Ouça as opiniões dos especialistas sobre a crise financeira
da Folha Online
Atualizado em 05/02/2009 às 12h31.
O valor do pacote de estímulo à economia dos EUA, que já foi aprovado pela Casa dos Representantes (Câmara dos Deputados) e aguarda votação no Senado, já passa de US$ 900 bilhões, após os acréscimos feitos por senadores. O Senado quer que sejam incluídos no pacote recursos para pesquisas médicas e cortes de impostos para compra de carros.
Marcelo Rocha Zorovichi, professor do curso de relações internacionais da ESPM (Escola Superior de Propaganda e Marketing), ressalta que, com a liberação dessa verba, Obama pretende proporcionar uma situação favorável para a geração de três a quatro milhões de empregos em um cenário a longo prazo.
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04/02/2009
A crise mundial faz com que os trabalhadores tenham receio de perder seus empregos, o que gera uma queda no consumo. Os bancos também recuaram em relação ao crédito porque aumentou a inadimplência. Assim, o Brasil vive um ciclo vicioso que tem impacto sobre a economia.
As informações são do doutor em economia das relações internacionais José Nicolau Pompeo, professor da Escola Politécnica da USP (Universidade de São Paulo) e do departamento de economia da PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica).
Pompeo diz não acreditar que os ganhos que as empresas no Brasil obtiveram até outubro do ano passado tenham sido comprometidos pelos dois meses sequentes atingidos pela crise mundial. Segundo ele, a remessa de lucros em 2007 foi de US$ 21 bilhões e, em 2008, US$ 34 bilhões. Ou seja, 62% a mais.
O cientista político declara que existe uma crise realmente e que a produção está diminuindo, mas as empresas estão demitindo para manter sua taxa de lucro.
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31/01/2009
O pacote econômico de US$ 819 bilhões defendido pelo presidente americano Barack Obama é apenas uma alavanca para permitir a retomada do nível de atividades do país. O aporte de recursos proporcionados pelo plano é menor do que o tamanho da diminuição da economia americana que ocorrerá neste e nos próximos anos.
A avaliação é de Cláudio Couto, cientista político e professor de ciência política na PUC (Pontifícia Universidade Católica) e na FGV (Fundação Getúlio Vargas) de São Paulo. Para ele, apesar dessa ação ser fundamental para o processo de retomada da atividade econômica americana, o pacote não tem condições de resolver todos os problemas.
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30/01/2009
A economia dos Estados Unidos sofreu uma queda acentuada no quarto trimestre do ano passado, com uma contração de 3,8%, ante recuo de 0,5% no terceiro. Com dois trimestres consecutivos de queda, o país agora se enquadra no critério de recessão mais aceito entre os economista. Apesar de negativo, o resultado foi menos catastrófico que o previsto, já que o esperado era de que a queda seria de 5,4%.
José Luís Oreiro, professor de economia da UnB (Universidade de Brasília) e especialista em teoria e política macroeconômica, diz que o fato de o PIB (Produto Interno Bruto) ter se comportado desta maneira, "acima do esperado", está relacionado à política fiscal e anticíclica adotada no final de 2008 pelos Estados Unidos.
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27/01/2009
Maria Inês Dolci, coordenadora institucional da Pro Teste, colunista da Folha e responsável por um blog da Folha Online, diz que a crise econômica, a queda nas vendas e no faturamento costumam provocar, em certo empresariado, o desejo de cortar direitos trabalhistas e de demitir sem qualquer avaliação crítica. Com isso, as empresas se desnudam e mostram sua verdadeira face, nada responsável.
"Quem lucrou sem parar entre janeiro e setembro de 2008, às vezes, como jamais havia lucrado, não suportaria perdas de outubro a dezembro? Cabe, portanto, ao consumidor, que mais pesa nos ganhos da maioria das empresas do Brasil --ao menos no mercado interno-- evitar que a crise seja maior do que deveria, pelo oportunismo e insensibilidade de muitos", avalia.
