Macunaíma, 80 anos, é uma síntese do que é ser brasileiro
da Folha Online
A professora de língua e literatura Noemi Jaffe, autora de "Macunaíma", da série "Folha Explica", e co-autora de "Lendo Música", analisa a importância da obra de Mário de Andrade. Ouça outros podcasts da série "Olhar Literário", que reúne depoimentos de autores de livros lançados pela Publifolha, o braço editorial do Grupo Folha.
Jaffe explica que o livro, lançado em 1928, provocou uma revolução na linguagem brasileira por apresentar um texto que permitia erros de português, um personagem com três raças [índio, negro e branco] e a mistura de vários tempos e regiões do Brasil. O escritor traz discussões como a cultura submissa, dívidas do país e a falta de um caráter nacional definido. A busca por um cultura autônoma é retratada no livro com uma mistura de crendices, costumes, comidas e plantas de todas as regiões, não se referindo a nenhuma delas, mas dando um aspecto de unidade nacional.
Segundo a escritora, o livro abrange toda a história do país. "Este personagem é uma síntese do que é ser brasileiro e a Antropofagia descobriu que o que une todos os brasileiros é a nossa heterogeneidade". [O Movimento Antropófago foi fundado pelo escritor Oswald de Andrade e sua principal proposta era de o Brasil devorar a cultura estrangeira e criar uma cultura revolucionária própria.]
Noemi Jaffe afirma que "Macunaíma" ainda tem muito a ensinar e que diversos assuntos abordados por ele, na época de sua publicação, ainda são atuais: a dificuldade de sobrevivência nas capitais e como a máquina altera a relação do homem com a natureza. "Não é um livro histórico, é um livro atual e moderno que a gente sempre precisa reler", declara a escritora.
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