Líderes opositores acusam governo boliviano de atentados em gasoduto; ouça
da Folha Online
O governo boliviano alega que o atentado no gasoduto Brasil-Bolívia foi provocado por seus opositores, que há 18 dias promovem bloqueios rodoviários e ameaçam impedir o envio de gás ao Brasil e à Argentina. Já os líderes opositores negam a acusação e afirmam que foi o próprio governo que causou o acidente para enfraquecer o movimento.
As informações são da jornalista da Folha Flávia Marreiro, enviada especial a Villamontes (Bolívia). Ela explica que os técnicos evitam especulações e dizem que só uma inspeção mais cuidadosa irá revelar a causa do incêndio.
"O fato é que o clima de tensão continua e enquanto eu estava conversando com o técnico, ele recebia a informação que de havia outra válvula ao longo do gasoduto danificada", informa Marreiro.
A jornalista diz também que na região nunca se sabe o que é propaganda dos próprios opositores, que querem mostrar sua força contra o governo, ou se é o próprio governo querendo mostrar como os opositores são radicais e o quanto eles querem afetar a relação entre o Brasil e a Bolívia.
"Analistas que eu ouvi aqui, ontem, não imaginam que vai haver um estado de sítio, a intervenção direta das Forças Armadas, ao menos por enquanto, mas o que preocupa é justamente esse enfrentamento entre grupos civis muito radicais de um lado e de outro", declara.
Ela comenta que esses grupos são formados principalmente por jovens reunidos em associações nos departamentos opositores, que em geral usam uma retórica racista contra os apoiadores do presidente Evo Morales.
O incêndio no gasoduto do consórcio Transierra --da qual fazem parte a Petrobras, a Andina-Repsol e a francesa Total--, causou uma diminuição de ao menos 10% do envio de gás ao mercado brasileiro.
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