Pensata

Lúcio Ribeiro

13/11/2002

A polêmica do carneirinho

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"Carneirinho me dá lã, mé/ Passarinhos de manhã, né?"
Tribalistas

"Gonna save you, fucker/ Not gonna lose you/ Can't let you go/
Too important to me/ Baby, let yourself fall/ I'm right below you now"
Pearl Jam


Alô você.
Primeiro queria pedir desculpa. Não se faz uma enquete como a da semana passada, sobre os principais discos de 2002, em um ano tão frutífero para o rock como este. Todo mundo reclamou.
Mas a vida é assim mesmo.
Comprei o DVD de "Cães de Aluguel" ("Reservoir Dogs"), o primeiro filme do Tarantino. Todos os (três) filmes do cultuado cineasta americano saíram em edições especiais nos EUA.
Ainda me choco com a tese do começo do filme, que leva a acreditar que a música "Like a Virgin", da Madonna, é na verdade uma música sobre a mulher que na verdade é uma máquina de fazer sexo.
O pior é que me convenci disso. Repare na letra. É assombroso.
Só não é mais assombroso que a menina loira, rica e linda que matou os pais "por amor".
Tempos bicudos.

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POLÊMICA TRIBALISTA

Não dá para fugir, o disco/DVD/especial de TV desta re-encarnação pós-moderna visceral da Tropicália é o assunto do ano da MPB.
Este colunista, em um esforço descomunal e um exemplo de profissionalismo para os mais novos, se dignou a ouvir todas as músicas do disco (não inteiras, claro) e deu uma sapeada no especial de TV.
Devo ser muito (mais) ignorante em se tratando de música brasileira voltada à arte e genialidade, mas achei o disco um lixo descomunal, diferentemente da festiva imprensa que deu muuuuito espaço ao disco, elogiando muuuuuuuuito o mesmo.
Como não sou ninguém para falar de Brown/Antunes/Monte, trouxe duas vozes dissonantes para contribuir com opiniões sobre os Tribalistas, para mais bem orientar os leitores deste espaço, sedentos pelo assunto.
Dá uma olhada:

- Disco ótimo, Ilustrada:
"Três cabeças pensam melhor do que uma? Definitivamente sim, no que depender de 'Tribalistas'. Arnaldo Antunes vê diluídos os traços de conceitualismo banal que o atrapalham e oferece densidade poética que nem Carlinhos Brown nem Marisa Monte jamais possuíram. Brown livra-se do embaraço que tem em transmitir seus pontos de vista e presenteia alegria e liberdade que os outros nem sonhavam cobiçar. E Marisa alegoriza a síntese entre a racionalidade de Arnaldo e a espontaneidade de Brown"
Pedro Alexandre Sanches

- Teatrinho, site No Mínimo (www.nominimo.com.br):
"'Tribalistas' é um prato cheio para quem confunde pose com atitude, invencionice com invenção, ecletismo com mistura. Separados, Arnaldo Antunes, Carlinhos Brown e Marisa Monte têm méritos mais do que evidentes e cacoetes irritantes. Juntos, prevalecem os últimos nas 13 faixas que, compostas e executadas em conjunto, dão uma boa idéia da milenar arte de dizer/cantar o óbvio com ares de transcendência. Tudo em nome da alegria, tudo em nome do amor e daquela tal mudernidade caô."
Paulo Roberto Pires