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21/01/2008
A crise econômica deve ser a prioridade do presidente Barack Obama, principalmente no começo de mandato. Ao lidar com a os problemas financeiros internos, os Estados Unidos poderão dispor de maior flexibilidade até para ações nos planos militar e internacional.
As informações são de Hédio Silva Júnior, advogado, mestre e doutor em direito pela PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo) e integrante do Grupo Integração que luta contra a discriminação racional no país. Segundo ele, a ação militar consome uma parcela significativa do orçamento americano, na mesma medida em que o desemprego cresce.
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20/01/2009
A posse do presidente americano, Barack Obama, significa uma nova fase na luta contra a crise internacional. O governo de George Bush estava "desgastado" e cada vez mais impopular devido aos problemas com Israel.
A avaliação é de Armando Castellar Pinheiro, economista e professor da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro). Para ele, o fato do Congresso ser majoritariamente democrata na Câmara dos Deputados e no Senado, vai facilitar a aprovação de novas medidas durante o mandato de Obama.
Armando Castellar Pinheiro - Obama
O presidente eleito dos Estados Unidos, Barack Obama, vai enfrentar sérios problemas econômicos e políticos ao assumir a Casa Branca. Para tentar resolver essas dificuldades, ele pretende convocar uma cúpula de responsabilidade fiscal, em fevereiro, para analisar possíveis soluções para combater a crise econômica que o país atravessa, a pior desde a Grande Depressão dos anos 1930.
A avaliação é de Luiz Henrique Bahia, professor de ciência política e diretor da UERJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro). Para ele, Obama deve criar uma hierarquia de complexidades para enfrentar "várias frentes ao mesmo tempo", como a situação em Israel.
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03/01/2009
O ano de 2009 começa com uma expectativa imensa em relação à posse do presidente eleito dos Estados Unidos, Barack Obama, no próximo dia 20. Três quartos (76%) dos americanos acreditam que o democrata é um líder forte e decidido, segundo pesquisa realizada pela rede de notícias CNN.
Eliane Cantanhêde, colunista da Folha e da Folha Online, diz que Obama não é um salvador da pátria e muito menos poderia ser o salvador do mundo. "Mas, para onde ele conduzir a maior potência, mais claro ficará para todos nós para onde o mundo está caminhando."
De imediato Obama terá duas prioridades. A primeira delas é a crise interna, que se alastrou e contaminou o mundo pobre, o mundo emergente e até o mundo rico, de acordo com Cantanhêde. O democrata terá que se preocupar também com a política externa. Segundo ela, o que o Brasil espera de Obama do ponto de vista econômico é que ele não feche as portas dos Estados Unidos, mas, ao contrário, abra cada vez mais as relações econômicas, políticas e comerciais com o resto do mundo, inclusive e principalmente com a América Latina.
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27/12/2008
O ano de 2009 será marcado por incertezas. Depois de atingir um crescimento acima de 5% nos últimos anos, a crise econômica veio derrubar o otimismo e a empolgação dos empresários e trabalhadores brasileiros. A crise "atropelou" os planos do Brasil e vai gerar uma freada brusca no início do próximo ano, com risco até de recessão.
As informações são de Valdo Cruz, colunista da Folha Online e repórter especial da Folha. "O sabor que deve ficar na boca dos brasileiros é bem amargo. Sairemos do vinho para o vinagre".
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20/12/2008
O ano de 2008 termina mal para o Congresso. Por lá, parece que não existe crise econômica no mundo, mesmo com o cenário atual ameaçando colocar o Brasil em uma recessão no início de 2009. As informações são de Valdo Cruz, colunista da Folha Online e repórter especial da Folha.
Segundo Cruz, o Congresso realizou este ano um festival de aprovação de medidas. Com isso, os gastos públicos irão aumentar em um momento delicado para a economia. "Foi o Senado aprovando o aumento de vaga de vereadores, reajustes salariais bem elevados para o funcionalismo público, ou seja, mais uma vez tivemos em Brasília neste final de ano um festival de medidas que acabam só aumentando os gastos", avalia o colunista.
