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10/10/2008 - 12h30

Crise mundial contamina empresas brasileiras; ouça especialista

da Folha Online

Apesar de todas as medidas que foram tomadas por instituições financeiras em diversos países e pelo Banco Central, a Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo) ativou o "circuit breaker" (interrupção do pregão) novamente nesta sexta-feira.

José Luís Oreiro, professor de economia da UnB (Universidade de Brasília) e especialista em teoria macroeconômica, diz que a queda da Bovespa desta manhã ocorreu porque a crise mundial está contaminado as empresas brasileiras.

José Luís Oreiro

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O professor explica que várias instituições do setor produtivo, como Aracruz e Sadia, fizeram apostas arriscadas no mercado de câmbio. Com a valorização do dólar frente ao real nas últimas semanas, as empresas perderam as apostas e amargaram imensos prejuízos.

Ele diz que estima-se que as perdas foram de US$ 50 bilhões e as medidas que o BC e o governo brasileiro adotaram não são suficientes para reduzir ou eliminar os danos.

"O fato de a Bolsa continuar caindo reflete a percepção por parte do mercado de que o prejuízo que as empresas brasileiras do setor produtivo tomaram com a taxa de câmbio foi muito alto e que as medidas tomadas até o momento não resolvem o problema e, conseqüentemente, essas empresas continuam perdendo o valor", afirma o especialista.

O professor acredita que a instabilidade vai continuar enquanto não houver atitudes concretas por parte do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) de aporte de capital para empresas que sofrearam essas perdas.

"Ouvi dizer de fontes minhas no mercado financeiro que os prejuízos de algumas empresas foi superior ao faturamento anual", revela.

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