Pensata

Lúcio Ribeiro

27/06/2002

E aí, alemão?

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* Bem, amigos da rede global.
Que beleza, que beleza, que beleza.
Vivemos tempos de euforia, mas é preciso ficar esperto. No lado B
brasileiro, a casa está caindo.
No meio das brumas da vitória, as aplicações bancárias estão com rendimento negativo, o risco-Brasil é absurdo, a violência galopa, o país pergunta quem é o tal namorado da Xuxa, o Arnaldo Antunes colabora no novo disco do Jota Quest.
Alguém precisa ver essas coisas.

* E, como está tudo parado mesmo, e o que interessa é Brasil x Alemanha, não há muito do que falar, fora futebol e o novo do Jota Quest. Então a coluna segue mais blogueira e do que já é. Só notinhas pá-pum.

* Nem vem. Brasil x Inglaterra não foi nada difícil, apesar do placar apertado. O feeling da coluna na semana passada estava correto.

* Elvis Presley nunca esteve tão vivo. Não bastasse ele estar na pista (DJ JXL), na TV (Nike), nos estádios da Copa (torcida dos EUA) e em primeiro lugar das paradas inglesas ("A Little Less Conversation"), Pelvis recheia a trilha sonora de "Lilo & Stitch", filme-desenho "da hora" que estréia nos cinemas nesta semana. Tem cinco tracks do Rei no soundtrack do filme, "Hound Dog" e "Heartbreak Hotel". O melhor: tenho duas cópias do álbum para PROMOÇÃO. Está a fim? Entra no sorteio do lucio@uol.com.br.

* Tenho uma relação especial com "Lilo & Stitch". Participei de um evento da Disney em Nova York, no ano passado, em viagem a trabalho pela Folha. Depois de assistir a um preview de toda a produção em animação que a Disney pretendia lançar nos meses seguintes, os jornalistas convidados foram levados a um jantar no topo de uma das torres do World Trade Center, de dolorida lembrança. Lembro que, no restaurante, fiquei conversando com um garçom do famoso Windows of the World, restaurante do WTC. O sujeito, simpático, era interessadíssimo sobre seleção brasileira. Falei que o time era muito capenga e que, se conseguisse a classificação para a Copa, teria tudo para fazer um papelão. A-hã! Bateu uma coisa, agora: que fim levou esse garçom, será?

* O inspiradíssimo "Lilo & Stitch" vale seu ingresso. É uma animação à la "Gremlins", história de um bichinho meigo (este da foto lá em cima) que na verdade é um monstrinho horrendo. Entendeu?
A trama, esperta, fala de um ser intergaláctico malandrão que, fugindo de outros ETs barra-pesadas, cai aqui na Terra e se transmuta em um cãozinho, exatamente quando uma pequena garota inferniza a mãe atrás de um bicho de estimação. Não dá para fugir do chavão para filmes de animação legais: "Lilo & Stitch" é extremamente encantador para meninos de 10 anos e meninos de 40 anos. E ainda por cima tem Elvis na trilha. Já li que salva a honra dos filmes de animação ou inspirado em desenhos, porque "Scooby Doo'' é uma droga.

* Dois álbuns bem legais foram lançados no Brasil na última semana. Ambos receberam "um trato" aqui em colunas antigas. São "Murray Street" (Universal), o novo do grupo veteraníssimo Sonic Youth, e "The Last Broadcast" (EMI), o segundo da carreira da banda inglesa Doves. Sonic Youth é Sonic Youth e não é novidade dizer que o álbum resulta em outra combinação inspirada de lirismo com distorção de guitarra. Parece não ter "hits" instantâneo, mas a banda, mais que madura, não liga muito para isso, de qualquer modo. Mas canções como "The Empty Page" e "Plastic Sun" são encantadoras, cada uma a seu modo. Se a cena nova-iorquina hoje traduz-se espetacular, ela tem a benção do Sonic Youth. Já o outro álbum, do Doves, de Manchester, é algo maravilhoso que ainda não entendi. Ouvi o disco pela primeira vez no meu carro, voltando para casa, e fiquei encantado de primeira. Fiquei pensando no que me atraiu: é britpop, mas o britpop está desgastado; é outro punhado de canções atrás do perfect pop de baladas iniciado com o Oasis em 1994/5, mas isso também já cansou. Quando eu descobrir, aviso.

