Pensata

Luiz Caversan

21/07/2007

Família

Foi um abraço apertado

Amor, medo, alívio, prazer, estava tudo ali.

A família sobrevivente.

Pai, mãe, filha grandinha, filho pequenininho, Antonio, um anjo.

Salvaram-se todos.

Sabe aquele avião que pousou um pouco antes do outro, o que explodiu?

Então, eles estavam naquele, o que deu certo, o que foi abençoado por Deus, o que escapou, o que não foi.

Mas acabou sendo o exemplo da antitragédia.

Chegaram em casa e se abraçaram, forte. Como mãos, dedos entrelaçando-se numa prece.

O pequeno é meu afilhado; pai e mãe, compadres, a filha, uma querida.

Descobri que tenho uma outra família, na possibilidade da ausência dela; uma família mais que querida.

Redescobri a importância dessa e de qualquer outra família.

Venho de uma estirpe de contestadores, daqueles para quem a família nem sempre é o que deve ser.

Mas, na iminência da perda, eis que tudo se resolve.

Quando minha mãe morreu, minha madrinha me sussurrou no ouvido: Agora, sua mãe sou eu...

Pois é, os meus queridos foram abençoados, e vivem, lindos.

Agora, o meu amor cresceu.

Luiz Caversan, 52, é jornalista, produtor cultural e consultor na área de comunicação corporativa. Foi repórter especial, diretor da sucursal do Rio da Folha, editor dos cadernos Cotidiano, Ilustrada e Dinheiro, entre outros. Escreve para a Folha Online.

E-mail: caversan@uol.com.br

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