Podcast
06/10/2008 - 16h00

A eleição e a economia nos EUA e no Brasil; ouça Toni Sciarretta

da Folha Online

No ano passado, muita gente previa que a crise americana não estouraria durante as eleições EUA com chance real da oposição democrata chegar ao poder. A crise não só veio, como veio também a conta que será paga pelo próximo governo.

As informações são de Toni Sciarretta, repórter do caderno Dinheiro da Folha.

Toni Sciarretta

"Insisto que essa perspectiva, de que a eleição coloca em banho-maria a crise econômica, vem do Brasil e de democracias mais novas, porque essa lógica não costuma funcionar nos EUA. Fiz essa pergunta a vários analistas americanos e muitos deles nem entendiam esse raciocínio de que eleição atrasa a crise econômica", afirma o jornalista.

Para os americanos, diz Sciarretta, a opinião pública, os jornais e mesmo os políticos não aceitam essa lógica de aumento de gasto público, "distribuição de benesses, dentadura e leite em ano eleitoral".

Uma justificativa para isso é que não é a primeira eleição americana que atinge a economia e os mercados, em geral desorganizados, explica o jornalista. Segundo ele, a eleição do presidente George W. Bush, em 2000, coincidiu com o início do estouro da bolha da internet, que depois emendou com os atentados do 11 de Setembro.

O repórter fala que isso sempre foi aceito como uma verdade, até que foi possível presenciar o trabalho que o pacote de socorro aos bancos deu para ser aprovado no Congresso no ano de eleição.

"O pacote, que tinha duas páginas e meia, terminou com quase 450. Para ser aprovado, foram aceitas emendas absurdas e socorros para setores como o de arco e flecha, voltado para os escoteiros americanos. Pois é, como os analistas brasileiros dizem: não da para dizer que a eleição tem um peso na economia tão diferentes lá nos EUA do que aqui nos trópicos brasileiros", conclui.

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