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OS DIÁRIOS DE COBAIN




Banda que morreu há mais de oito anos junto com seu líder, o Nirvana mostra porque foi e ainda é tão marcante para a história do rock.
A qualquer espirro de alguém que mencione o nome da banda, uma onda de revival toma o pop e dá sobrevida para um grupo que, parece, nunca vai morrer, tal qual Elvis.
Então, o momento Nirvana atual é assim: tem disco novo da banda nas lojas, as rádios tocam Nirvana, novo e lindo clipe está em alta rotação na MTV, e revistas e jornais do mundo todo dá espaço nobre para toda foto que contenha nela a cara de Kurt Cobain.
Ainda por cima, já está nas livrarias extra-Brasil o famoso "Journals", os diários de Cobain, cujos trechos já foram reproduzidos à exaustão em publicações afora e mesmo aqui.
"Journals" nasceu depois que um amigo de Cobain e membro da banda Hole (da viúva Courtney Love) resgatou da casa do guitarrista, no dia de sua morte, seu caderno de anotações.
Nele Cobain escreveu canções, fez desenhos, refletiu sobre a fama, analisou a música pop, sua própria banda e as pessoas que "o compraram e o venderam" à indústria do disco.
"Journals" deve estar batendo nas livrarias de importados, certas lojas e bancas selecionadas do Brasil pelo final desta semana, enquanto não ganha seu lançamento nacional.
O jornalista Jotabê Medeiros, do "Estado", informa que a Livraria Cultura (av. Paulista, Conjunto Nacional) vai ter "Journals" já a partir desta quinta-feira. O preço será de R$ 125,80.

* O ótimo jornal inglês "The Guardian" publicou texto polêmico sobre o livro de Cobain. O artigo é escrito pelo grande Pete Townshend, da lendária banda britânica The Who. Cobain escreveu no seu diário que esperava morrer antes de virar um Pete Townshend. Era uma referência do líder do Nirvana à música "My Generation", do Who, famosa pelo verso "espero morrer antes de ficar velho". Pelo texto de Townshend, ele não gostou muito da citação de Cobain. No "Guardian", está aqui: http://books.guardian.co.uk/reviews/ artsandentertainment/0,6121,824650,00.html

* Já disse isso alguma vez, em algum lugar. A importância de uma banda de rock para a história pode ser medida quando ela ganha citação dos Simpsons. Mas isso aí embaixo já é demais.




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OUTRO LIVRO POP

Lançado agora em paperback (capa mole) nos EUA, o livro "Our Band Could Be Your Life - Scenes from the American Indie Underground 1981 - 1991" é uma ótima pedida para quem quiser aproveitar que está comprando o livro do Cobain.
Escrito pelo conhecido crítico americano Michael Azerrad (autor de "Come As You Are", outro sobre o Nirvana), o livro narra os bastidores da cena indie americana que veio depois do punk, se espalhou pelas college radios e foi explodir no grunge.
Os capítulos, 13, são divididos por bandas. Black Flag, Husker Du, Replacements, Sonic Youth, Mudhoney e Fugazi estão entre elas.
Bota na mesma sacolinha do "Journals" e boa leitura.

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AIR GUITAR PARA AS MASSAS

Essa é inacreditável.
Eu já tinha alarmado aqui na coluna que a TV Globo, toda-poderosa, havia encasquetado com o 1º Encontro de Air Guitar, promovido semana passada em São Paulo pelo Sesc.
Essa insólita manifestação artística roqueira, mais para coisa de maluco na verdade, apareceu no "SPTV", "Videoshow" e fechou o "Jornal da Globo".
A surpresa foi que, no último domingo, o "Fantástico" também prestou seu tributo aos caras que ficam fingindo que estão tocando guitarra. A revista eletrônica global não só cedeu bons minutos de seu disputado espaço para o air guitar como ainda levou dois guitarristas (Andreas/Sepultura e Roger/Ultraje) ao evento do Sesc.
Eis que soube que essa parte do "Fantástico", a dedicada ao air guitar, foi o pico de audiência do programa, atingindo extraordinários 45 pontos no Ibope, mais do que muita novela.
Imagina isso: de 30 a 35 MILHÕES de brasileiros, no último domingo, estiveram vendo uns "guitarristas" tocarem guitarra sem guitarra.

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FOO FIGHTERS E PEARL JAM

Isso não é novidade, os novos discos do Foo Fighters ("One by One") e Pearl Jam ("Riot Act") circulam pelas prateleiras nacionais. Bandas de certo parentesco, o primeiro (bacanudo) está até em promoção da coluna, e o segundo (mais ou menos) chegou às lojas daqui nesta semana.

* É uma delícia de tão normal o clipe de "All My Life", da banda de Dave Grohl. Não sei se já passa na MTV daqui, mas tem no disco nacional, que vem com um DVD bônus. O clipe é o de sempre: a banda em palco tocando sua veloz e barulhenta música de trabalho. Mas a edição de imagens melhora a cada quadro. Grohl não é fácil.

