Lula reage à altura a mais uma provocação do Equador; ouça Eliane Cantanhêde
da Folha Online
O governo do presidente do Equador, Rafael Correa, anunciou nesta quarta-feira a expulsão definitiva da construtora brasileira Norberto Odebrecht de seu país. A empresa tem um mês de prazo para encerrar suas operações em território equatoriano.
Eliane Cantanhêde, colunista da Folha e da Folha Online diz que, pela primeira vez, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deixou de ser bonzinho e reagiu à altura a mais essa provocação do governo do Equador. Ouça outros podcasts com a participação da jornalista.
Nesta quinta-feira, em nota divulgada pelo Ministério de Relações Exterior, Lula adiou uma missão ao país vizinho que estava agendada para o próximo dia 15 com o objetivo de resolver a questão entre os dois países.
"Lula não tinha alternativa. Por mais que ele queira ser bonzinho com o Equador, como também é com a Bolívia, o presidente disse que desta vez chega. Basta", relata Cantanhêde.
Na semana passada, a construtora havia anunciado um acordo com o governo sobre a reforma da usina hidrelétrica de San Francisco. A empresa se comprometeu a depositar uma garantia de US$ 43 milhões até que se apure a culpa pela paralisação da central ocorrida em junho, após ter entrado em funcionamento um ano antes.
Em relação a Petrobras, Correa ameaçou no último sábado nacionalizar um campo da empresa, que produz 32 mil barris de petróleo por dia, caso a petrolífera não renegocie seu contrato.
Na terça-feira (30), Rafael Correa se encontrou com Lula e os presidentes Hugo Chávez (Venezuela) e Evo Morales (Bolívia), em Manaus (AM). Na ocasião, ficou combinado que o presidente equatoriano recuaria da sua decisão, explica a colunista.
"O que Rafael Correa fez? Rompeu essa combinação e anunciou publicamente que iria confirmar a expulsão da Odebrecht do país e continua numa linha muito beligerante contra o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) e contra a Petrobras, relata Cantanhêde.
Para a colunista, em um período de retração de créditos e financiamentos internacionais, Correa deveria ser cauteloso no tratamento com o Brasil.
"Neste momento, ninguém vai querer investir na Bolívia, no Equador e nos países menores da América Latina. A não ser o Brasil, que é o país mais rico e que tem tido no governo Lula, e mesmo no governo FHC, uma postura de apoio e de aliança com os seus vizinhos. Rafael Correa deveria repensar a sua postura de guerra contra o seu principal aliado e muito necessário nesse momento", conclui a colunista.
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