Alcino Leite Neto
18/05/2003
"Lobato: Estamos sendo contemporâneos de outro fenômeno histórico de maior importância: a rápida formação do Império Americano, o qual vai substituir o Britânico na missão civilizadora e construtora do mundo.
Pergunta: Mas o surto desse novo império não será uma calamidade?
Lobato: Por que, meu caro? Por que, se é por meio de impérios que o mundo se civiliza? O Império Romano não foi uma calamidade para o mundo, embora muitas vezes o tenha sido para os povos que lhe sofreram a dominação. E o Império Britânico foi um maravilhoso instrumento civilizador, embora os ingleses, muito naturalmente, cobrassem um alto preço pelo seu trabalho. Quem trabalha de graça?
Pergunta: E agora vem o Império Americano?
Lobato: Sim, é uma injunção da Fatalidade Histórica. Vem, crescerá, se desenvolverá tremendamente; depois entrará em decadência e morrerá, como está morrendo o britânico. E meus votos são para que o Império Americano tenha a linda morte que está tendo este. (...)
Pergunta: Acha possível então que um império formado com os imensos recursos dos americanos possa chegar ao fim e deixar que surja outro?
Lobato: Os impérios são como as goiabas: desenvolvem-se já com o germe dos bichinhos dentro; à proporção que crescem, os bichinhos também crescem e se multiplicam, e um dia a goiaba, minada pelos bichinhos, cai e se dissolve no chão".
(Em "Conferências, Artigos e Crônicas", ed. Brasiliense, 1959, págs. 319 e seguintes).
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Americanos em Pompéia
Os impérios são como goiabas
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Numa formidável entrevista de 1947, Monteiro Lobato, tradutor do ultraimperialista Rudyard Kipling e talvez o mais americanista dos escritores brasileiros, faz o interessante e saboroso prognóstico que transcrevo a seguir:"Lobato: Estamos sendo contemporâneos de outro fenômeno histórico de maior importância: a rápida formação do Império Americano, o qual vai substituir o Britânico na missão civilizadora e construtora do mundo.
Pergunta: Mas o surto desse novo império não será uma calamidade?
Lobato: Por que, meu caro? Por que, se é por meio de impérios que o mundo se civiliza? O Império Romano não foi uma calamidade para o mundo, embora muitas vezes o tenha sido para os povos que lhe sofreram a dominação. E o Império Britânico foi um maravilhoso instrumento civilizador, embora os ingleses, muito naturalmente, cobrassem um alto preço pelo seu trabalho. Quem trabalha de graça?
Pergunta: E agora vem o Império Americano?
Lobato: Sim, é uma injunção da Fatalidade Histórica. Vem, crescerá, se desenvolverá tremendamente; depois entrará em decadência e morrerá, como está morrendo o britânico. E meus votos são para que o Império Americano tenha a linda morte que está tendo este. (...)
Pergunta: Acha possível então que um império formado com os imensos recursos dos americanos possa chegar ao fim e deixar que surja outro?
Lobato: Os impérios são como as goiabas: desenvolvem-se já com o germe dos bichinhos dentro; à proporção que crescem, os bichinhos também crescem e se multiplicam, e um dia a goiaba, minada pelos bichinhos, cai e se dissolve no chão".
(Em "Conferências, Artigos e Crônicas", ed. Brasiliense, 1959, págs. 319 e seguintes).
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Alcino Leite Neto, 46, é editor de Domingo da Folha e editor da revista eletrônica Trópico. Foi correspondente em Paris e editor do caderno Mais! Escreve para a Folha Online quinzenalmente, às segundas. E-mail: aleite@folhasp.com.br |