* Sobre o Pearl Jam, assim, ouvindo o disco novo, todo ele, do começo ao fim, a impressão que fica é que a banda de Eddie Vedder está mesmo datada e não consegue se inserir no rock atual. Isso nem é lá muito problema, pelos serviços prestados do grupo. Mas acontece que "Riot Act" realmente não se sustenta. Tem duas canções bem boas ("Save You", da epígrafe acima, é a melhor) e outras duas razoáveis. Mas e as outras 11?

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RUSH NO BRASIL

O cheiro de mofo está forte. Está chegando a hora de o Brasil finalmente curtir um dos mais esperados shows de sua história. Tudo bem que essa espera tenha levado 35 anos e a música da banda não faça mais sentido nenhum.
As apresentações são no fim do mês, mas o Rush e sua música empoeirada já são assunto obrigatório na MTV e nas "rádios rock" brasileiras. Todos "loucos" para ver a banda canadense em ação.
O legal é que, para qualquer peça promocional ou papinho sobre o Rush, usam sempre a mesma música, o clássico "Tom Sawyer". Mais nada.
Uma coisa é meu primo de 50 anos querer muito ver o grupo e tal. Outra é... Já gastei muito espaço com o Rush.

* Falando em dinossauro, os chatos Santana, Eric Clapton e (em menor escala de chatice) Rod Stewart tiveram seus discos soporíferos lançados no Brasil. Considere-se avisado.

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O MAIOR FESTIVAL DE TODOS OS TEMPOS NO BRASIL

Isso sim interessa. Radiohead, White Stripes, Wilco, Strokes, Foo Fighters e mais outras bandas bacanas dando show no Brasil. Mais precisamente em março, na cidade de Curitiba. Aí sim o bicho vai pegar.
Só que o empresário da banda White Stripes, que segundo consta era o nome mais próximo de fechar contrato com o superevento curitibano, avisou esta coluna, por e-mail, que não tem idéia de que festival é esse. E fala que não está nos planos da banda excursionar no mês de março. Resta esperar que o empresário do grupo esteja mentindo.

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CALCINHAS

Lembra do assunto, não é?
Pois um "Jornal do SBT" do começo do mês fez uma reportagem destacando a moda das meninas que usam a underwear lá em cima e a calça lá embaixo.
Explicou que ela surgiu da tribo dos skatistas americanos, mostraram modelos da peça e pediram a opinião de pessoas nas ruas.
Cool.

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A 'ROLLING STONE' ESTÁ CHEGANDO
(AO MÉXICO)


O México deu um chapéu no Brasil e já tem sua edição nacional da "Rolling Stone".
A publicação, um eterno projeto que não sai da prancheta dos argentinos para as bancas brasileiras, ganhou nesta semana sua versão mexicana com uma tiragem de 120 mil exemplares.
Traz na capa o grupo local Jaguares e vem com duas entrevistas da "matriz" americana: Bruce Sprinsteen e o cineasta espanhol Pedro Almodóvar.

* Quem sabe a "Rolling Stone" desencalacre seu projeto de dominação mundial e lance a edição brasileira de uma vez.

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A SUÉCIA E AS SUECAS

Falando em "Rolling Stone", matéria bacana sobre o rock sueco apareceu na revista cuja capa era a Christina Aguilera peladaça.
O motivo, talvez, era porque umas cinco bandas suecas estavam na América para o festival da CMJ (leia abaixo).
Sob o título "Swedish Hot Nights", trazia a seguinte chamada para o texto: "As mulheres são bonitas e o governo paga para você estar numa banda. Bem-vindo ao paraíso punk".
Falava do Hives (claro), da Division of Laura Lee, do Hellacopters, da Sahara Hotnights, do Soundtrack of Our Lives, entre outras.
Descrevia a cena local e, o melhor, esclarecia os cinco segredos da Suécia.

1. O inverno rigoroso: no inverno, o sol aparece às 9h30 e desaparece às 15h. Em dezembro e janeiro, em algumas cidades o astro iluminador nem dá as caras. É o caso da cidade da Sahara Hotnights.

