Podcast
29/09/2008 - 16h54

Com a crise, evite endividamento a longo prazo; ouça Maria Inês Dolci

da Folha Online

Muitos consumidores têm se perguntando como se precaver de algum efeito negativo da crise financeira que atinge os mercados nos EUA. Para evitar problemas, se a economia brasileira se desacelerar, vale a mesma norma de sempre: evitar ao máximo o endividamento a longo prazo.

As informações são de Maria Inês Dolci, coordenadora institucional da Pro Teste, colunista da Folha e responsável por um blog da Folha Online. Ouça outros podcasts com a participação da advogada.

Maria Inês Dolci

"Quem contrata empréstimo, sem analisar bem os juros, é candidato a virar inadimplente no futuro. Controlar as dívidas é uma arte para quem não consegue se controlar diante da oferta farta de crédito. É importante sempre analisar os riscos antes de adquirir novas dívidas. Lembre-se: os juros estão subindo", alerta a colunista.

Entenda a crise financeira que atinge a economia dos EUA

De acordo com o BC (Banco Central), os juros subiram nas principais modalidades de crédito no mês de agosto somente para pessoas físicas. A taxa média, que engloba cheque pessoal, empréstimo e aquisições de veículos, entre outros, subiu de 51,4% em julho para 52.1% ao ano no mês passado. É a maior taxa desde janeiro de 2007, quando os juros estavam em 52,3%.

A advogada orienta o consumidor a avaliar se não vale a pena postergar compras para as quais não disponha de maior parte do dinheiro. "Fuja dos cartões de crédito, do cheque especial, dos empréstimos para adquirir produtos e serviços que não sejam essências e urgentes."

Segundo Dolci, o ideal é pesquisar e comparar preços, além de usar o poder da pechincha em compras à vista. Usar cartões de crédito ou débito sem se endividar, comprando só o que poderá pagar na data de vencimento.

"Pague sempre o valor integral da fatura. Fuja do crédito rotativo. Isso implica pagar juros elevados que podem comprometer a renda familiar. Verifique o valor da anuidade cobrada pela administradora e o tipo de cartão contratado", aconselha a advogada.

Dolci afirma que as administradoras de cartões de crédito não são fiscalizadas pelo BC. Não há, portanto, órgão regulador do setor. Os clientes lesados devem recorrer aos órgãos de defesa do consumidor.

Outra medida importante, diz a colunista, é evitar o saque de dinheiro com cartão de crédito. "Lembre-se: os juros cobrados são muito altos. Alguns chegam a 12,9% ao mês. Se a opção do saque for inevitável, procure pagar o mais rápido possível."

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