* PROMO: então, você tem sorte. Tenho uma cópia do disco do Sonic Youth e uma do Doves aqui na minha mão, prontas para entregar a sorteio. O esqueminha é aquele: pedidos no lucio@uol.com.br

* Falando em Doves, outra banda excelente da fabriquinha inglesa de músicas lindas é o Coldplay, que está em resguardo esperando pela data de lançamento do novo CD, para sair da toca. Enquanto obro estas linhas, toca aqui nos meus ouvidos, neste momento (quinta cedo), direto da frequência virtual do meu computador, a música nova do Coldplay. Escuto a Virgin FM. A canção se chama "In My Place". É maravilhosa. A música acaba, a rádio fica em um longo silêncio de dois minutos, e aí volta o locutor da Virgin: "Não há muito o que falar depois de uma canção dessas... Coldplay. 'In My Place'." O novo álbum da banda sai no Brasil, pelas mãos da EMI, em agosto.


* "I think a smell a rat/ Oh, I think I smell a rat".

* Vocês viram a apresentação do White Stripes no sempre bacana MTV Movie Awards, que a MTV já reprisou várias vezes? Não???? Parabéns.

* Voltando à tragédia de 11 de setembro, relembrada acima. O toque não tem nada de pop, mas vá lá. No domingo próximo, às 20h, o canal pago de notícias CNN mostra um documentário impressionante pelo evento terrorista. É um especial de uma hora realizado pela HBO. É tudo o que todo mundo já viu, mas de umas tomadas novas. Como eu disse umas linhas atrás, impressionante.

* Voltando ao cinema, os EUA já devoram nas telas o filme "Minority Report", de Steven Spielberg e com Tom Cruise. A trama, pincelada aqui na semana passada, trata de uma polícia do futuro, que prevê os crimes que estão para acontecer e prende os autores antes desse executá-los. Tom Cruise é o chefe dessa polícia, que descobre a certa altura que ele também tem já sua hora marcada para cometer um crime. Sérgio Dávila, correspondente da Folha em Nova York, comenta "Minority Report": "É o melhor filme de Spielberg em anos. Adulto, mas com emoção suficiente para atrair o espectador-pipoca. Tom Cruise também está menos careiteiro do que de costume. Mas o principal é a leitura que o filme faz do futuro, de como será o dia-a-dia em 2054. Para isso, o diretor convocou um time de cientistas. O resultado é maravilhoso, com jornais interativos, lojas que reconhecem o consumidor e uma highway que deixa no pé a de 'Blade Runner'."
"Minority Report" já tem nome em português, "A Nova Lei", e estréia nos cinemas brasileiros no dia 2 de agosto.

* Outra espera cinematográfica é "Um Grande Garoto", filme baseado em obra de mesmo nome do escritor inglês Nick Hornby. Entra em cartaz aqui no dia 19 de julho. Rodrigo Salem, editor da "SET", veterana revista brasileira de cinema, diz o seguinte:
"O filme é divertido, mas não é como o livro... É mais
feliz, não tem fatos importantes da obra (porra, a morte de Cobain foi f***), finalzinho 'Oh, happy days' e o Will acabou virando um playboy inglês. Quase não tem referência à música pop (apesar da trilha). Mas ainda assim é bom de se ver..."
Só para lembrar, filme e trilha já lançada de "About a Boy" (nome original) tem "Silent Sigh", música maravilhosa do chatinho inglês Badly Drawn Boy. O disco ainda tem mais duas músicas de matar de tão boas. Estou quase desencanando de chamar o cara de chatinho.

