lugar com a certeza de ter assistido a um dos melhores e mais energéticos shows de rock dos últimos tempos.
Marcos Antoniette
Franca, SP
"Só vou falar o básico: para variar, dos meus amigos, só eu fui ao show. Por isso que eu digo: é tudo bunda mole. Depois reclamam que não vem ninguém para esse canto isolado do mundo.
Pusta barulheira. O lugar não ajudava mundo no som. Mesmo assim foi fo... go. Parece Sonic Youth mais barulhento. Partes calminhas e em seguida aquela pusta detonação.
A molecada mandando stage dive direto o show todo. Tinha uma menina que subia no palco com um cartaz escrito 'Fuck Sigur Rós', dava um chilique e pulava...
Uma hora e dez e não sobrou nada no palco. Os caras quebraram a po*** toda. Chutaram tudo! Foi guitarra, bateria, amplificador, e tudo o que havia pela frente. Aí a galera começou a fazer cabo-de-guerra com os cabos. Quase saíram no tapa com a banda. Enfim, pusta show. Quem esteve lá viu..."
Guilherme Tosi
São Carlos, SP
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WHITE STRIPES E STROKES, JUNTOS?
White Stripes e Strokes, as duas bandas mais badaladas (por mim?) da espetacular fase da América roqueira, já são sensacionais sozinhos. Imagine os caras juntos.
Seria bom se fosse verdade.
Rola na internet uma tal de "Buster", o que seria uma música do grupo do Detroit "encorpado" pelo conjunto nova-iorquino, não fosse ela uma palhaçada que alguém criou para zoar indie. A música, depois de baixada, vira alguma coisa como "We're Indie Shit", canção com um orgãozinho vagabundo e uma letra engraçada.
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PARTY ON
Fim-de-semana agitado em São Paulo. Confira as principais baladas do rock.
* Quinta-feira
Dead Kennedys, Broadway, São Paulo
Sem o lendário Jello Biafra, hoje inimigo mortal dos ex-companheiros, a banda punk californiana, hoje um "arremedo", toca em show único em SP. É arremedo do que foi o grande Dead Kennedys, mas ainda assim é a história passando aqui no nosso quintal.
* Sexta-feira
Balada dupla obrigatória. O DJ pop Marcelo Negromonte toca som dos 80 (ou não) na festa Expresso da Meia-Noite, no DJ Clube (Jardins). Tem sorteio de CDs do Love & Rockets. E no Galpão 16 (Vila Madalena) rola mais uma das disputadas festas do programa Garagem, com som dos DJS Paulão e André Barcinski, os apresentadores, com a força nas picapes do Escravo Gabriel. Loucura: tem sorteio de 30 CDs singles do Belle & Sebastian, o novíssimo "I'm Waking Up to Us".
* Sábado
O DJ Clube, na tradicional noite Sound, promove o lançamento do livro "Clube dos Corações Solitários, de André Takeda, citado como destaque nesta coluna. Na pista tem Lúcio Ribeiro (quá!), Sylvie Pccolotto e o próprio Takeda. E no Orbital (rua Augusta) rola mais um London Burning, com show das bandas Blemish, The Book Is on the Table e a abertura dos Los Pirata, uma das melhores (a melhor?) banda indie brasileiro. Não é?
* Domingo
No Orbital, de novo, o último dia da turnê domingueira conjunta entre os Los Pirata (peraí, já falei dessa banda, não?) e do DJ Lúcio Ribeiro (...). Vai encarar?
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CHART SHOW
No balanção da parada, acho que o Le Tigre, o lançamento nacional, está sendo o CD indie mais consumido do momento. O Pulp aparece um pouco. E os "Greatest Hits" do Smashing Pumpkins e do Cure também. Penso eu, agora que vai sair os Pumpkins nacional, na semana que vem, a banda de Billy Corgan vai disputar o primeiro lugar de várias lojas. White Stripes também está chegando por aí.
* Bizarre - SP
(www.bizarremusic.com.br)
1º - "Le Tigre", Le Tigre (1)
2º - "Feminist Sweeptakes" - Le Tigre (4)
3º - "Hi-Fi Stereo", Sala Especial (EP) (5)
4º - "Rock Action" - Mogwai (3)
5º - "Golden Hits" - Thee Butchers' Orchestra (-)
* Cubo: Sounds - BH
(tel. (31) 3225-3824)
1º - "Cool Steps", DJ Patife (3)
2º - "Greatest Hits", Smashing Pumpkins (5)
3º - "Vespertine", Bjork (-)
4º - "Argument", Fugazi (-)
4º - "Death by Chocolat", De Phazz (-)
* London Calling - SP
(www.londoncalling.com.br)
1º - "Feminist Sweeptakes" - Le Tigre (-)
2º - "Greatest Hits", Smashing Pumpkins (-)
3º - "Greatest Hits", The Cure (-)
4º - "Very Best", Ocean Colour Scene (-)
5º - "I Might Be Wrong", Radiohead (-)
* Velvet CDs - SP
(www.velvetcds.com.br)
1º - "All Is Dream", Mercury Rev (-)
2º - "Le Tigre", Le Tigre (2)
3º - "We Love Life", Pulp (1)
4º - "Swangsong for You", Gentle Waves (-)
5º - "Can't Play Covers", Pullovers (-)
* Indie Records - SP
(indiecd@terra.com.br)
1º - "We Love Life", Pulp (-)
2º - "Greatest Hits", Smashing Pumpkins (-)
3º - "Greatest Hits", The Cure (4)
4º - "Death by Chocolate", De-Phazz (3)
5º - "Wonderland", Charlatans (1)
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MELHORES DO ANO
(PRIMEIRO BALANÇO + PROMOÇÃO)
O maior ano de shows internacionais no Brasil de todos os tempos, em qualidade e quantidade, 2001 está aí para ser lembrado. Principalmente se fizer a esperada duplinha com 2002 (Radiohead, Strokes...).
A hora é de recordar. Quais foram, para você, os três principais shows gringos no Brasil. Mande seu voto para lucio@uol.com.br e concorra aos seguintes prêmios:
* CD "Le Tigre", do... hã.. Le Tigre
* o lindo CD "Wonderland", do Charlatans
* um descolado EP de "Red", do grupo inglês Elbow, um dos mais festejados do ano.
O meu voto para melhores três shows no Brasil:
* Foo Fighters no Rock in Rio 3
* Fatboy Slim no Free Jazz Festival
* * Trail of Dead, no Sesc Belenzinho
Menção honrosa: show do Basement Jaxx no Free Jazz
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VENCEDORES DAS PROMOÇÕES
Confira, finalmente, os ganhadores dos suculentos prêmios da coluna passada. Cheque aí:
* Mariana Chammas
São Paulo, SP
prêmio: CD do Belle & Sebastian ao vivo em SP (Free Jazz)
* Térsio Novovick
Goiânia, GO
prêmio: "Le Tigre", do Le Tigre, e "White Blood Cells", do White Stripes, os lançamentos nacionais da Sum Records.
* Celso T. Nakamura
Santo André, SP
prêmio: o Le Tigre e o White Stripes da Sum
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Tchau pra você. Tchau pro George.
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Lúcio Ribeiro, 41, é colunista da Folha especializado em música pop e cinema. Também é DJ, edita a revista "Capricho" e tem uma coluna na "Bizz". Escreve para a Folha Online às quartas. E-mail: lucio@uol.com.br |



