Valdo Cruz
Tremendo vacilo
No episódio do furto de computadores da Petrobras, até agora não dá para entender por que informações sigilosas e estratégicas da estatal e do país estavam guardadas num contêiner, navegando de Santos até Macaé? Sinceramente, se realmente eram informações tão importantes como admitem a Petrobras e o presidente Lula, por que embarcá-las num navio, sob guarda de uma empresa que não a estatal? Desleixo, descuido, falta de critério ou algo proposital? Seja o que for, foi um tremendo vacilo de quem é responsável pelo comando da Petrobras. Algo tão valioso não poderia estar transitando assim, de qualquer jeito, como parte de uma carga da empresa.
Dentro do Palácio do Planalto, há quem suspeite até de interesses de outros governos nas informações sigilosas contidas nos computadores e disco rígido furtados no início de fevereiro. O governo considera o fato tão importante que mandou o diretor-geral da Polícia Federal, Luiz Fernando Corrêa, acompanhar de perto e coordenar as investigações. Pode ser que, no final, o inquérito da PF venha mostrar que tudo não passou de obra de ladrão pé de chinelo. Isso não vai amenizar a responsabilidade da Petrobras no episódio. O país sairá ileso na história, já que dados estratégicos não terão escapado entre os dedos da estatal para cair nas mãos de concorrentes --sejam empresas ou governos. Mas a estatal ficará com o vexame de ter deixado algo tão valioso andando por aí, à disposição do primeiro ladrão que aparecesse. Resumindo: o sistema de segurança da Petrobras, uma das maiores empresas do mundo, é totalmente frágil.
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Subindo a ladeira
E a popularidade do presidente Lula vai subindo, a despeito de cartões corporativos. Foi o que mostrou a mais recente pesquisa do instituto Sensus. Índice melhor só havia sido registrado logo depois da posse, antes que o desgaste do ato de governar começasse a corroer parte do capital político do então presidente eleito. Fica claro que Lula vai surfando nos bons números da economia e na ampliação dos programas sociais. E os números desse início de ano ainda não indicam que o país irá sofrer em demasia com a crise norte-americana. Os dados do comércio mostram que o mercado interno, motor do crescimento acima de 5% do ano passado, continua aquecido.
Bom sinal para o presidente Lula e seu futuro candidato à sucessão. Se o vento não mudar, a oposição, leia-se PSDB, terá trabalho duro pela frente na campanha presidencial de 2010. Importante registrar que a mesma pesquisa mantém o tucano José Serra, governador de São Paulo, como o favorito para a sucessão de Lula. Como o PT ainda não tem nome forte para a próxima eleição presidencial, a dúvida é sobre o potencial de transferência de votos de Lula para o candidato que ele decidir ungir. É com isso que os petistas contam.
A pesquisa do Sensus mostra, contudo, que por enquanto os candidatos petistas estão numa posição raquítica. O instituto lançou três nomes aos eleitores: os ministros Tarso Genro (Justiça), Dilma Rousseff (Casa Civil) e Patrus Ananias (Desenvolvimento Social). Os três ficam empatados tecnicamente no cenário em que disputam a eleição com José Serra, com 4,9%, 4,5% e 3,4% respectivamente. Apesar do empate, Tarso aparece na frente de Dilma. Tem, inclusive, desempenho melhor numa simulação de segundo turno contra José Serra. O ministro da Justiça perde, ficando com 10,1% da preferência do eleitorado, contra 9,2% de Dilma.
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Valdo Cruz, 46, é repórter especial da Folha. Foi diretor-executivo da Sucursal de Brasília durante os dois mandatos de FHC e no primeiro de Lula. Ocupou a secretaria de redação da sucursal e atuou como repórter de economia. Escreve às terças. E-mail: valdo@folhasp.com.br |
