Luiz Caversan
Família
Foi um abraço apertado
Amor, medo, alívio, prazer, estava tudo ali.
A família sobrevivente.
Pai, mãe, filha grandinha, filho pequenininho, Antonio, um anjo.
Salvaram-se todos.
Sabe aquele avião que pousou um pouco antes do outro, o que explodiu?
Então, eles estavam naquele, o que deu certo, o que foi abençoado por Deus, o que escapou, o que não foi.
Mas acabou sendo o exemplo da antitragédia.
Chegaram em casa e se abraçaram, forte. Como mãos, dedos entrelaçando-se numa prece.
O pequeno é meu afilhado; pai e mãe, compadres, a filha, uma querida.
Descobri que tenho uma outra família, na possibilidade da ausência dela; uma família mais que querida.
Redescobri a importância dessa e de qualquer outra família.
Venho de uma estirpe de contestadores, daqueles para quem a família nem sempre é o que deve ser.
Mas, na iminência da perda, eis que tudo se resolve.
Quando minha mãe morreu, minha madrinha me sussurrou no ouvido: Agora, sua mãe sou eu...
Pois é, os meus queridos foram abençoados, e vivem, lindos.
Agora, o meu amor cresceu.
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Luiz Caversan, 52, é jornalista, produtor cultural e consultor na área de comunicação corporativa. Foi repórter especial, diretor da sucursal do Rio da Folha, editor dos cadernos Cotidiano, Ilustrada e Dinheiro, entre outros. Escreve para a Folha Online. E-mail: caversan@uol.com.br |
