Condenação de juiz confirma morosidade da Justiça; ouça
da Folha Online
A decisão do STJ (Superior Tribunal de Justiça) que condenou o juiz federal Paulo Theotonio Costa a três anos de prisão é mais um capítulo de fatos que vieram à tona a partir de julho de 1999, quando a Folha revelou o patrimônio do magistrado e o de seu colega Roberto Haddad, que contrastam com o padrão normal dos juízes.
As informações são de Frederico Vasconcelos, repórter especial da Folha e responsável por um blog que reúne textos investigativos. Ouça outros podcasts com o jornalista.
Depois dessa revelação, ambos os magistrados foram alvo de várias investigações, diz Vasconcelos.
Theotonio Costa foi absolvido em outra ação penal. Ele foi acusado de manipular a distribuição de habeas corpus e favorecer o narcotraficante. Haddad, por sua vez, foi denunciado e afastado do cargo, sob acusação de falsificar documentos da Receita Federal.
"Essa ação penal foi trancada por decisão do STF, ao julgar habeas corpus, o que lhe possibilitou retornar ao cargo no Tribunal Federal", diz o jornalista.
Seis meses depois, Haddad foi denunciado em junho deste ano pelo Ministério Público Federal em nova investigação: a Operação Têmis.
Segundo Vasconcelos, essa operação teve o nome questionado pelo ministro Gilmar Mendes, que viu na escolha uma possível tentativa de denegrir a Justiça.
"Mais do que o eventual dano causado pelo batismo questionável da operação pela PF (Polícia Federal), supõe-se que a imagem da Justiça sai arranhada pela morosidade da Judiciário e pelo fato de uma única investigação reunir seis magistrados sob suspeição" declara Vasconcelos.
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