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10/07/2008 - 12h26

Comentário de Isabeli Fontana no programa da Hebe foi desastroso; ouça Destaques GLS

da Folha Online

No dia 30 de junho, a modelo curitibana Isabeli Fontana, 24, disse no programa da apresentadora Hebe Camargo, no SBT, que não gostaria de ter um filho gay. A declaração da top model, mãe de dois filhos, foi alvo de diversas manifestações, gerando polêmica entre os que apóiam sua opinião e aqueles que ficaram indignados com o comentário.

Sérgio Ripardo, editor da Ilustrada da Folha Online e colunista de "Destaques GLS", conversa com a locutora Vanessa Teodoro sobre a importância do papel das celebridades no combate ou na propagação do preconceito contra homossexuais.

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Sérgio Ripardo

"O que mais importa nesta discussão não é se ela quer ter ou não um filho gay, mas o que ela fala, porque a gente vive em uma sociedade muito preconceituosa, então, uma declaração dessas atinge proporções imensas", diz Teodoro, simpatizante do movimento GLS.

Ripardo considera o comentário de Fontana desastroso e acredita que ela vai sofrer as conseqüências no mundo da moda, apesar de ter se explicado depois. "As modelos influenciam comportamentos, elas não podem ser um cabide. Tanto que você vê a Gisele [Bündchen] que fica tentando se promover com causas ambientais. Cada vez mais, modelos tentam superar essa imagem de que são apenas cabides de roupas. Elas têm de mostrar um discurso construtivo na sociedade", comenta o editor.

Segundo o jornalista, a diversidade sexual é um termo governamental. "O presidente Lula, neste ano, abriu uma conferência de gays e lésbicas, em Brasília. Pela primeira vez neste país o chefe da República, a pessoa mais importante na política do país, foi a uma conferência e fez um discurso. Você vive em um momento que não dá para fingir que não existe essa questão", explica o jornalista.

O editor diz que, mesmo o programa da Hebe não tendo uma grande audiência, a divulgação da opinião da modelo foi potencializada com a internet. O vídeo em que a apresentadora aparece comentando o seu ponto de vista foi bastante acessado no Videolog, chegando a liderar o número de visitas. "Isso [a internet] torna a repercussão bem maior e por mais tempo", afirma o editor.

A locutora, que é mãe de um bebê, diz que o amor materno pode amenizar o sofrimento do filho homossexual, que já padece com as diferentes formas de discriminação.

"Você não precisa virar militante para ser pai de um filho gay, mas também não precisa simplesmente romper relações, expulsar de casa, levar no 'espírita', e achar que existe alguma forma mágica que vai fazer o seu filho deixar de ser gay. Tem que dar apoio e tentar proteger, se realmente ama", diz o jornalista.

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