2. Os impostos são absurdamente caros, mesmo para músicos: lá você dá ao governo metade ou 60% do que você ganha. Mas por dez dólares você pode fazer um transplante do coração.

3. As lojas de bebidas são de propriedade do governo.

4. Na TV só tem programas americanos: isso explica porque sueco fala tão bem inglês.

5. O número de mulheres lindas é alarmantes: "Sabe tudo aquilo sobre loirass maravilhosas e sexo livre. É tudo verdade. A mulher média na Suécia é muito mais bonita que a mulher média de qualquer outro lugar", contou o vocalista do Hives, Pelle Almqvist.

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ESPECIAL NOVA YORK




Estava devendo um especial decente colhido na última viagem a Nova York, a da cobertura do massacrante festival CMJ, o Music Marathon.
O material saiu publicado no caderno Ilustrada, da Folha, na última sexta-feira, e volta aqui em versão na íntegra (ficou bem menor no jornal), tipo "director's cut". Desculpe se você já leu na Folha. Mas muita gente não lê o jornal e, para aliviar um pouco, incluí várias informações novas e tal. Enfim.
Esse "novo" texto está pontuado por uma entrevista com Anthony Norma, líder da banda Radio 4, um dos brilhantes nomes da cena. Ao texto, então.

* A espetacular revitalização do rock, em processo desde que o grupo norte-americano Strokes gritou "Last Nite" e puxou uma fila imensa de novas bandas rumo ao olhar mainstream, caminha ampla, geral e irrestrita.
Essa higienização da então mofada música pop (localize-se: 2000/2001) custou a salvação de várias revistas especializadas em som independente, provocou o surgimento de outras, a reforma de publicações veteranas, chamou a atenção da imprensa sisuda, criou novos selos, estimulou a cultura dos MP3s, devolveu a graça à MTV, impulsionou festivais por toda parte.
Isso tudo você tem acompanhado há tempos aqui na coluna.
E agora que a poeira está baixando, algumas coisas começam a ficar mais claras.
Uma delas é que dentro do macrouniverso deste novo rock (localize-se: grupos americanos, ingleses, escoceses, suecos, australianos) existe um microuniverso bastante cintilante, que se revela, digamos, como a sede desses novos caminhos da música pop.
Esse local vibrante está no mapa acima, onde as setas indicam: a cidade de Nova York, ou, como vem sendo chamada, "The New Rock City". O mapa consta, não por acaso, da capa do CD da banda The Rapture, um do grupos mais importantes da cena nova-iorquina.
Isso ficou escancarado com o megaevento indie CMJ Music Marathon, que aconteceu na semana retrasada na principal cidade norte-americana. Por quatro dias, a música independente movimentou cerca de 900 grupos por 65 clubes de Manhattan e do hypado bairro do Brooklyn.
A organização do principal evento indie americano da história contabiliza o comparecimento de 70 mil pessoas em seus quatro dias, um recorde para a "família" CMJ, que entre outras coisas tem rádio, parada, revistas e... o festival.
E esse festival do CMJ, entre outros bons serviços à nova música jovem, evidenciou ainda mais a riqueza da cena local. Nova York e seus prédios gigantes têm sido balançados pela maior composição de rock, pop, punk, indie-dance, garagem, música eletrônica jamais vista num mesmo tempo em um mesmo lugar. Em quantidade e principalmente qualidade.
Depois do evento Strokes, a cidade faz pulular um sem-número de bandas das mais variadas tendências atuais, revivalistas ou não, que percorrem seus infinitos clubes, estão em destaque na prateleiras das megalojas, em clipes da MTV, atravessam a ponte e fazem do bairro do Brooklyn um outro efervescente centro de moda, som e atitude.
Os nomes são tantos: Yeah Yeah Yeahs, Rapture, Liars, Walkmen, Interpol, !!!, Radio 4, French Kicks, Moldy Peaches, Mooney Suzuky, W.I.T., Fischerspooner, Ben Kweller. E continua.
"A atenção sobre as bandas da cidade já está ficando insuportável, mas acho isso até bom, enquanto não destruir a cena", disse em entrevista o líder da banda Radio 4, Anthony Roman.
"Aqui em Nova York, a música viaja pelos prédios, está em todo lugar, na superfície e nos porões. Tem as lojas, tem os clubes, tem revistas, tem jornais, as pessoas só andam com discman. Aqui você tem que ter uma banda."
NY está nas letras dessas bandas, nas camisetas que vestem, nas roupas, nas capas dos discos.
"We've got our finger on the pulse of America" (Temos nosso dedo na pulsação da América), brada em música o cantor do nativo Liars.
No CMJ, show de banda nova-iorquina era uma festa, uma celebração. Na noite do Halloween, quinta-feira passada, !!! e Yeah Yeah Yeahs, de nomes diferentes e simbólicos, tocaram no mesmo lugar, no Irving Plaza.
O lugar encheu, ferveu, as bandas foram excelentes, o jornal "New York Times" adorou.
Strokes já lota grandes festivais na Europa. Radio 4 e Walkmen, "bandinhas" locais, já têm programadas vastas turnês no Velho Continente. Garotas inglesas copiam as roupas e o batom estourado da vocalista do Yeah Yeah Yeahs. O Brasil em breve recebe em edição nacional, via Trama, o disco de estréia do ótimo Interpol.
A cena de Nova York tem abduzido músicos de outras partes dos Estados Unidos. O menino-prodígio Ben Kweller, revelação do Texas e com disco já lançado por aqui, se mudou para Manhattan para fazer carreira.
O grupo !!!, pronuncia-se Chik Chik Chik, surgiu na Califórnia, mas começa a acontecer agora, depois que levou seu indie dance para Nova York.
"Repito: enquanto esta fase não for comida pela própria fama, Nova York é o lugar para aqueles que acordam de manhã e a primeira coisa que fazem é ligar o som e botar um CD", disse Roman, do Radio 4, para resumir.

