Disputa entre Obama e Hillary pode favorecer McCain; ouça professor
da Folha Online
O senador Barack Obama mantém vantagem sobre Hillary Clinton na disputa pela candidatura do Partido Democrata à Presidência dos EUA, segundo o instituto Gallup. Na pesquisa divulgada nesta segunda-feira (31), o pré-candidato aparece com 52% das intenções do eleitorado contra 42% da senadora por Nova York. A consulta foi feita entre os dias 27 e 29 de março.
Flávio Rocha, professor do curso de Relações Internacionais da Faculdade Santa Marcelina, diz que o episódio é interessante, uma vez que mostra um fato novo na política americana. Confira cobertura completa sobre a corrida presidencial nos EUA.
"Nós temos um candidato negro que consolida uma base de votos muito grande, principalmente no importante eleitorado negro e no cada vez mais importante eleitorado hispânico, e que é publicamente oposto à Guerra do Iraque, tendo a possibilidade de vencer a indicação dos democratas e se tornar o novo presidente dos EUA", diz o professor.
Segundo Rocha, porém, existem alguns problemas nesta disputa. O primeiro é que Hillary ainda está no páreo e sendo uma forte candidata tem a possibilidade de reverter o jogo. "Ela só poderia perder esta possibilidade se os apoios começassem a minguar e se nós tivéssemos, por exemplo, uma indicação de que o apoio econômico que ela tem nas suas bases começasse a sumir das suas campanhas, ou seja, uma falta de dinheiro indicaria que a senadora teria que jogar a toalha."
O segundo problema, de acordo com o professor, é que Obama precisa conquistar uma boa vitória até junho, pois, caso contrário, os democratas terão que decidir esta eleição na base da burocracia partidária, por meio dos superdelegados.
"Nesse conjunto de superdelegados, o casal Clinton tem grande prestígio. O fato é que a senadora pode consolidar neste caso uma vitória. Aí, o Partido Democrata vai ter um outro problema. Se Hillary conseguir a vitória ou mesmo se Obama terminar vencendo as indicações da prévia somente em junho, o partido vai chegar extremamente dividido", diz Rocha.
O professor afirma que, desta forma, a situação pode favorecer o candidato republicano Jonh McCain. "O que a gente vai observar nos próximos meses é uma polarização dentro do partido democrata e, depois, entre democratas e republicanos, que no final das contas vai terminar monopolizando boa parte da atenção da comunidade internacional para as eleições norte-americanas no final do ano."
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