Pensata

Valdo Cruz

29/09/2009

Dilma: hora de recuperar-se do prejuízo

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Recebido o sinal verde dos médicos, de que "encontra-se livre de qualquer evidência de linfoma, com saúde excelente e podendo retornar a sua rotina normal", a ministra Dilma Rousseff entra agora na fase que seus amigos chamam de "recuperar-se do prejuízo". O objetivo é fazer com que ela se estabilize na faixa de 15% a 20% nas pesquisas de intenção de voto nos próximos meses. Mais próxima de 20% do que 15%.

Os últimos meses foram desfavoráveis à pré-candidata petista, escolhida pelo presidente Lula para disputar sua sucessão. O tratamento contra o câncer linfático obrigou-a a reduzir o ritmo de viagens e de trabalho, diminuindo sua exposição pública.

Além disso, essa fase de recolhimento coincidiu com uma onda de notícias negativas, que repercutiram mal junto ao eleitorado --a defesa veemente que ela fez do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), quando o peemedebista enfrentou uma grave crise naquela Casa, e o embate com a ex-secretária da Receita Lina Vieira, quando a oposição buscou colar nela a imagem de mentirosa.

Tudo isso somado fez a ministra recuar nas pesquisas. No último levantamento feito pelo Ibope, ela caiu quatro pontos percentuais, ficando num dos cenários com 16%, empatada com Ciro Gomes (PSB-CE) na disputa pela preferência do eleitorado. Pesquisas internas do PT indicaram o mesmo movimento de queda, um pouco menos acentuado. Pouco. Estancar esse movimento é classificado como vital pelos petistas.

O clima, avaliam lideranças petistas, tende a voltar a ficar favorável. A crise no Senado está praticamente superada, salvo algum fato imponderável, e a polêmica envolvendo Lina deixou as páginas dos jornais. Com isso, avaliam os estrategistas da candidatura de Dilma, a hora é de traçar uma ofensiva para que a ministra volte a ganhar exposição pública. O que passa por mais viagens e mais entrevistas, quando deve procurar se "soltar cada vez mais".

Ela vai continuar sem admitir oficialmente a candidatura, mas a orientação é para que comece a falar como tal, fazendo a defesa de um projeto de continuidade do governo Lula. Nas palavras de um amigo, falar em tese de um "projeto de Brasil".

Nessa estratégia de se recuperar do prejuízo, os petistas avaliam como lidar com um dos fatores negativos que impactaram negativamente a intenção de voto em Dilma --a crise envolvendo o PMDB no Senado. Segundo pesquisas feitas pelo PT, foi esse o principal ponto negativo dos últimos meses. As declarações da ex-secretária da Receita Lina Vieira, de que teria se encontrado com Dilma para tratar de fiscalizações em empresas da família Sarney, teriam tido um impacto bem menor. De acordo com uma pesquisa petista, ao ser questionado qual seria o fato político mais importante dos últimos trinta dias, 25% responderam que era a crise do Senado envolvendo o peemedebista Sarney. Apenas 2% teriam citado o caso Lina Vieira.

Nas palavras de um amigo de Dilma, o PT tem, nesse momento, esse problema a enfrentar, esse mal-estar da opinião pública em relação à crise que atingiu o PMDB. Sair batendo no PMDB, como indiretamente fez Ciro Gomes, o PT não pode. O governo Lula precisa dos peemedebistas para seguir governando e Dilma tem de assegurar o apoio do partido para engordar seu tempo de TV na campanha eleitoral. Daí que a torcida é para que o PMDB saia definitivamente do alvo daqui para a frente. Aí, nem sempre é possível. A conferir.

Valdo Cruz Valdo Cruz, 48, é repórter especial da Folha. Foi diretor-executivo da Sucursal de Brasília durante os dois mandatos de FHC e no primeiro de Lula. Ocupou a secretaria de redação da sucursal. Escreve às terças.

E-mail: valdo@folhasp.com.br

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