Pensata

Luiz Caversan

23/06/2007

Casamentos

Poucas coisas são tão importantes na vida de algumas pessoas, sobretudo pessoas do sexo feminino, do que o casamento.

Não digo a instituição casamento, o ato consagrado pela lei e pelas igrejas que pretende unir de forma indelével um homem e uma mulher, em alguns casos supostamente até que a morte os separe.

O que mais chama a atenção, na verdade, é a animação, o frisson, a fantasia, enfim, que envolvem os casamentos em geral, alguns em particular.

Venho de uma família de moças e sei bem do que falo: a mulherada enlouquece quando alguém vai casar!

Semanas de preparativos, tecidos, roupas, costureiras, chapéus, meias, sapatos, maquilagens, depois os comes e os bebes, os adereços todos de cada um e da igreja, a mobilização, no caso da minha família, envolvia a todos, amigos inclusive.

Minha tia, grande modista, como se dizia à época, tratava dos vestidos. Os ternos eram da Garbo ou da Ducal. O chope chegava com bastante antecedência, naqueles barris de madeira cobertos de serragem, e os salgadinhos ficavam por conta da dona Sérgia, negra quituteira que virava noites literalmente com a mão na massa, tomando uns traguinhos e contando piadas sujas.

O tempo passa, o tempo voa e algumas coisas permanecem idênticas. Ontem mesmo liguei para minha comadre e levei um chega-pra-lá: "Não posso falar, estou me maquiando pra um casamento!".

Hoje quem vai a um casamento sou eu, e bastou eu dizer onde era o enlace nupcial (num clube bacana) para que minha acompanhante providenciasse imediatamente um longo decotado, chiquérrimo...

Costumo me divertir muito nos casamentos. Uma abertura nova para o mundo, de vez que a diversidade de pessoas normalmente é enorme, agregando tipos que você raramente veria reunidos. Dependendo de quem casa com quem, tem de tudo, de parte a parte, o que permite, ao observador atento, passeios muito interessantes pelos meandros do comportamento humano (para imbricar com o mundo cinematográfico, lembro aqui de duas obras primorosas, "Cerimônia de Casamento, 1978, do genial Robert Altman, e "Casamento Grego", 2002, de Joel Zwick).

Bem, como quase tudo na vida, será impossível prever, entre os brindes e quitutes de hoje à noite, se aqueles dois jovens serão felizes para sempre.

Mas, na dúvida: viva os noivos!

Luiz Caversan, 52, é jornalista, produtor cultural e consultor na área de comunicação corporativa. Foi repórter especial, diretor da sucursal do Rio da Folha, editor dos cadernos Cotidiano, Ilustrada e Dinheiro, entre outros. Escreve para a Folha Online.

E-mail: caversan@uol.com.br

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