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NEW ROCK CITY

O título acima é inspirado no apelido corrente da "swinging" Nova York. Já é visto em toda a imprensa local e foi recentemente tema de capa de um especial da revista "New York". Abaixo, segue um apanhado das principais bandas da cena nova-iorquina, para todo tipo de gostos indie. Mas não se engane: tem muito mais de onde saíram estas.

* Yeah Yeah Yeahs
Banda sem baixo, guitarra criativa e liderada pela impressionante vocalista Karen O, um editoria de moda ambulante, performática e de ótima voz. Os shows do grupo, sempre cheios, são obrigatórios.
o disco: Yeah Yeah Yeahs (EP)
a música: "Mistery Girl"

* Walkmen
Banda de art-pop. Som melodioso e triste que lembra grupos do pós-punk britânico como Echo & The Bunnymen, Smiths e Waterboys da primeira fase. O vocalista, Hamilton Leithauser, que trabalha no Metropolitan Museum of Art, canta gritado, de forma desesperada
o disco: "Everyone Who Pretended to Like Me Is Gone"
a música: "Wake Up"

* French Kicks
Britpop com tratamento americano. De formação inusitada, o baterista Nick Stumpf é o vocalista e líder do grupo. A bateria fica em primeiro plano no palco, nas elogiadas apresentações do French Kicks. Acredite: Nick dança sentado em seu banquinho, enquanto canta e toca.
o disco: "One Time Bells"
a música: "Wrong Side"

* Radio 4
É uma das muitas bandas indie-dance de NYC que busca sua sonoridade no pós-punk funkeado no underground americano dos anos 80. O som no fundo é rock'n'roll, mas a guitarra à la Gang of Four bota todo mundo para dançar.
o disco: "Gotham"
a música: "Eyes Wide Open"

* Rapture
Outra banda de art-pop, com um pé no indie-dance dos 80. Mistério: o trio toca em festas sem avisar e seus discos evaporam das lojas quando lançados. O vocalista, Luke Jenner, canta como um desmiolado, que vai da voz comportada à esquizofrênica em segundos.
o disco: "Out of the Races and onto the Tracks"
a música: "House of Jealous Lovers"

* Liars
A esquizofrenia também faz parte desse grupo, mais um da linha dance punk que domina o indie americano. Lembra a antiga banda do ex-pistol Johnny Lydon, a Public Image Ltd.. O líder do Liars, Angus Andrew, parece que canta com um megafone na boca.
o disco: "They Threw Us All in a Trench and Stuck a Monument on Top"
a música: "Mr. You're on Fire Mr."

