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12/08/2008 - 12h21

Lei Cidade Limpa reduz impressões de santinhos; ouça presidente da Abigraf

da Folha Online

Em ano eleitoral, o setor gráfico estima que até R$ 500 milhões de receitas adicionais sejam gerados com os serviços de impressão para campanhas políticas. Isso equivaleria, para o ano, um acréscimo de 2%, o que representaria para o segmento um crescimento de 30%, somente no segundo semestre.

As informações são de Alfried Plöger, presidente da Abigraf (Associação Brasileira da Indústria Gráfica), que diz que existem modos de trabalho que dificultam a precisão dos dados, pois há a impressão legítima --quando a gráfica utiliza o seu papel. Plöger diz que há casos em que o candidato fornece o material e empresas do ramo que doam o serviço.

Alfried Plöger

"Em outros momentos fica complicado o registro, porque o candidato já consumiu a sua cota, então aquilo é faturado sob outra forma", explica.

De acordo com presidente da Abigraf, uma série de trabalhos são feitos de uma forma não transparente. "Hoje, você é obrigado, em qualquer trabalho que faça, colocar o CNPJ e o nome do candidato, isso nem sempre é feito, por mil e uma razões. Eu costumo dizer que essa cifra é a mais difícil de estimar e de checar", comenta.

Segundo Plöger, em São Paulo, provavelmente os vereadores não utilizarão muito os santinhos para divulgação nesse ano, por conta da lei Cidade Limpa.

"Isso é uma restrição muito forte, você não pode jogar santinhos na rua ou jogar nos jardins, o que é complicado. Se faz mais santinhos que se entrega de mão em mão e o número é obviamente menor do que outrora, em que até de avião se jogava", declara Plöger.

O presidente da Abigraf diz que não é só a legislação municipal promulgada pelo prefeito Gilberto Kassab (DEM) que afetou a área gráfica, mas a lei federal que restringiu a distribuição de brindes.

"Você fazia cadernetas, cadernos, agendas. Tudo isso não é mais possível. A impressão era muito mais forte e consistente. Inclusive, hoje tem limitação em reais do que você pode fazer, antigamente não. Fazia quanto queria e não precisava registrar em lugar nenhum", conta Plöger.

Santinho

Alfried Plöger acredita que o nome santinho venha da atribuição dada ao pequeno folheto com imagem de santos, distribuídos pela Igreja Católica.

O representante da Abigraf revela que para a impressão dos santinhos pode ser utilizado até restos de papéis.

"Tanto faz imprimir em um papel mais poroso ou menos poroso, ou que uma figura seja mais amarelada. Não tem a menor diferença. Para o candidato é muito importante a quantidade, a qualidade ele despreza", afirma Plöger.

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