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14/12/2009
Certo ou errado, é inegável que o ministro Guido Mantega (Fazenda), seguindo orientação do presidente Lula, não está na defensiva. Ele busca agir antes que a economia brasileira entre de fato em recessão --algo que a própria equipe do ministro considera uma possibilidade.
As informações são de Valdo Cruz, colunista da Folha Online e repórter especial da Folha.
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11/12/2008
Vários leitores que viram recentemente alguns dias de alta na Bolsa se perguntam se está na hora de voltar a aplicar dinheiro em ações. Analistas de mercado --otimistas e pessimistas-- se mostram bastante céticos com as perspectivas para a Bolsa brasileira pelo menos em médio prazo. As informações são de Toni Sciarretta, repórter do caderno Dinheiro da Folha.
"Claro que sempre tem oportunidade na Bolsa. Quem entrar agora faz melhor investimento do que teria feito cinco meses atrás quando a Bolsa estava com 70 mil pontos no Ibovespa. O investimento depende das perspectivas de empresa para empresa. Esse pessimismo atual, que foi exacerbado, pode e deve ser revisto. A gente pode ter muitos movimentos de alta, mas uma guinada como vimos até meados deste ano está fora do radar", declara Sciarretta.
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04/12/2008
Existem duas visões sobre a crise financeira. Um grupo diz que o pior já passou, e outro que o pior ainda está por vir. Na verdade, ambas as correntes estão certas. O ápice da crise ocorreu entre setembro e outubro, meses em que houve risco de quebras de bancos. O efeito da crise para o setor real, contudo, está apenas começando.
As informações são de Antonio Corrêa de Lacerda, professor doutor do departamento de Economia da PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica), membro do Conselho Superior de Economia da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) e do Conselho Temático de Política Econômica da CNI (Confederação Nacional da Industria).
Para o economista, o desempenho dos países emergentes é o fator que vai contribuir para o crescimento econômico no próximo ano. "Continuará sendo bem acima da média mundial, o que permitirá ao mundo manter ainda alguma taxa de crescimento em 2009".
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03/12/2008
Dezembro mal começou e o assunto principal entre os economistas é 2009. No entanto, as perspectivas para o próximo ano são bastante ruins. A expectativa é de um crescimento de menos de 3% no Brasil. Neste videocast, o repórter de Dinheiro da Folha Toni Sciarretta diz que essa expectativa para a economia brasileira é a boa notícia. Isso porque será um dos maiores crescimentos do mundo em 2009. Já nos Estados Unidos, Europa e Japão o desenvolvimento será negativo.
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25/11/2008
O ministro Paulo Bernardo (Planejamento) disse que as instituições bancárias estariam escondendo dinheiro por causa da crise financeira. Ele também afirmou que os bancos não seriam "bons parceiros" do sistema produtivo nacional.
Maria Inês Dolci, coordenadora institucional da Pro Teste, colunista da Folha e responsável por um blogda Folha Online, diz que governantes não são comentaristas econômicos. "O que se espera de um governante é ação, e não avaliação", declara.
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20/11/2008
Eliane Cantanhêde, colunista da Folha e da Folha Online, diz que os brasileiros vivem em três países totalmente distintos.
A colunista diz que o primeiro é o Brasil da disputa entre a PF (Polícia Federal) e a Abin (Agência Brasileira de Inteligência). O segundo país é o da política, que mantém uma polarização cada vez mais aguda entre o PT e o PSDB-DEM. De acordo com Cantanhêde, o Brasil de número três é o da crise econômica.
"O dólar batendo em R$ 2,40. As montadoras sem freio, indo ladeira abaixo, e empresas sólidas e tão simbólicas, como a Vale do Rio Doce, demitindo seu pessoal", analisa.
A jornalista afirma que enquanto a polícia e a política ficam "brincando de pegar fogo", elas se esquecem de apagar o verdadeiro "incêndio" brasileiro, provocado pela crise financeira internacional.