* Mais White Stripes. Lembra a história do baixista do grupo Redd Kross, Steve McDonald, que se autodenominou um membro do White Stripes, mudou seu nome para Steve White, botou de zoeira seu baixo nas canções sem baixo do duo de Detroit, e tem colocado as músicas no reddkross.com? O site Globo News, deram uma olhada no que a "Rolling Stone" nova acabou de publicar e não teve dúvidas. Eis a notícia:
"Os White Stripes,
acrescentaram à sua formação o baixista Steve McDonald, ex-Redd Kross, o que
originou na imprensa o trocadilho "The White Stripes get Redd", os Listras
Brancas ficam Verrmelhos. GloboNews.com".
É sério. Não estou brincando.

* Se tudo der certo, em muito breve esta coluna terá a posse de duas cópias do CD especial do Oasis, que foi encartado na edição de domingo passado do "The Times", jornal inglês, que no dia vem com o óbvio nome de "Sunday Times". Vem com clipes, músicas do novo álbum em versão ao vivo, canções virtuais e outras coisas. Os discos serão colocados para sorteio aqui.

* Rodrigo Bueno, repórter esportivo da Folha, enviado especial ao Japão, manda um recado direto da Ásia sobre o Oasis, que toca em setembro para os nipônicos. Os ingressos para três shows do grupo em Tóquio começam a ser vendidos neste sábado. "O assunto no Japão agora, além de Copa do Mundo, é o Oasis. Fale aí na coluna que os japas e os estrangeiros aqui estão mais atrás de ingressos para o show do que para Turquia x Brasil ou para o jogo final."

* Semana passada tratei com mau humor uma reportagem que saiu no diário paulistano "Jornal da Tarde", a respeito das 10 maiores promessas para salvar o rock. Disse que o texto era cheio de boas intenções, falava dos excelentes Black Rebel Motorcycle Club, The Vines e outros, mas escorregava em passagens que apontavam como "manjadas" bandas como Cornershop e Yeah Yeah Yeahs. O redator da reportagem, Felipe Machado, escreveu a este colunista e lamentou que eu não entendi a ironia nas partes comentadas aqui. Não havia entendido mesmo. Lendo agora, com o aviso, faz sentido. Pensei que era mais um daqueles textos xaropes que circulam por aí. Estes que, em busca de autoafirmação, gasta tempo falando mal de bandas que nem são o assunto em questão, só para marcar posição. Devia ter desconfiado que não era o caso do JT", o melhor que cobre cultura pop destas bandas, fora o Rio Fanzine, encarte do Globo, o mesmo jornal que tem a manha de colocar o Jota Quest na capa de seu caderno de cultura.

* A notícia é empírica, mas pode estar nascendo, sobre iniciativa de uma grande casa de shows de SP, um festival de música independente, que deve atrair algum ou alguns nomes internacionais. O que der para informar, vou informando.


* Tenho para sorteio mais um exemplar da revista cyberpop "Play", que em seu quarto número, que chega às bancas nesta semana, traz um especial sobre os 50 artistas mais importantes hoje. A promoção é exclusiva para leitores de fora de São Paulo, que encontram dificuldades para encontrar a revista em outros centros, segundo me pareceu depois de inúmeros e-mails de reclamação. Pede seu exemplar no lucio@uol.com.br.


* Quero compensar a coluna atrasada e pequena com prêmios, você já deve ter percebido. Consciência pesada? Enfim, mande e-mail para lucio@uol.com.br e concorra a mais um espetacular CD "preparado", contendo The Vines, Libertines, Electric Soft Parade e Peaches (mais informações na coluna da semana passada). O CD foi um campeão de pedidos destes últimos tempos e serve de consolo para estes tempos pós-Audiogalaxy e pré-qualquer outro. Manda bala.

* Nesta sexta, cedo, a lista dos vencedores da semana passada.

* Então é isso. Desculpe o atraso e, ainda, desculpe a pressa. O Ronaldinho está me esperando. Mas na semana que vem, depois do título, acho que ele vai me deixar em paz, um pouquinho. Até o penta. Ou não.





Lúcio Ribeiro, 41, é colunista da Folha especializado em música pop e cinema. Também é DJ, edita a revista "Capricho" e tem uma coluna na "Bizz". Escreve para a Folha Online às quartas.

E-mail: lucio@uol.com.br

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