Pensata

Valdo Cruz

16/06/2009

Troca de favores

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A melhor e mais reveladora definição sobre a crise envolvendo o Senado veio do senador Epitácio Cafeteira (PTB-MA) ao justificar a contratação de um neto do presidente da Casa, José Sarney (PMDB-AP). O senador maranhense resumiu tudo a uma troca de favores. Nomeou o neto de Sarney, sem o conhecimento deste, porque devia favores ao filho do colega, Fernando Sarney.

Simples assim. Fico imaginando o que um trabalhador brasileiro, vítima da atual crise econômica, sem emprego, deve pensar dessa pérola. Como não tem um senador que lhe deve favores, um belo emprego de R$ 7 mil está fora de cogitação no momento.

O fato é que o Senado virou uma casa de favores. E não deveria ser. Hoje, centro das atenções da crise, o senador José Sarney é apenas mais um de seus personagens. Posso estar enganado, mas dentro da Casa dificilmente encontraremos um senador que não tenha cometido pelo menos um pequeno desvio. Que eles, senadores, consideram normal, porque assim era a prática e ninguém até então tinha dado transparência a esses atos.

A lista é enorme. Vai de um celular custeado por verba pública emprestado a uma filha ao uso de verba de viagens para pagar jatinhos. Contratação de filha de ex-presidente da República para trabalhar em casa a uso da verba de auxílio-moradia para comprar flats em Brasília. Empreguinho para amigos, filhos de amigos, parentes, então, sempre foi normal. Daí que o presidente Sarney admite ter indicado uma sobrinha de sua mulher para um cargo no Senado. Não é ilegal. É normal. Mas não deveria ser assim.

Acaba perpetuando uma categoria, a de parente ou amigo de político, na classe dos privilegiados. Esses nunca estão ameaçados pelo desemprego, ao contrário da maioria dos trabalhadores. Mas tudo aos olhos dos senadores não passa de uma prática antiga, tradição da Casa. Só que o mundo da notícia em tempo real, da busca pela transparência, está expondo esse lado arcaico, atrasado e patrimonialista do Senado.

Sarney se defende dizendo que foi iniciativa sua a contratação da Fundação Getúlio Vargas para passar a limpo a administração da Casa. Correto. Mas sua própria iniciativa, mesclada pela guerra de bastidores detonada pela sua eleição para o comando do Senado, transformou-o em alvo do processo. Seus atos foram expostos publicamente, ao julgamento da opinião pública. Ele reclama que, até aqui, só os seus atos têm ganhado destaque. Tem sentido. Há decisões de outros senadores que também deveriam ser tornadas públicas.

Um erro, ou desvio, seja lá o que for, porém, não justifica o outro. Reforça, contudo, a avaliação de que a saída mais fácil e vantajosa para os membros da Casa hoje seria a renúncia de Sarney. Poderíamos ver repetida a velha cena de sempre. Sacrifica-se um para salvarem-se todos, ou pelo menos quase todos. A hora é de punir sem distinção, e realmente passar a Casa a limpo.

Valdo Cruz Valdo Cruz, 48, é repórter especial da Folha. Foi diretor-executivo da Sucursal de Brasília durante os dois mandatos de FHC e no primeiro de Lula. Ocupou a secretaria de redação da sucursal. Escreve às terças.

E-mail: valdo@folhasp.com.br

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Comentários dos leitores
JOÃO RAMOS LOPES RAMOS (36) 14/11/2009 13h06
JOÃO RAMOS LOPES RAMOS (36) 14/11/2009 13h06
ADIANTA ANULAR A ELEIÇÃO?
Eu te respondo EDUARDO. Adianta sim Eduardo. Se a eleição for anulada, mudaremos todos os deputados federais e 2/3 do senado, isto no próximo pleito.
Se vai melhorar eu não sei e acho que ninguém sabe.
Só saberemos tentando. Se nunca tentar-mos, como vamos saber. Por isso, temos que tentar. Além do mais, ao anular-mos uma eleição, estaremos mostrando aos políticos que deixamos de ser vaquinhas de presépio e sabemos o que queremos. Se quiser, pode continuar dizendo que não adianta, enquanto eu, contnuarei insistindo na minha campanha pelo voto nulo.
sem opinião
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eduardo braga (37) 14/11/2009 11h42
eduardo braga (37) 14/11/2009 11h42
"Senador diz que Battisti entrou em greve de fome; defesa desconhece informação"
Que se mate.Não fará falta a Itália nem ao Brasil.
Contudo seria interessante ver a JUSTIÇA brasileira
acatar assassino cruel, perverso, covarde e contumaz como mero criminoso político. Ficaria bem
evidente para qualquer um onde está o foco de todo o mal que vem arruinando o povo brasileiro há
mais de 100 anos de República.
FALTA JUSTIÇA DE VERDADE.
sem opinião
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eduardo braga (37) 14/11/2009 11h14
eduardo braga (37) 14/11/2009 11h14
E adianta anular eleição?
Os partidos não têm boas opções a oferecer.
A legislação continua a mesma, induzindo e estimulando a corrupção e todo tipo de imoralidade
política-administrativa na esfera federal, na estadual e na municipal.
Deus salve o Brasil!
sem opinião
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