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19/11/2008
Lá se vão quase dois meses da fase mais aguda da crise econômica mundial. As más notícias na área financeira diminuíram um pouco. No entanto, cresceram na chamada economia real, aquela que gera mais empregos e renda.
As informações são de Kennedy Alencar, colunista da Folha Online e repórter especial da Folha em Brasília.
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Para enfrentar a crise financeira, a Disney está realizando promoções na tentativa de atrair brasileiros para seus complexos turísticos, principalmente o de Orlando. Estão sendo oferecidos descontos para turistas que visitarem seus parques entre 4 de janeiro e 29 de março de 2009.
As promoções incluem ingressos (sete dias pelo preço de quatro para as atrações dos complexos) e preços mais baixos para hospedagem.
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17/11/2008
As alternativas que estão sendo apresentadas para a crise são um tanto quanto desesperadas. Serão necessários renegociar todo o sistema financeiro internacional com muito cuidado e repensar todo o comércio internacional.
As informações são de Jorge Madeira Nogueira, professor titular do Departamento de Economia da UnB (Universidade de Brasília).
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15/11/2008
Com algum efeito retardado, a crise financeira mundial começa a atingir a economia real brasileira. Há cortes de empregos na indústria e aumento da inadimplência, tudo que pode levar a uma grande contração no ritmo de investimento.
As informações são de Valdo Cruz, colunista da Folha Online e repórter especial da Folha. Ouça outros podcasts com a participação do jornalista.
Acompanhe a trajetória da crise financeira por meio dos comentários dos especialistas
Desde o início da crise financeira que afetou o mercado mundial, jornalistas, especialistas e professores colaboraram levantando questões e discutindo os reflexos das medidas. Acompanhe, a seguir, as opiniões de nossos colaboradores.
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23/10/2008
Igor Gielow, secretário de Redação da Sucursal de Brasília da Folha, diz que a MP (medida provisória), editada nesta terça-feira pelo governo, traz várias notícias intrigantes.
"No que toca aos bancos, se o ministro Guido Mantega (Fazenda) diz que não há bancos quebrando, por que o dinheiro público está sendo utilizado?", questiona.
Gielow afirma que o mais preocupante é a criação da Caixa Participações, que permitirá a este banco estatal entrar, praticamente, em qualquer negócio.
"Ora, se o BNDES [Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social] já pode fazer isso, por que precisamos de uma nova empresa? Tudo indica que é, na verdade, uma nova forma de salvar as operações imobiliárias da Caixa, já que as construtoras parecem estar em dificuldades e a Caixa é a maior financiadora do mercado de imóveis no Brasil", analisa. Ouça o podcast.
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22 de outubro
O governo argentino anunciou nesta terça-feira sua medida mais radical até agora para conter os efeitos da crise financeira internacional: pôs fim ao atual sistema de previdência privada, criando um regime estatal único.
As informações são de Adriana Küchler, correspondente da Folha na Argentina e responsável pelo blog Tangos e Tragédias da Folha Online.
"O governo argumenta que os fundos de pensão privados têm seus recursos investidos em bônus e ações, e perderam muito dinheiro com a volatilidade dos mercados devido à crise internacional. E a aposentadoria dos argentinos não poderia estar à mercê das flutuações financeiras", diz Küchler. Ouça o podcast.
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Toni Sciarretta, repórter de Dinheiro da Folha, diz que setores, como o de turismo e luxo, são mais sensíveis à crise, pois a "primeira coisa a se cortar é o supérfluo", como viagens e equipamentos de ostentação.
A construção civil também é afetada no mundo inteiro. Sciarretta diz que não é recomendado entrar em financiamentos longos, agora. Já que daqui a 20 anos, por exemplo, ninguém sabe como estará a situação da crise financeira.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva mudou o tom em relação à crise econômica mundial. O discurso otimista cedeu lugar a uma avaliação mais realista. Nesta terça-feira, ele admitiu pela primeira vez que pode haver corte dos investimentos da União previstos nos orçamentos dos ministérios.
