Podcast
12/09/2008 - 15h44

Militares comunicam traficantes sobre ocupação durante eleições no RJ; ouça

da Folha Online

Tropas do Exercito e da Marinha ocuparam nesta quinta-feira (11) cinco comunidades no Rio de Janeiro consideradas currais eleitorais. A ação das Forças Armadas durante o processo eleitoral, batizada de Operação Guanabara, estará em 27 favelas do Estado até o primeiro turno das eleições. O objetivo é tentar inibir pressões a eleitores e a candidatos.

As informações são de Raphael Gomide, repórter da sucursal no Rio da Folha. Responsável pela reportagem que mostrou que traficantes e milicianos estabeleceram tabelas de pedágio para candidatos às eleições fazerem campanha nas favelas, Gomide afirma que eles ainda determinam que seja contratada mão-de-obra local.

Raphael Gomide

"A solução encontrada pelo TSE [Tribunal Superior Eleitoral] foi o uso de contingentes militares por três dias em cada um desses lugares. Nesse período, os candidatos podem circular, distribuir seus santinhos e afixar placas. Depois ninguém garante", comenta.

Segundo o jornalista, para evitar tiroteios, os militares irão avisar antecipadamente aos traficantes aonde vão e o tempo que vão ficar. Gomide explica que, apesar de toda a mobilização que reuniu 3.500 soldados do Exército e da Marinha no primeiro dia, as principais autoridades do Exército e do Tribunal Regional Eleitoral na área estão fora do Estado.

"O comandante militar do leste, general Luiz Cesário da Silveira Filho, viajou ao México representando o comandante do Exército, general Enzo Peri, e só volta dia 18. O presidente do TRE [Tribunal Regional Eleitoral] do Rio, Roberto Wider, foi ao Maranhão para um encontro de presidentes de TREs, retornando domingo. Ontem, no primeiro dia, o comandante do Exército esteve no Rio no lugar do subordinado e a imprensa filmou e fotografou os soldados com seus fuzis", informa o repórter.

De acordo com Gomide, eleitores não participaram da reunião, bem como os candidatos, que ficaram com receio de vincular sua imagem à truculência. "Toda essa mobilização parece ser só para a mídia e para inglês ver", declara.

FolhaShop

Digite produto
ou marca