Julgamento do caso de incêndio em boate argentina deve durar 7 meses; ouça correspondente
da Folha Online
A Argentina parou nos últimos dias para acompanhar de perto o julgamento dos acusados do incêndio da boate República Cromañon. Na tragédia, ocorrida em 30 de dezembro de 2004, morreram 194 pessoas.
As informações são de Adriana Küchler, correspondente da Folha na Argentina e responsável pelo blog Tangos e Tragédias da Folha Online. Ouça outros podcasts com a participação da jornalista.
Segundo a jornalista, entre os 15 acusados estão o gerente da discoteca incendiada, os ex-funcionários da área de fiscalização do governo de Buenos Aires, os ex-chefes de polícia e os integrantes da banda Callejeros, um grupo muito popular na Argentina que tocava naquele dia.
"A tragédia abalou o país às vésperas do Ano Novo, quando todos os bares e casas noturnas foram fechados. Também provocou, naquela época, a destituição do então prefeito de Buenos Aires, Aníbal Ibarra", explica.
Küchler diz que no julgamento, que começou há uma semana, os acusados foram isolados por vidros blindados para evitar confrontos com os pais das vítimas. "Em frente ao tribunal, familiares têm entrado em conflito com fãs da banda, que acreditam que os músicos não devem ser responsabilizados. Os pais, por sua vez, pensam que os fãs desrespeitam a memória dos seus filhos", declara a jornalista.
A repórter conta que o incêndio na boate começou quando um dos jovens presentes soltou fogos de artifício que atingiram o teto de lona do local.
A República Cromañon tinha capacidade para 1.000 pessoas, mas, naquele dia, recebeu mais de 3.000 e a porta de emergência estava trancada. "O julgamento, que comove toda a Argentina, deve durar sete meses", conclui a jornalista.
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