Kennedy Alencar, colunista da Folha Online e repórter especial da Folha em Brasília, diz que a "ficha do presidente Lula caiu".
"O Brasil está no planeta Terra. Não dá para fazer de conta e achar que não seremos prejudicados quando o mundo enfrenta uma das mais graves crises de sua história contemporânea."
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21 de outubro
O BC (Banco Central) destinou US$ 1,620 bilhão das reservas internacionais do país para o financiamento do comércio exterior. Ontem, o ministro Guido Mantega (Fazenda) e o presidente do BC, Henrique Meirelles, anunciaram em São Paulo o aumento da oferta de crédito rural em R$ 2,5 bilhões. Serão destinados ainda entre R$ 3 bilhões a R$ 4 bilhões para a construção civil e a expansão na participação dessas instituições financeiras nos empréstimos direcionados para pessoas físicas e jurídicas.
Para Ricardo Araújo, professor de finanças da FGV (Fundação Getulio Vargas), o BC tomou medidas acertadas.
"O grande problema hoje no Brasil são as empresas que necessitam de crédito, especialmente empresas do agronegócio, que necessitam de crédito externo para financiar a produção de commodities. Essas empresas são as que mais sofreram no Brasil, que mais sentiram os efeitos dessa crise", explica o professor.
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20 de outubro
A crise financeira pela qual o mundo está passando é a mais grave desde 1929, quando foi iniciada a Grande Depressão nos Estados Unidos. A diferença, entretanto, é que há uma reação competente por parte dos governos americano e europeus.
As informações são de Luiz Carlos Bresser-Pereira, ex-ministro da Fazenda e professor emérito da FGV (Fundação Getulio Vargas).
Segundo ele, os governos dos EUA e da Europa mostram que não estão agindo de acordo com os preceitos neoliberais e da ortodoxia econômica, que dizem que os mercados resolvem tudo automaticamente.
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18 de outubro
O governo Lula sempre procurou transmitir, desde o início, uma sensação de que o país poderia até sofrer um pouco com a crise econômica, mas que o ritmo de crescimento não iria cair muito. Essa não deve ser a realidade. Dentro do governo, há quase consenso de que o país sofrerá uma retração bem maior do que todos imaginavam.
As informações são de Valdo Cruz, repórter especial da Folha e colunista da Folha Online.
O colunista diz que apesar da situação, o ministro Guido Mantega (Fazenda) ainda insiste na meta de crescer 4,5% no próximo ano. "Não creio que esteja de todo errado. Vai procurar esse número mesmo sabendo, com certeza, de que não vai chegar lá. Ele acredita que dá para chegar pelo menos em até 4%. Só que dentro da própria equipe dele muita gente acha que isso não vai ser possível", comenta.
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17 de outubro
O governo americano deveria ter tomado providências para que o banco Lehman Brothers não quebrasse. Caso tivesse feito isso, o cenário da economia seria outro. O fato positivo é que pela primeira vez em 18 anos, desde o fim da Guerra Fria, se terá novamente regulação financeira, fator importante para que o capitalismo se torne um pouco mais estável.
As informações são do economista Marcos Fernandes, professor da Escola de Economia de São Paulo da FGV (Fundação Getulio Vargas).
"É uma nova era que se inicia para o capitalismo, tanto do ponto de vista do comportamento das empresas, como do ponto de vista do comportamento das instituições financeiras", explica o economista.
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16 de outubro
A crise financeira global terá efeitos preocupantes sobre a economia brasileira, em especial sobre a confiança do sistema de crédito, mas deixará menos estragos no Brasil devido à "blindagem" que o país possui devido à sua regulação mais conservadora e à falta de instrumentos sofisticados de títulos imobiliários. Essa foi uma das conclusões do debate promovido pela Folha entre alguns de seus principais colunistas de economia.
