"É difícil condenar alguém com base em testemunhos", diz perito
da Folha Online
A perícia cometeu alguns erros de procedimento quando foi pela primeira vez ao apartamento de Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá, pai e madrasta da menina Isabella, que foi jogada do sexto andar, afirma Ricardo Molina, perito e professor da Unicamp (Universidade de Campinas). O crime aconteceu no último dia 29, na zona norte de São Paulo.
Segundo ele, o local não foi devidamente lacrado pela polícia. "Houve possibilidade de qualquer um que tivesse as chaves entrar no local. Na verdade, o apartamento só foi lacrado na quarta perícia, então ficou alguns dias disponível e alguma pessoa pode ter entrado voluntária ou involuntariamente e ter criado ou apagado evidências que pode confundir o trabalho da perícia", diz o professor.
Para Molina, baseado em tudo o que foi dito até agora pelas testemunhas, há indícios de que houve uma discussão poucos minutos de o corpo ter sido jogado pela janela. "Há uma contradição em relação à família ter subido junto. Há testemunhas que dizem isso, o que entra em contradição com a versão dos acusados. O grande problema é que testemunho no Brasil não é uma prova contundente. É muito difícil condenar alguém com base em testemunhos."
De acordo com o perito, os indícios apontam para o casal, uma vez que não há nenhuma evidência divulgada até agora sobre a participação de uma terceira pessoa envolvida no crime. "Não foi visto ninguém entrando ou saindo do prédio pelo porteiro ou qualquer outro morador. A porta estava fechada, isto está no depoimento dos acusados. É um tanto improvável que alguém tenha fugido do local e ter se preocupado em fechar a porta", explica Molina.
Reportagem de André Caramante publicada pela Folha mostra que o casal deve ser indiciado pela morte da menina e que, depois, a polícia pedirá à Justiça a decretação da prisão preventiva de ambos. A decisão ocorreu depois que a Polícia Civil e o Ministério Público Estadual confirmaram que Isabella foi agredida pela madrasta e jogada do sexto andar do Edifício London, na Vila Isolina Mazzei, pelo próprio pai.
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