Valdo Cruz
Quando janeiro chegar
Enquanto o governador José Serra (PSDB-SP) segue empurrando com a barriga, até quando puder, sua definição sobre seu futuro político em 2010, a cúpula do tucunato começa a se mexer para que tudo seja resolvido em janeiro do próximo ano. A cúpula partidária não deseja passar a imagem de que cedeu ao ultimato do governador Aécio Neves (PSDB-MG), mas também não quer esperar tanto tempo pela decisão de Serra. O paulista prefere aguardar até março.
Reservadamente, Aécio Neves já confidenciou a integrantes da direção tucana que aceita a data. O governador mineiro havia exigido uma definição do partido até dezembro sobre a escolha do candidato do PSDB à Presidência da República. Agora, diz que pode esperar mais um mês. Não faria muita diferença. Além dessa data, porém, ele considera que não dá. Aí, lança sua candidatura ao Senado por Minas.
Óbvio que tudo isso não deve ser comprado pelo valor de face. O governador mineiro avalia que, para ter chances reais de disputar a eleição presidencial, precisaria começar já no início de 2010 uma busca de alianças com partidos hoje na base aliada de Lula e intensificar suas viagens para elevar seu grau de conhecimento junto ao eleitorado. Agora, se Serra vier a desistir, o que nas circunstâncias atuais é pouco provável, o tucano mineiro com certeza iria para o "sacrifício". Ele tem tempo suficiente para perder uma eleição e se cacifar para a próxima.
Candidato escolhido
A depender, porém, do que anda dizendo o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso nas conversas reservadas, o candidato tucano já está escolhido e pronto. A mais de um interlocutor, FHC foi claro, nas últimas semanas, que para ele José Serra é o candidato a presidente pelos tucanos no próximo ano. Deixa a entender, inclusive, que aprova a decisão de Serra de, publicamente, não decidir nada até março. Para FHC, o governador paulista já decidiu, será o candidato presidencial do PSDB, mas age certo ao não se expor cedo demais. Só que o próprio ex-presidente também sabe, como bom conhecedor da alma do amigo, que tudo pode mudar. Vai depender dos ventos... da economia. A conferir.
Se estiver bombando...
Apesar de todas essas certezas, que por enquanto não são explicitadas, há dentro do PSDB quem acredite muito mais na candidatura de Aécio Neves. O raciocínio é conhecido e muito usado pelos aliados do mineiro. Se a economia estiver bombando no próximo ano e Dilma Rousseff começar a crescer nas pesquisas, Serra desiste dos planos presidenciais e opta pela reeleição certa ao governo de São Paulo. Essa possibilidade, contudo, é completamente rechaçada pelos amigos do governador paulista. Nesse grupo, ninguém acredita numa desistência de Serra.
E se a grana minguar...
Talvez seja mais fruto de exageros eleitorais, mas na cúpula tucana há um grande temor de que Dilma Rousseff seja privilegiada nas contribuições eleitorais em 2010. Aquela história de que os grandes doadores abrem o bolso na mesma proporção para os dois candidatos favoritos não se repetiria no próximo ano. Há quem diga que a relação pode ser de R$ 3 para Dilma e R$ 1 para Serra. Aí, sinceramente, é mais do que exagero. A conferir no final da eleição.
![]() |
Valdo Cruz, 48, é repórter especial da Folha. Foi diretor-executivo da Sucursal de Brasília durante os dois mandatos de FHC e no primeiro de Lula. Ocupou a secretaria de redação da sucursal. Escreve às terças. E-mail: valdo@folhasp.com.br |
