Pacote não é suficiente para reverter pessimismo no mercado; ouça professor
da Folha Online
A Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo) voltou a funcionar depois de meia hora parada por queda de mais de 10%. O mercado reflete o pânico dos investidores com o alastramento da crise pelo mundo, gerado pelo pedido de falência de uma seguradora no Japão.
Segundo Carlos Eduardo Soares Gonçalves, professor de economia da FEA-USP (Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da USP) e autor do livro "Economia sem Truques" (ed. Campus-Elsevier), o que está acontecendo no mundo inteiro é um movimento de pânico generalizado. "Crises financeiras são bem documentadas na história econômica, e sabemos que o impacto de crises originadas no mercado de crédito são muito virulentos sobre a atividade e sobre as bolsas."
Carlos Eduardo Soares Gonçalves
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Gonçalves cita como exemplo a crise de 1930, que começou no mercado financeiro, e a crise no Japão, nos anos 90 "A grande diferença agora é que os formuladores de políticas estão agindo de maneira mais séria, injetando mais liquidez, baixando as taxas de juros e tentando as operações conjuntas, resgatando bancos em dificuldades", explica.
De acordo com o professor, esta ação tem alto custo e o dinheiro virá de impostos pagos pelo contribuinte. Para ele, no momento não há outra saída, é preciso que seja feita uma intervenção maciça dos governos para tentar recuperar um pouco os danos que foram causados até agora.
O professor diz que ninguém esperaria que, mesmo com o anúncio de medidas de ajudar para a economia, isso revertesse rapidamente as expectativas do mercado. "Tem muita incerteza, muita gente não sabe quantos bancos estão em situação muito ruim, ou seja, eles podem vir a quebrar nos próximos meses.
Gonçalves explica o pacote de US$ 700 bilhões não é suficiente neste momento para reverter o pessimismo generalizado que tomou conta dos mercados. "A gente pode esperar muita turbulência pela frente, mas a minha perspectiva é médio prazo", avalia o professor.
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