Mercado inicia semestre com perspectivas nada animadoras; Toni Sciarretta
da Folha Online
Os poucos dias úteis deste segundo semestre mostram que as perspectivas para os mercados financeiros não parecem nada boas. São poucos os analistas que se arriscam a emitir uma opinião definitiva sobre o que de fato deve acontecer.
As informações são de Toni Sciarretta, repórter do caderno Dinheiro da Folha. Ouça outros podcasts do jornalista.
Segundo o jornalista, esse pessimismo diz respeito à escalada mundial da inflação que ocorre apesar das perspectivas de crescimento fraco no mundo. Ele afirma que as origens dos problemas atuais estão na soma de inflação com a crise.
"Aquilo que os economistas chamam de estagflação [queda do ritmo de crescimento da economia global] não tem lógica econômica pois, se as pessoas compram menos, porque têm menos dinheiro, os preços teriam de cair", constata o repórter.
Os pessimistas falam em uma "bolha do petróleo" movida pela especulação de fundos de investimento que, segundo ele, não teria condições de se sustentar em longo prazo.
"Isso porque a bolha estimula a inflação no mundo, força a queda nas vendas do setor automobilístico, corrói a renda das pessoas, redunda na diminuição da demanda e, conseqüentemente, queda nos preços. Se isso acontecer, seria o estouro da bolha do petróleo. O mesmo raciocínio vale para o que se chama de bolha ou inflação dos alimentos", diz Sciarretta.
Em meio a tantas discordâncias, parece haver um "quase consenso", segundo Sciarretta. Um deles é que o pior da crise do "subprime" (as hipotecas de segunda linha dos EUA) já teria passado. Ou seja, as maiores perdas já teriam sido assumidas ou aparecido nos balanços dos bancos.
De acordo com o jornalista, o sistema financeiro se sofisticou demais --e aprendeu com as crises anteriores-- que não vale a pena colocar a sujeira debaixo do tapete. Assim, dificilmente algum novo cadáver importante poderia emergir.
"Por outro lado, o mundo sai dessa primeira fase da crise mais pobre e com menos recursos para consumir. Tudo isso em um ambiente de inflação que, de novo, corrói a renda. Então, agora que viria a parte mais lenta das perdas, que vem com o ciclo da desaceleração, que mina as perspectivas de lucros ascendentes no mundo. Se isso se confirmar, sair desse ciclo será o maior desafio para o mundo pelo menos até 2010. Sim, porque é uma crise longa", constata Sciarretta.
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