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31/08/2008 - 09h19

"João Gilberto é filho e não o pai da bossa nova"; ouça Carlos Lyra

da Folha Online

A única coisa que as pessoas sabem sobre bossa nova é o nome dela. Existem idéias equivocadas de que o gênero musical teria nascido no apartamento de Nara Leão, de que é um movimento e de que 1958 seria o seu marco inicial.

As informações são do músico Carlos Lyra, autor do livro "Eu e a Bossa", autobiografia lançada pela editora Casa da Palavra. Assista ao vídeo com o compositor.

Carlos Lyra

Lyra diz que sua obra esclarece estas questões. Para ele, 1958 não deve ser considerado o início da bossa nova só por causa da gravação do compacto de João Gilberto com as músicas "Chega de Saudade" e "Bim Bom", mas sim o ano seguinte.

"O que é importante é o LP do João Gilberto de 1959, porque tem um monte de músicas e vários compositores são citados, não é só o Tom Jobim com o Vinicius de Moraes. Tem eu, o [Ronaldo] Bôscoli, o [Dorival] Caymmi, o Ary Barroso, tem o Roberto Guimarães, de Minas Gerais", explica o compositor.

Segundo o músico, as pessoas acham que a bossa nova é só "sambinha", mas ela tem vários ritmos, como, por exemplo, toada, marcha, marcha-rancho e baião.

Carlos Lyra afirma que, nesse estilo, a composição é mais relevante do que a interpretação. O cantor explica que somente o fato de cantar e tocar violão não o representa por si só. Por isso, João Gilberto não deve ser considerado o criador da bossa nova.

"O que faz a bossa nova foram as músicas como elas foram compostas. O João Gilberto veio depois das músicas, mais importante do que o João Gilberto é o Tom Jobim e o Vinicius. Ele é importante também, porque a bossa nova é tudo isso: é uma melodia, é uma harmonia, é um ritmo, é uma letra e é uma interpretação. Interpretação é a última coisa. Então, quando você bota nas alturas um cara como o pai da bossa nova, não é pai de coisa nenhuma, ele apenas é o filho da bossa nova", declara Carlos Lyra.

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