Para professor, reforma ortográfica causará problemas econômicos
da Folha Online
Portugal aprovou no dia 16 de maio o acordo ortográfico que unifica a forma de como a língua portuguesa é escrita nos países lusófonos. As mudanças do idioma passam a valer em seis anos em Portugal. No Brasil, os livros escolares devem ser mudados até 2010.
Segundo Sérsi Bardari, mestre em Filologia e Língua Portuguesa e doutorando em Estudos Comparados de Literaturas de Língua Portuguesa pela USP (Universidade de São Paulo), é preciso considerar que por trás da implantação de um novo sistema de normas para a escrita estão em jogo interesses políticos-econômicos e ideológicos.
"O fenômeno não é recente. Se reportarmo-nos ao passado, descobriremos no Renascimento europeu o ponto de partida de um processo que conduziu à produção de dicionários e gramáticas de praticamente todas as línguas do mundo na base da tradição greco-latina. Esse processo mudou profundamente o modo de comunicação humana e deu ao Ocidente um meio de conhecimento e dominação sobre as demais culturas", explica o professor da UMC (Universidade de Mogi das Cruzes).
Bardari diz que a língua é um sistema vivo, dinâmico, que se modifica para além das normatizações impostas e que qualquer unificação terá valor transitório. "O modo de falar e também de escrever o português continuará transformando-se de maneira diferente em cada país, em cada localidade. Têm-se, como exemplo, as próprias variações lingüísticas verificadas no interior do nosso Brasil."
De acordo com o professor, a nova reforma ortográfica causará problemas econômicos, já que mobilizará significativa soma de verbas no processo de revisão e reedição de importantes de obras de referência, como gramáticas e dicionários.
"Creio, portanto, que esse dinheiro seria mais bem empregado no aprimoramento das técnicas de produção de alimentos, uma vez que, comprovadamente, é de comida que a humanidade cada vez mais precisa", conclui Bardari.
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