Republicanos cada vez mais fortalecidos nos EUA; ouça cientista político
da Folha Online
O senador Barack Obama vem conquistando um número maior de delegados, mas ainda não conseguiu uma vitória expressiva sobre a ex-primeira-dama e senadora Hillary Clinton, que se nega a deixar a disputa do partido democrata.
As informações são do cientista político Flávio Rocha de Oliveira, professor do curso de relações internacionais das Faculdade Santa Marcelina, de São Paulo. Ouça outros podcasts sobre as eleições nos EUA.
Segundo o cientista político, Hillary ainda tem uma grande capacidade de mobilizar os superdelegados dentro da convenção democrata.
"A partir do momento que Obama vai consolidando a sua vitória, para a senadora Hillary Clinton só resta tentar virar o jogo tecnicamente, recorrendo aos superdelegados e especificamente esperando pelos resultados que vai acontecer dentro do partido democrata, a respeito dos delegados de Michigan e da Flórida", explica o professor.
Oliveira diz que os dois Estados, eleitoralmente importantes, anteciparam as suas votações e quebraram a regra interna do partido, por isso foram inicialmente excluídos da contagem dos delegados. "Se esses Estados forem contabilizados na disputa, a balança volta a pender para a senadora Hillary Clinton", declara.
O professor fala que no próximo final de semana será realizada uma reunião final entre a direção do Partido Democrata e os representes de Michigan e da Flórida para tentar solucionar o problema de suas eleições.
De acordo com o cientista político, essa possível solução tem que levar em conta os interesses do senador Barack Obama, que não quer ver os resultados das prévias desses Estados favorecendo a senadora, e os interesses de Hillary, que gostaria de utilizar esses resultados a seu favor.
O professor diz que as regras de funcionamento do Partido Democrata também devem ser consideradas, pois a falha destes Estados não pode ser simplesmente perdoada.
Flávio Rocha Oliveira afirma ainda que os democratas estão tendo uma atitude anti-política, pois se restringem a falar sobre a disputa entre Hillary e Obama. Ele explica que não foram estabelecidas estratégias de ação partidária para fortalecer um candidato que possa enfrentar os republicanos, especificamente o senador John McCain.
"Se as negociações entre o grupo do Obama e o grupo de Hillary Clinton não avançarem com a mediatização da burocracia do partido democrata, a possibilidade dos republicanos serem reeleitos vai ficar cada vez mais forte", afirma.
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