Ser mãe depois dos 40 anos pode ser ainda melhor; ouça escritora
da Folha Online
A maternidade aos 40 anos pode ser melhor do que aos 20, pois a mulher se torna menos exigente consigo e aproveita melhor a nova fase.
A informação é da escritora Judith Brito, 50, administradora de empresas do Grupo Folha. Aos 23 anos, Judith teve o primeiro filho, João, e aos 43, Mateus. Ouça outros podcasts da série "Livros".
As mudanças notadas por ela no intervalo entre uma gestação e outra resultou na criação do livro "Mãe é Mãe" - Experiências da Maternidade na Juventude e na Maturidade, editado pela Publifolha.
"De fato o mundo havia mudado muito. Há 20 anos o país vivia a agitação da luta pela democratização, eram quase todos contra a ditadura. Em meio as minhas trapalhadas de mãe de primeira viagem, eu ainda carregava meu filho nas andanças contra o regime", conta Judith.
Segundo a autora, a politização impregnava todas as situações e o simples fato de beber uma Coca-Cola era uma atitude condenada pelo anti-americanismo do período.
Ao ter o segundo filho, a administradora constatou que as diferenças não eram só na área política, mas também no mercado de enxoval para bebê, que agora apresentava facilidades que antes ela não teve acesso, como fraldas descartáveis, babás eletrônicas e orientação de como educar filhos.
Apesar das transformações realizadas nessas duas décadas, a administradora afirma que a maior modificação foi a interna. "Foi muito diferente e muito mais tranqüilo ter um filho já 'quarentona', porque eu já tinha aprendido a rir das minhas imperfeições", explica Brito.
A escritora diz que ao contar a notícia da segunda gravidez, as pessoas a parabenizavam, mas ela sentia que elas, mesmo sem comentar, se espantavam com o fato de ela querer arranjar uma nova "sarna para se coçar".
Entre todas as questões que envolviam esta segunda gravidez, a que mais a preocupava era entender se estava "curada" da mania de perfeição que a perseguia nos cuidados com o primeiro filho e que a transformava em um "verme" quando as coisas não davam certo.
"Demorou para cair a ficha de que a missão era impossível e que eu iria sim errar, como todas as mães. Pensei no quanto eu havia mudado com a maturidade, no quanto a minha vida está mais leve, e que agora até consigo rir de mim mesma", explica a autora.
De acordo com a administradora, foi importante provar para si que se consegue atender um desejo intenso, mesmo contrariando as conveniências da vida.
"Mais importante que tudo: pude confirmar que ter filho é sim arrumar sarna para se coçar, mas é a melhor sarna que existe. Essas sarnas fazem a vida valer a pena", declara Judith Brito.
Quer ser avisado dos podcasts da série "Livros"? Basta utilizar seu canal em RSS. Para aprender a mexer no RSS, clique aqui.
Leia mais
- ÁUDIO:Adolescentes podem regular sono com disciplina
- ÁUDIO:Amamentação não é tão simples assim; ouça escritora
- ÁUDIO:Livro reúne artigos sobre educação familiar
- Incubadoras afetam batimentos cardíacos de bebês, diz estudo
- Aos oito meses de gravidez, Camila Pitanga fala sobre chegada de Antônia
Livraria
- Autora relata experiência de ser mãe aos 23 e aos 43 anos
- Livro detalha concepção e gravidez depois dos 35 anos
- Livro mostra de maneira simples e divertida os diferentes tipos de mães
Especial

