Valdo Cruz
Esticando a corda
Fernando Pimentel, o prefeito de Belo Horizonte, decidiu junto com seu grupo esticar a corda. Ainda não a ponto de rompê-la, mas deu uma bela esticada ao aprovar em convenção municipal o nome de Roberto Carvalho para vice-prefeito e uma moção de repúdio à decisão da Executiva nacional do PT, que proibiu o partido de fazer aliança com o governador Aécio Neves (MG). Será que a corda vai arrebentar? E do lado de quem?
Amigos de Pimentel apostam que o prefeito petista ganhou fôlego com as declarações do presidente Lula em entrevista aos jornais dos "Diários Associados", concedida após a reunião da Executiva que vetou o entendimento articulado entre o prefeito de BH e o governador mineiro.
Ali, Lula não endossou a decisão da direção nacional de seu partido. Foi noutra direção. Disse que se Pimentel e Aécio consideravam conveniente a aliança, tudo bem, que assim seja feito. E ainda fez elogios ao prefeito, destacando suas qualidades administrativas. O que o presidente não comentou, porém, e que adversários de Pimentel consideram fundamental, é que a forma como o prefeito conduziu o processo não foi do agrado de Lula.
O presidente preferia que Pimentel tivesse envolvido os ministros mineiros nas negociações --os petistas Patrus Ananias (Desenvolvimento Social) e Luiz Dulci (Secretaria Geral) e o peemedebista Hélio Costa (Comunicações)--, além do vice-presidente José Alencar. Não foi assim que aconteceu. E se assim tivesse feito, por sinal, muito provavelmente a aliança ou não sairia ou teria outros nomes na sua composição, não alguém tão ligado ao governador mineiro como seu secretário Márcio Lacerda. Se ficaria melhor ou pior, aí é outra conversa.
O fato é que se já tinha uma dimensão nacional, a cúpula petista acabou potencializando esse aspecto no entendimento entre Fernando Pimentel e Aécio Neves. O que parece expor uma tendência de volta ao passado de pelo menos uma parte da cúpula do PT, de um grupo mais isolacionista. Talvez um reflexo antecipado do que pode vir a ser o futuro do partido sem Luiz Inácio Lula da Silva nas campanhas eleitorais.
Mineiros
Os ministros Patrus Ananias e Luiz Dulci não gostaram nem um pouco da aproximação de Fernando Pimentel e Aécio Neves em Belo Horizonte. Mas é justo destacar que, depois daquela reunião com o presidente Lula, com a participação de Fernando Pimentel, os dois entenderam a avaliação favorável do chefe em torno da aliança com o tucano em Minas. Tanto que chegaram a divulgar que aprovavam a ampliação da aliança entre PT e PSB na disputa pela Prefeitura de Belo Horizonte, incluindo o PSDB na coligação. Só queriam, contudo, e ainda desejam, que os nomes da chapa sejam outros. Preferiam, por exemplo, Ana Lúcia Gazzolla, ex-reitora da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), no lugar de Márcio Lacerda.
Em busca da solução perdida
Não é a inflação dos alimentos que mais tira o sono do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. É o derretimento do dólar. Para o primeiro problema, ele acha ter solução à vista, além de acreditar que ele é passageiro. Já para o segundo dilema Lula ainda quebra a cabeça na busca de encontrar a medida para deter a valorização do real.
Recentemente, Lula desabafou com auxiliares dizendo que já conversou com economistas de todas as tendências, ortodoxos e heterodoxos, de dentro e de fora do governo, mas até agora não encontrou nenhuma solução para a perda de valor do dólar que está prejudicando as exportações brasileiras. Mostrou, porém, que mantém a disposição de achar uma saída.
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Valdo Cruz, 48, é repórter especial da Folha. Foi diretor-executivo da Sucursal de Brasília durante os dois mandatos de FHC e no primeiro de Lula. Ocupou a secretaria de redação da sucursal. Escreve às terças. E-mail: valdo@folhasp.com.br |
