Consumidor paga pelo excesso de água em congelados; ouça Maria Inês Dolci
da Folha Online
Pesquisa recente da Pro Teste (Associação Brasileira de Defesa do Consumidor) detectou que um terço do peso dos filés de merlusa congelados das marcas Costa Sul e Leardini (ambas de Santa Catarina) era de água (íntegra disponível apenas para assinantes da Folha ou do UOL).
Segundo Maria Inês Dolci, coordenadora institucional da Pro Teste, colunista da Folha e responsável por um blog da Folha Online, o consumidor vai ao supermercado comprar peixe ou frango e o que paga, em boa parte nesses produtos, é pelo gelo. "É preciso dar um basta a essas fraudes econômicas por excesso de absorção de água nesses alimentos congelados." Ouça outros podcasts com a participação da advogada.
Dolci explica que a adição de água é necessária para a conservação do peixe e não há regra no Brasil que defina o teor máximo nesses produtos. No caso do frango, o excesso de líquido é uma reclamação antiga do consumidor brasileiro.
Segundo ela, as denúncias freqüentes apontam para excesso por parte dos fornecedores, ultrapassando os 6% permitidos. "Tais irregularidades decorrem da injeção de água ou substâncias que propiciam a retenção do liquido pela carne do frango influenciando na quantidade em prejuízos dos consumidores."
A colunista conta que recentemente o juiz Roberto Lemos dos Santos Filho, da 1ª Vara da Justiça Federal de Bauru, obrigou a União a fazer em todo o Brasil fiscalização dos congelados. De acordo com o Ministério Público Federal, no mercado circula frango congelado com até 40% de água.
"Para o juiz, em momento algum a União demonstrou a eficácia e eficiência da fiscalização do método de controle da comercialização. O juiz reconheceu que a União tem infringido o código de defesa do consumidor", diz Dolci.
A advogada revela que desde de 2000, quando foi criado um programa de combate à fraude por adição de água em carcaças de aves, pelo menos dois terços das 183 empresas que industrializam frangos no país já foram autuadas pelo Ministério da Agricultura.
"As irregularidades dizem respeito apenas à produção voltada ao mercado interno. Em 11 indústrias, o teor de hidratação da carne de frango passou do dobro permitido. Em três empresas a água representou mais de 20% do peso do produto fiscalizado", conclui a colunista.
Em nota, a empresa Leardini comunicou que não concorda com os resultados por não ter um representante presente nos testes. Solicita, portanto, que nas próximas avaliações tenha direito de indicar um representante para acompanhar os testes. A empresa lembra ainda que o pescado importado representa 80% do produto congelado consumido no Brasil.
A reportagem procurou a empresa Costa Sul, mas não encontrou os representantes para comentar o assunto.
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