Podcast
14/08/2008 - 09h26

O emprego correto da construção "previsto para"; ouça Thaís Nicoleti

da Folha Online

A imprensa nem sempre trabalha com o fato consumado. Muitas vezes, é preciso anunciar aquilo que está para acontecer: um espetáculo que vai estrear, uma obra que deverá ou não terminar dentro do prazo estipulado, um livro que deverá ser lançado em determinada data.

As informações são da consultora de língua portuguesa Thaís Nicoleti, colunista da Folha e da Folha Online. Ouça outros podcasts da colunista.

Thaís Nicoleti

Nicoleti lembra que nem sempre é possível afiançar que aquilo vá realmente ser realizado na data prometida, o que leva ao uso reiterado de frases em que se emprega a construção "previsto para".

Segundo a colunista, o problema começa quando se escrevem frases como "O espetáculo está previsto para estrear amanhã" ou "A obra está prevista para terminar até setembro".

"Não é o espetáculo em si que está previsto, nem ele vai estrear amanhã. É a estréia do espetáculo que está prevista para amanhã. Depois da expressão 'previsto para', deve aparecer uma idéia de tempo --afinal, perguntamos 'para quando' algo está previsto, não 'para que' está previsto", explica a colunista.

Nicoleti afirma que a construção "previsto para acontecer", relativamente comum, também é problemática.

"Vemos frases como 'A entrega do prêmio está prevista para acontecer amanhã'. Nesse caso, a pessoa usou corretamente o abstrato no sujeito (é a palavra 'entrega'), mas entendeu que faltava um verbo depois do 'previsto para' e construiu uma frase redundante. Nesse caso, basta suprimir o verbo 'acontecer'", analisa Thaís Nicoleti.

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