Pensata

Luiz Caversan

04/08/2007

Vidas públicas, dores privadas

Você sabia que:

1 - A princesa Diana tentou se suicidar quando estava grávida de três meses de seu primeiro filho, William?

2 - É de Jackeline Kennedy a seguinte frase: "A primeira vez que você se casa é por amor, a segunda, por dinheiro, e a terceira, pela companhia."?

3 - A poeta Sylvia Plath iniciou um de seus diários com uma frase-símbolo para deprimidos em geral: "Talvez eu nunca seja feliz, mas esta noite eu estou contente."?

4 - Maria Callas foi convencida pelo amante Aristóteles Onassis a fazer um aborto com o argumento de que ele não queria perder o interesse sexual por ela depois que tivesse um filho?

5 - Tina Turner, numa das muitas vezes que tentou fugir de Ike Turner, foi espancada e estuprada pelo próprio marido?

6 - Joseph Goebels (ministro da propaganda de Hitler), o fotógrafo Frank Capa e o cineasta Alfred Hitchcock foram perdidamente apaixonados pela atriz Ingrid Bergman?

7 - Frank Sinatra iria pedir em casamento a atriz Marilyn Monroe pouco tempo antes de sua morte, "para salvá-la dela mesma"?

Estas e muitas outras curiosidades acerca de sete mulheres excepcionais do século 20 são a matéria prima do delicioso livro "Divas Abandonadas", de autoria da jornalista Teté Ribeiro, lançado recentemente em São Paulo (editora Jaboticaba, 256 pgs.)

Lady Di, Jackie O., Sylvia Plath, La Callas, Tina, Ingrid e MM tiveram em comum, além da celebridade em si, o fato de terem tido grandes desilusões, amorosas ou não, e, por conta delas, sofrido o abandono, a infelicidade, a dor -- principalmente no caso de Tina Turner, que vivia tomando bordoada do marido-cantor Ike Turner.

Mas o fascínio que elas exerceram ao longo de suas trajetórias de fama está justamente relacionado a esse paradoxo da "vida pública com dores privadas". É o que mais aproxima esses semideuses criados pela mídia, pelo poder político e pelo dinheiro da realidade comezinha das pessoas comuns.

Pessoas comuns sentem-se atraídas pelo incomum das pessoas diferentes, aquelas que se encontram plantadas nos pedestais da glória e/ou do glamour. Este fascínio é tão maior quanto mais contraste houver: a glória e os escândalos, o poder e o sofrimento, o sucesso intercalado com a ruína pessoal.

Sadismos à parte, talvez até tentemos entender um pouco da mítica desse mundo às vezes tão distante e tão perto, tirar dele algum aprendizado, nem que seja para saber o que evitar quando se chegar lá (no fundo, todo mundo quer chegar naquele "lá" onírico e inalcançável...).

Para ampliar esse conhecimento de vidas que fogem ao comum ou apenas para o exercício do voyeurismo puro e simples, o livro de Teté Ribeiro é perfeito.

Luiz Caversan, 52, é jornalista, produtor cultural e consultor na área de comunicação corporativa. Foi repórter especial, diretor da sucursal do Rio da Folha, editor dos cadernos Cotidiano, Ilustrada e Dinheiro, entre outros. Escreve para a Folha Online.

E-mail: caversan@uol.com.br

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