* Interpol
Grupo de jovens vestidos com terninho que produz músicas tristes, em uma modernização americana e chique para o som inglês desesperador dos 80, leia-se Joy Division e Smiths.
o disco: "Turn on the Bright Lights"
a música: "PDA"

* LCD Soundsystem
Mistura de som electro com o art-pop do Talking Heads, é mais um nome de rachar assoalho em pista de dança. Banda de um cara só, o maluco (mesmo) James Murphy, articulador importante da nova cena nova-iorquina.
o disco: "Losing My Edge"
a música: "Losing My Edge"

* !!!
Banda originária da Califórnia mas que por causa da dance music descarada foi abduzido por NY, obriga o público a dançar sem parar nos shows, sob a pena de ser expulso do local. Pode ser chamada de "Pow Pow Pow"
o disco: "!!!"
a música: "There's No Fucking Rules, Dude"

* Southern State
Movidas por computador, três garotas brancas mandam um rap "com mensagens" que não se via desde os Beastie Boys, pela movimentação no palco.
o disco: "Hip Hop You Haven't Heard" (EP)
a música: "Dying in Stereo"

* W.I.T.
São as "Panteras" do som electro. Divas da febre Brooklyn, cabelos encaracoladas, passinhos de dança ensaiados, roupas brilhantes iguais, fariam sucesso se apresentando no Gugu. Pop frívolo sob som moderno.
o disco: "Whatever It Takes"
a música: "Ohh, I Like It"

* Ben Kweller
Menino-prodígio que tem a cara do Beck quando novo e toca guitarra, bateria, baixo, piano e o que for, Kweller, de 20 anos, faz pop bubblegum sobre o amor, tal qual fazia o Lemonheads.
o disco: "Sha Sha"
a música: Wasted & Ready"

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NOVA YORK AQUI

Está tudo na internet, desnecessário dizer. Ben Kweller e Strokes, todos estão cansados de saber, têm seus discos de estréia lançados no Brasil pela BMG.
A gravadora Trama prevê que a edição nacional do primeiro álbum do grupo Interpol chega às lojas até o fim de novembro, começo de dezembro.
CDs das outras bandas, importados, podem ser encontrados ou encomendados, por exemplo, nas lojas Velvet (www.velvetcds.com.br), Bizarre (0/xx/11/3331-7933), Indie Records (0/xx/11/3816-1220), London Calling (www.londoncalling.com.br), todas de São Paulo.

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UPLOAD E GOIÂNIA NOISE

Depois que o Star Guitar paulistano deu a largada para a temporada de bons festivais indies no Brasil, já que não temos outra alternativa mesmo, vêm aí o Upload, também paulistano, e o Goiânia Noise, cujo local o nome já entrega. Indiependência ou morte.

* NOISE - Goiânia vai tremer na semana que vem. Acontece nos dias 22, 23 e 24 de novembro a oitava edição do esperto Goiânia Noise, orquestrado pelo pessoal da Monstro Discos, responsável também pelo Bananada. Lobão, Violeta de Outono e Los Hermanos são as atrações "grandes" do evento bem tradicional no calendário indie nacional. Vai ter banda de oito estados. Só da cena goiana são 15. Alguns nomes de destaque: Snooze (SE), Detetives (SP), MQN (GO), Ambervisions (SC), Arsena Lupin (BA), entre muitos outros. O site da Monstro Discos (ponto com) garante mais informações.

* UPLOAD - Três noites de dezembro, dias 5, 6 e 7, reúnem na choperia do Sesc Pompéia uma boa casta do som independente nacional, de Los Hermanos a Los Pirata. De Leela a Objeto Amarelo. São 15 atrações no palco, mais exposição de arte underground, venda de fanzines, discos, livros, veiculação de videoclipes indies nos intervalos. No site www.festivalupload.com.br tem tudo e terá tudo sobre a segunda edição do festival paulistano. E confira a lista de promoções desta semana.