Participam da discussão os economistas Antonio Delfim Netto, ex-ministro da Fazenda; Marcos Lisboa, diretor-executivo do Unibanco; Marcos Cintra, professor titular e vice-presidente da Fundação Getulio Vargas; e Luiz Gonzaga Belluzzo, professor titular da Unicamp. A mediação foi de Vinicius Torres Freire, colunista do jornal.
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Apesar da crise financeira global, para o ex-ministro da Fazenda Maílson da Nóbrega, o Banco Central brasileiro vêm atuando de forma correta diante dos desafios. Segundo ele, o governo fez o certo em deixar que a autoridade monetária brasileira ficasse na linha de frente no combate aos efeitos negativos da crise.
No videocast a seguir, o economista e sócio da Consultoria Tendências fala também sobre as perdas que diversas empresas exportadoras terão por terem realizado apostas erradas sobre o câmbio. Diante deste fato, o economista critica a hipótese do uso do depósito compulsório para financiá-las.
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O mercado financeiro, que parecia seguro, se desequilibrou. Quem se acostumou a ganhar sempre, passou a vender desesperadamente seus ativos. O mundo vinha caminhando em cima de uma tábua estreita, avançando, e todos acreditavam que enriqueciam cada vez mais. De repente, as pessoas se deram conta de que a tábua está suspensa no abismo, e elas se sentiram inseguras, incertas e perderam o equilíbrio.
Neste videocast, Eduardo Giannetti da Fonseca, economista, filósofo e professor do Ibmec São Paulo, cita Avicena, um filósofo árabe do século 11 que, segundo o ele, traçou um bom cenário que pode servir como exemplo para que se compreenda o momento de crise financeira vivido no planeta.
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A volatilidade do mercado financeiro ocorre porque as medidas definidas pelos governos dos EUA e dos países europeus para conter a crise não foram totalmente implementadas. Enquanto isso, o período é de instabilidade, com altas e baixas.
As informações são de Alcides Leite, professor de mercado financeiro da Trevisan Escola de Negócios.
Pelo lado da "economia real" o problema persistirá ao longo de 2009 com o baixo crescimento da economia americana e européia e até com uma possível recessão desses mercados, afirma o professor. No Brasil, diz ele, o crescimento será reduzido.
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15 de outubro
Nesta quarta-feira, o mercado teve mais um dia turbulento no Brasil. A Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo) interrompeu suas operações, às 14h24, quando o índice Ibovespa caiu 10%, e encerrou o pregão com queda de 13,16%.
Toni Sciarretta, repórter de Dinheiro da Folha, diz que, apesar do sobe e desce nas Bolsas, só se poderá ter certeza do fim da crise assim que houver uma oscilação menor no mercado financeiro.
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O turismo na Argentina registra uma queda de 15% nas reservas de estrangeiros em hotéis e em restaurantes de sua capital, Buenos Aires, segundo representantes dos setor. A crise financeira internacional começa a afetar um dos principais fenômenos recentes registrados em Buenos Aires: a invasão de turistas brasileiros.
As informações são de Adriana Küchler, correspondente da Folha na Argentina e responsável pelo blog Tangos e Tragédias da Folha Online.
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14 de outubro
Nesta segunda-feira, a Bolsa paulista teve um dia histórico, fechando em alta de 14,66%. A Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo) mantém o ritmo de recuperação nesta terça-feira, mas de forma mais moderada, a reboque do otimismo dos investidores com os "pacotes" de resgate financeiro dos governos europeus e americano.
Alberto Pfeifer, diretor-executivo do Ceal (Conselho Empresarial da América Latina), diz que devido à crise, será necessário conviver com a instabilidade nos mercados financeiros até que se encontre níveis de equilíbrio nos preços afetados, o que pode levar aproximadamente dois anos.
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Em resposta ao desespero que se abateu sobre os mercados financeiros, vários governos anunciaram que garantirão todos os depósitos bancários, como é o caso da Áustria. Assim, se um banco quebrar, os correntistas receberão de volta todo o dinheiro depositado naquela instituição financeira.
