Abertura política em Cuba deve ocorrer a longo prazo
da Folha Online
Nesta terça-feira, o ditador Fidel Castro anunciou a renúncia à Presidência de Cuba e a seu cargo de comandante do Partido Comunista após 49 anos na liderança da ilha. Fidel já havia transferido seus poderes ao irmão Raúl Castro, 76, em julho de 2006, quando se afastou do comando da ilha por motivo de doença.
Aldo Fornazieri, cientista político e diretor acadêmico da FESPSP (Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo), comenta a renúncia do ditador. O cientista diz que Cuba irá acelerar o seu processo de abertura econômica, mas deve manter restrita a área política, mesmo processo ocorrido na China.
Recentemente, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, junto com empresários, visitou a ilha e anunciou investimento de mais de US$ 1 bilhão. "Uma maior liberalização econômica, mas com a continuidade do controle político do país por parte do partido comunista", diz Fornazieri.
Segundo o cientista, uma abertura política deve ocorrer a longo prazo. Ele afirma que Cuba, em relação aos exilados que estão no EUA, tem uma certa vantagem, pois trata-se de uma ilha que não tem fronteiras, ou seja, geograficamente é mais protegida contra invasões. "Nesse sentido, os exilados que estão em Miami têm pouco poder de pressão política contra o país."
Quanto ao futuro presidente dos EUA, Fornazieri fala que não haverá razões para que o país continue a promover o embargo econômico. "O novo presidente norte-americano, seja ele democrata ou republicano, tende a buscar uma abertura política em relação a Cuba."