Podcast
13/05/2008 - 10h12

Cobertura jornalística em 1978; ouça Frederico Vasconcelos

da Folha Online

A cobertura da imprensa sofreu dificuldades em 1978, período em que a região do ABC, em São Paulo, era o centro das atenções do país e das decisões políticas.

A informação é de Frederico Vasconcelos, repórter especial da Folha e responsável por um blog que reúne textos investigativos. Ele diz que havia militância política dos repórteres que escreviam sobre o movimento sindical e que os jornalistas que cobriam esta área eram marginalizados nas redações. Ouça outros podcasts com a participação do jornalista.

Frederico Vasconcelos

Segundo Vasconcelos, neste período também não era possível avaliar o número correto de pessoas que participavam de greve ou uma manifestação, situação que foi resolvida com a metodologia do Datafolha, que consegue medir com exatidão as aglomerações urbanas.

"Por outro lado, também demorou muito para que a cobertura da área sindical fosse tratada como relações normais de capital e trabalho. Havia muito interesse naquele período das empresas multinacionais que tinham filiais no ABC em acompanhar o fenômeno do movimento sindical. Mas havia muita resistência também do sindicato ao capital estrangeiro e até também na própria imprensa", explica o jornalista.

Frederico se recorda de uma ocasião em que foi necessário intervir na reunião da Conclat (Conferência Nacional da Classe Trabalhadora) para evitar que um correspondente do "Wall Street Journal" fosse retirado do encontro, pois havia suspeita de que ele era um agente infiltrado da CIA (agência de inteligência dos EUA).

"Um registro que acho interessante sobre este período é que eu tive o privilégio de ser assessor de imprensa do secretário da Industria e Comercio do primeiro governo democrático de São Paulo, o Einar Kok, que era um empresário muito à frente de seu tempo. Ele havia presidido o Sindicato da Industria de Máquinas, que era o sindicato patronal, o primeiro a negociar com Lula naquele período", conta.

De acordo com o jornalista, Kok dizia que uma qualidade em Luiz Inácio Lula da Silva admirada e respeitada por todos empresários era o cumprimento de todos os acordos fechados em reuniões reservadas.

"Eu acho que essa é uma das características da habilidade política dele que teve ter facilitado essa trajetória do movimento do ABC, com a greve marcante da Scania, até chegar à presidência da República", comenta o jornalista.

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