As informações são de Maria Inês Dolci, coordenadora institucional da Pro Teste, colunista da Folha e responsável por um blog da Folha Online.
Para a colunista, esta garantia deve ser oferecida sempre, não somente durante a crise econômica. "Os governos têm todos os instrumentos para acompanhar e intervir, se necessário, em instituições financeiras ao primeiro sinal de problemas sérios. Têm, então, a obrigação de assegurar que os recursos das pessoas comuns sejam 100% seguro", afirma a advogada.
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11 de outubro
O presidente Lula está otimista. Na última sexta-feira (10), em entrevista a portais no Palácio do Planalto, o presidente disse que o brasileiro poderá comprar tudo com o que sonha no Natal e torcer para o Ano Novo ser melhor. Segundo Lula, os efeitos da crise financeira originada nos EUA serão menores no Brasil.
Segundo Kennedy Alencar, colunista da Folha Online e repórter especial da Folha em Brasília, quem esteve com Lula saiu com a impressão de que realmente ele está confiante. "As palavras otimistas não seriam apenas jogo de cena, uma obrigação de presidente que tem de manter a expectativa de que o futuro será bom. Tomara que ele esteja certo", declara Alencar.
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10 de outubro
Em mais um dia de turbulência nos mercados mundiais, a Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo) desabou 10,19% nesta manhã e suspendeu as operações pela quarta vez em menos de 15 dias. A reação pessimista se dá por conta da divulgação dos números negativos de vários bancos, além da expectativa dos mercados sobre os resultados financeiros das montadoras nos Estados Unidos.
Adalto Corrêa, professor de economia e diretor de pós-graduação e pesquisa da Unimonte (Centro Universitário Monte Serrat), diz que a queda na Bolsa brasileira é motivada "simplesmente por puro desespero".
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A crise financeira originada nos EUA resultou em uma das piores semanas nos mercados. No Brasil, o governo mexeu nos compulsórios para ajudar os bancos menores. Ontem, mais empresas tiveram prejuízos com queda de 11% na Bolsa de Tóquio. Em São Paulo, as negociações na Bovespa foram interrompidas novamente na manhã desta sexta-feira.
Toni Sciarretta, repórter do caderno Dinheiro da Folha, diz que foram tomadas ações de resgates aos bancos nos EUA e na Europa, mas o pânico está disseminado e a economia financeira não encontra uma maneira de retomar confiança. Veja vídeo.
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Uma das causas que levou a interrupção do pregão da Bovespa na manhã desta sexta-feira foi a notícia de que a seguradora japonesa Yamato Life Insurance havia quebrado. Essa situação mostra que a crise econômica atingiu todos os cantos do mundo, inclusive países desenvolvidos.
O economista José Luiz Rossi Júnior, professor das disciplinas de finanças internacionais e de macroeconomia no Ibmec-SP, analisa a queda dos dados do BCE (Banco Central Europeu) e dos Estados Unidos. Ouça podcast.
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A Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo) voltou a funcionar depois de meia hora parada por queda de mais de 10%. O mercado reflete o pânico dos investidores com o alastramento da crise pelo mundo, gerado pelo pedido de falência de uma seguradora no Japão.
Segundo Carlos Eduardo Soares Gonçalves, professor de economia da FEA-USP (Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da USP) e autor do livro "Economia sem Truques" (ed. Campus-Elsevier), o que está acontecendo no mundo inteiro é um movimento de pânico generalizado. "Sabemos que o impacto de crises originadas no mercado de crédito são muito virulentos sobre a atividade e sobre as bolsas." Ouça podcast.
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Apesar de todas as medidas que foram tomadas por instituições financeiras em diversos países e pelo Banco Central, a Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo) ativou o "circuit breaker" (interrupção do pregão) novamente nesta sexta-feira.
José Luís Oreiro, professor de economia da UnB (Universidade de Brasília) e especialista em teoria macroeconômica, diz que a queda da Bovespa desta manhã ocorreu porque a crise mundial está contaminado as empresas brasileiras. Ouça podcast.
