Invasão do Iraque divide sociedade norte-americana, diz especialista
da Folha Online
A invasão do Iraque liderada pelos EUA completa cinco anos com um saldo maior de mortos do que de avanços na estabilidade geopolítica da região. A OMS (Organização Mundial da Saúde) afirmou, em janeiro, que o número de civis mortos oscila entre 104 mil e 223 mil. A organização não-governamental IBC (Iraq Body Count) afirma que entre 82.249 e 89.760 civis morreram desde março de 2003. Confira cobertura completa da Guerra no Iraque.
Segundo a ONG National Priorities Project, um grupo independente que mede os gastos governamentais em diversas áreas, os conflitos já consumiram mais de US$ 504 bilhões [R$ 859,82 bilhões] dos cofres públicos americanos.
Carlos Melo, professor do Ibmec São Paulo e cientista político doutor pela PUC (Pontifícia Universidade Católica) de São Paulo, diz que o presidente do EUA, George W. Bush, comemora a invasão porque é a lógica de sua política de governo, apoiada por um setor do partido republicano e por parte da sociedade norte-americana declaradamente belicista e disposta a manter o país em uma posição unilateral de polícia do mundo.
"Há, portanto, determinantes ideológicos que não só fazem Bush comemorar como também compreender que a ação norte-americana no Iraque foi um sucesso. Dentro dessa lógica, talvez tenha sido mesmo. Ocupou-se um espaço e se desalojou um inimigo", diz.
De acordo com o professor, o custo da intervenção foi elevado, uma vez que muitos americanos acreditavam que a ocupação e a democratização do Iraque seria acolhida pela população local e isso não ocorreu. O resultado foi a morte de muitos jovens americanos.
"Depois, soldados norte-americanos acabaram por fim se utilizando de alguns expedientes em relação aos prisioneiros que de modo algum dignificam a imagem de respeito aos direitos humanos que, pelo menos parte da população norte-americana, sempre pareceu acreditar e defender", explica Melo.
O cientista político diz que outro ponto importante do conflito foi o fato de o governo Bush ter recorrido à mentira como forma de intervenção. "Jamais foi provado que o Iraque realmente possuía o arsenal de armas nucleares. Paralelamente, organismos internacionais foram desrespeitados. Pode-se dizer que esta guerra tornou ainda mais nítida a profunda divisão da sociedade norte-americana, o que tende a se refletir na próxima eleição", conclui.
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