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18/07/2008 - 12h00

Heath Ledger é digno de um Oscar póstumo de ator coadjuvante; ouça crítico

da Folha Online

O novo filme do Batman, uma das estréias mais aguardadas de 2008, revela o lado negro do ser humano em uma versão sombria, pessimista e excessiva.

As informações são de Christian Petermann, crítico de cinema e colaborador do Guia da Folha. Ouça outros podcasts do Guia da Folha Online.

Christian Petermann

Ele diz que "Batman - O Cavaleiro das Trevas", de Christopher Nolan, tem como chamariz principal a presença do ator por Heath Ledger, morto em janeiro, que seria digno de um "Oscar póstumo de ator coadjuvante". Petermann afirma que o Coringa apresentado por Ledger desbanca o interpretado por Jack Nicholson, na versão de 1989.

"O Coringa que o Jack construi no primeiro Batman, com Michael Keaton, parece palhaço de festinha de criança se comparado com a composição presente no Cavaleiro das Trevas, porque este Coringa é ameaçador, assustador, simplesmente porque ele é louco e descontrolado, realmente uma pessoa sem o menor pudor e eixo moral", explica o colaborador do Guia da Folha.

O crítico fala que ninguém passará incólume pelo terror e desespero mostrado no longa-metragem, talvez um dos blockbusters mais sombrios de que se tem notícia.

Em se tratando de estréia brasileira, Petermann indica a produção independente e distribuída em poucas cópias digitais "Nome Próprio", do diretor Murilo Sales, um cineasta preocupado em abordar o mundo dos jovens na sociedade moderna. "Um filme intimista, existencial, em cima do texto de Clara Averbuck, uma 'pequena ídola' entre leitores jovens", comenta.

Petermann diz que a protagonista é interpretada pela atriz Leandra Leal. Ela é blogueira, e escreve em seu site pessoal poemas e pensamentos. "Uma protagonista complicada, porque não abre concessões. Ela é quem é, pisa no pé de quem for pisar, erra do jeito que ela for errar. Todo um processo para amadurecer, se tornar adulta e se descobrir escritora", conta o crítico.

De acordo com ele, a atuação de Leandra Leal é excelente, por conseguir traduzir todas as nuances da protagonista de forma primorosa, e Murilo Salles faz um belo trabalho para o público jovem.

Petermann diz que o que não o agradou em "Nome Próprio" foi o texto de Clara Averbuck, que é pueril e ingênuo, cujos questionamentos precisariam ser mais consistentes para atrair atenção de outros perfis de espectadores.

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