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POPICES

* MAIS CALCINHAS - É sério. A Lycra e a Tactel, duas marcas de componentes tecnológicos que chamam para si a "revolução" do mercado de lingerie, enviaram a seguinte informação para a imprensa.
"Ousadia e feminilidade marcam a tendência para a estação mais sensual do ano. E o underwear usado como outwear é a grande novidade para o verão 2003: calcinhas com detalhes diferenciados para serem usadas com calças de cintura baixa e ficarem à mostra. As "cuecas femininas", com elástico aparente, propagaram esta tendência, primeiramente entre as garotas que adotam o streetwear e o skate como estilo de vida."
Tais empresas citam que a rede de lojas Meia de Seda e as marcas Triumph, Darling e Hope estão preparando lançamentos para embarcar nesta "nova onda".

* GLOBO POP - Alguém escalou para a trilha da novela das 7 na emissora, a dos vampiros, a acachapante "Hate to Say I Told You So", do grupo sueco Hives. Se continuar assim, não vai demorar muito para o Fábio Massari ser convidado a apresentar um programa tipo "Lado B", no lugar deste novo programa da Regina Casé

* KID VINIL - Depois da lamentável perda do "Garagem", a música independente é salva em parte, na Brasil 2000 FM paulistana, com estréia de um programa triplo na emissora. Chama "Última Hora" e rola de quarta e quinta das 23h à meia-noite. No sábado à tarde tem um "Última Hora Especial", que resume o que foi veiculado nas edições de anteriores. O programa da quarta é mais voltado ao som indie. Na quinta, punk e garagem dos 60 até o grunge.

* REVELAÇÃO INGLESA NO BRASIL: Está em cartaz espalhado pela cidade. Não há razão para eu mentir. Diz que a "grande revelação britânica" Gene Loves & Jezebel (assim, com "&") faz show em Moema agora em novembro. Essa bandeca, que já veio ao Brasil há pelo menos 14 anos, é tão revelação do rock quanto o Joy Division. Vivemos isolados nesta terra pop arrasada, não?

* VINES GATINHOS: O site Rathergood já tinha feito isso com o White Stripes e ficou legal. Fazer um videoclipe da música "Fell in Love with a Girl" botando gatos tocando e uma platéia de gatos fazendo stagedive. Mas agora os caras capricharam. Pegaram a poderosa canção "Outtathaway", do grupo australiano Vines, e fizeram uma espetacular animação. Está aqui: www.rathergood.com/vines. Dá uma olhada no gatinho vocalista, indo de calminho a maluco, igualzinho ao Craig Nicholls.

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ENQUETE DA SEMANA
(PROMOÇÃO)

Fui sacana, reconheço. Pedir só dois votos de melhor disco em um ano como este foi abuso. Então a enquete do melhor disco do ano continua. Envie seu e-mail para lucio@uol.com.br e concorra aos prêmios abaixo. Quem já votou para a última coluna pode agora mandar sua indicação para outros dois discos. Quem está entrando agora na enquete deve indicar seus três, quatro CDs preferidos do ano. Todos estarão concorrendo a:

* O disco novo do Pearl Jam, "Riot Act", recém-lançado

* Uma camiseta oficial do festival indie Upload, que acontece dezembro

* O CD "One by One", do Foo Fighters, de capa branca e com DVD bacana, da edição limitada

* Um pôster da ótima banda nova-iorquina Yeah Yeah Yeahs.

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SEXTA CEDO

Volta aí, pela última vez. Vai ter aqui uma parcial da enquete "melhor disco do ano", o anúncio dos ganhadores da promoção da semana passada e ainda os vencedores da semana retrasada, que eu estou devendo.
Até daqui a pouco.
Lúcio Ribeiro, 41, é colunista da Folha especializado em música pop e cinema. Também é DJ, edita a revista "Capricho" e tem uma coluna na "Bizz". Escreve para a Folha Online às quartas.

E-mail: lucio@uol.com.br

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