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A crise econômica mundial já preocupa o governo brasileiro. Com a alta do dólar, que obteve forte valorização nos últimos dias, e por conta das recentes quedas generalizadas das Bolsas na Europa, Estados Unidos e da própria Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo), as ações de importantes empresas brasileiras sofreram perdas significativas.
A análise é de Alexandre Espírito Santo, professor e diretor do curso de relações internacionais da ESPM (Escola Superior de Propaganda e Marketing) no Rio de Janeiro e economista da Way Investimentos. Para o economista, a crise financeira que o mundo enfrenta atualmente é diferente das anteriores, pois tem origem nas economias de países centrais. Ouça podcast.
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8 de outubro
Kennedy Alencar, colunista da Folha Online e repórter especial da Folha em Brasília, disse que a postura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de não tomar nenhuma decisão precipitada parecia correta. O jornalista explicou que o governo brasileiro não sabe muito bem quais serão os efeitos do pacote aprovado pelo Congresso dos EUA e das medidas adotadas pelos bancos centrais da Europa para combater a crise. Ouça podcast.
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7 de outubro
Maria Inês Dolci, coordenadora institucional da Pro Teste, colunista da Folha e responsável por um blog da Folha Online, explicou que com o dólar cotado acima de R$ 2, os preços de commodities e de produtos importados já pressionam o orçamento familiar dos brasileiros. Dolci disse que ainda era muito difícil prever se o pacote de US$ 850 bilhões aprovado pela Câmara impediria uma crise aguda nos Estados Unidos e evitaria uma catástrofe econômica mundial. Ouça podcast.
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2 de outubro
De acordo com repórter especial da Folha e colunista da Folha Online Kennedy Alencar, governo com crise econômica não elege candidato. Neste videocast, o jornalista disse que em Brasília muitos ainda tentavam entender porque apesar da aprovação do pacote anticrise pelo Senado americano, a situação continuava ruim nas Bolsas de Valores do mundo. No Brasil, neste dia, a Bovespa caiu e o dólar subiu. Veja vídeo.
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29 de setembro
O repórter especial da Folha Valdo Cruz abordou o fator eleitoral. Segundo o jornalista, o fato pesou na decisão tomada pelos deputados norte-americanos. Neste dia, o esperado era que o pacote de salvamento dos bancos dos Estados Unidos iria ser aprovado pela Câmara americana. Porém, o inesperado aconteceu e a medida foi rejeitada. Veja vídeo.
Daniel Bergamasco, correspondente da Folha em Nova York, disse que o pacote de ajuda ao setor financeiro dos Estados Unidos iria ser votado novamente. A decisão da proposta, feita pelo governo no último dia 20, e rejeitada na Casa dos Representantes (Câmara dos Deputados), deveria gerar expectativa também entre os brasileiros. Ouça podcast.
Maria Inês Dolci, coordenadora institucional da Pro Teste, colunista da Folha e responsável por um blog da Folha Online, orientou os consumidores para que eles se prevenissem de algum efeito negativo da crise financeira que atinge os mercados nos EUA. Dolci explicou que se a economia brasileira se desacelerar, vale a mesma norma de sempre: evitar ao máximo o endividamento a longo prazo. Ouça podcast.
Segundo o repórter do caderno Dinheiro da Folha Toni Sciarretta, os analistas ponderaram que a rejeição foi uma forma de os deputados americanos dizerem que não aprovaram dar o dinheiro do contribuinte para os bancos. Mas, pensando melhor, não havia outra alternativa. Ouça podcast.
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25 de setembro
As medidas anunciadas pelo BC (Banco Central), para aumentar a liquidez disponível para as instituições bancárias do país, são o primeiro sinal claro de que, enfim, o Brasil sentiu que há uma crise descomunal acontecendo no mundo.
As informações são de Igor Gielow, secretário de Redação da Sucursal de Brasília da Folha. Ouça outros podcasts com a participação do jornalista. Ouça podcast.
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