Barack Obama precisa descer do salto alto; ouça Sérgio Dávila
da Folha Online
Pelo que tinha sido planejado pela campanha de Barack Obama, o candidato democrata tinha de estar agora dez pontos à frente do seu adversário republicado. A esta altura da corrida, John McCain estaria desesperado, partindo para os golpes baixos como maneira de diminuir a diferença de pelo menos dez pontos que as pesquisas de opinião apontariam entre eles.
As informações são de Sérgio Dávila, correspondente da Folha em Washington. Ouça outros podcasts sobre as eleições nos EUA.
"Isso era o planejado, mas, parafraseando Garrincha, faltou combinar com os adversários. Como você sabe, nada disso aconteceu. Obama chega à convenção do Partido Democrata empatado com McCain. Em algumas pesquisas, já está em segundo lugar", diz o jornalista.
Segundo ele, o candidato republicano começou sua campanha de ataque antes do que o democrata esperava. "Quando esse reagiu era tarde demais. Na linguagem dos locutores esportivos, se quiser virar o jogo, Barack Obama tem de descer do salto alto."
Em vez de responder aos ataques negativos com promessas vagas de mudança e esperança, Obama precisaria ser mais objetivo e claro, afirma Dávila. Ele lembra que, quando a crise entre a Rússia e a Geórgia estourou, o candidato democrata estava de férias no Hawai.
"Tinha de ter cancelado tudo e ter voltado à ativa, dando a aparência de que estava no comando da situação, mesmo não sendo presidente nem tendo nenhuma voz ativa no conflito. Foi o que McCain fez, com sucesso", conta o correspondente.
De acordo com o jornalista, uma indicação de que começa a perceber isso pode ser o fato de Obama ter escolhido Joe Biden como seu companheiro de chapa.
"O senador de 65 anos é uma espécie de McCain dos democratas. Grisalho, experiente, tem papas na língua, tem bagagem internacional e o 'estilão deixa que eu chuto'. Pode completar Barack Obama justamente nos pontos de que precisa. Se não cometer nenhuma gafe nos próximos dias, Biden dará um respiro à candidatura de Obama. Pelo menos até John McCain anunciar o seu vice", conclui Dávila.
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